No Brasil em sua 11ª edição, a iniciativa Maio Amarelo — criada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária — tem como objetivo sensibilizar a sociedade para a adoção de comportamentos mais responsáveis no trânsito. Tornou-se um marco na promoção de uma cultura de paz, na qual pedestres, ciclistas e motoristas possam conviver de forma segura e respeitosa.
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Em 2025, o tema da iniciativa — que conta com apoio de diversos setores do governo, órgãos e instituições públicas e privadas — é “Desacelere. Seu bem maior é a vida”, referência à necessidade de reduzir os níveis de ansiedade e estresse, fatores que colaboram para o aumento dos acidentes de trânsito. Ao longo de todo o mês de maio, diversas ações foram realizadas para conscientizar a população sobre a importância de comportamentos seguros, já que, além do estresse, a falta de educação, conscientização e fiscalização contribuem para que esses acidentes continuem sendo um grave problema de saúde pública, diante da elevada incidência.
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Em 2024, foram registrados 1.124 acidentes com mortes no Estado do Rio de Janeiro, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), sem contar os casos que resultam em dores crônicas, perda de mobilidade e redução da qualidade de vida das vítimas e familiares, com impactos sociais e econômicos, além da sobrecarga no Sistema Único de Saúde e na sociedade como um todo. Apesar das inúmeras ações realizadas em maio de 2024 — com a participação de Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), Detran, Rio Ônibus, CET-Rio, Operação Lei Seca e da Secretaria Municipal de Saúde —, os números mostram que o compromisso assumido pelo Brasil, em 2021, com a meta global da ONU de reduzir as mortes no trânsito em uma década ainda representa um grande desafio.
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No Into, houve um aumento do número de pacientes transferidos de unidades municipais e estaduais com trauma ortopédico grave, principalmente vítimas de acidentes de motocicletas (64%) e de bicicletas (10%). Esses pacientes, por não estarem inseridos nas listas de espera regulares, acabam ocupando vagas destinadas a cirurgias eletivas, reduzindo significativamente o agendamento de pacientes que aguardam para serem operados. Estima-se que cada paciente com trauma ortopédico agudo impeça, em média, a realização de cinco cirurgias eletivas.
Em 2024, o Into realizou 7.065 cirurgias, incluindo procedimentos de reparo de traumatismos nos 966 pacientes transferidos — um número 10% superior ao de 2023, aumento também observado em todas as unidades de saúde do estado.
Em resposta a esse aumento, a prefeitura anunciou medidas como a criação de novas faixas e a normatização da velocidade máxima de 60 km/h para circulação de motocicletas na cidade, uma estratégia relevante, mas que, sozinha, não é suficiente. No Rio de Janeiro, o desrespeito às leis de trânsito tornou-se prática comum, com motociclistas avançando sinais vermelhos, utilizando faixas pontilhadas como pistas de corrida e trafegando pelas calcadas, condutas que aumentam drasticamente o risco de acidentes.
São urgentes as ações integradas de educação, conscientização e fiscalização rigorosa para salvar vidas e reduzir os agravos causados pelos acidentes no Estado do Rio de Janeiro, onde a transgressão às leis de trânsito se tornou um hábito.
O Maio Amarelo deveria durar o ano todo, todos os anos!
*Germana Lyra Bahr é diretora do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, instituição com participação ativa no Movimento Maio Amarelo

