Cada vez mais presente entre celebridades e influenciadores que compartilham nas redes sociais suas escolhas de beleza, a blefaroplastia ganhou espaço nas conversas sobre procedimentos estéticos. Conhecida como cirurgia das pálpebras, a técnica pode tratar excesso de pele, flacidez e bolsas de gordura na região dos olhos e, dependendo do caso, também ter indicação funcional. A popularidade do procedimento acompanha uma busca por resultados mais discretos, que preservem as características de cada rosto.
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Nos últimos anos, a cirurgia também passou a ser associada a uma abordagem menos padronizada. Em vez de simplesmente retirar o excesso de pele, a avaliação considera diferentes estruturas ao redor dos olhos para definir o que pode ser corrigido e qual técnica é mais adequada para cada pessoa.
“O conceito atual é muito mais personalizado. Não se trata simplesmente de retirar pele, mas de avaliar todo o entorno dos olhos, entender o que mudou com o tempo e buscar um resultado que preserve a identidade do paciente”, explica o cirurgião plástico Raphael Zarur.
O envelhecimento pode provocar perda de elasticidade, excesso de pele, flacidez e maior evidência das bolsas de gordura. Essas alterações podem aparecer nas pálpebras superiores, inferiores ou nas duas regiões, em diferentes combinações. Por isso, a indicação não é a mesma para todos os pacientes.
Na pálpebra superior, o excesso de pele costuma estar entre as principais queixas. Na inferior, bolsas de gordura e flacidez podem ganhar maior evidência. A avaliação também considera a posição das sobrancelhas, a sustentação das pálpebras e a relação da região dos olhos com o restante da face.
“O objetivo não é criar um novo olhar. É corrigir aquilo que incomoda sem apagar características individuais. Um resultado bonito é aquele que conversa com o restante do rosto e faz com que o paciente continue se reconhecendo”, afirma.
A aparência de cansaço, no entanto, nem sempre está relacionada apenas às pálpebras. Olheiras, rugas finas, alterações de volume e mudanças na posição das sobrancelhas também podem influenciar a região. Por isso, uma avaliação individualizada é necessária para identificar a origem da queixa e entender se a blefaroplastia é realmente indicada.
Em alguns casos, o excesso de pele na pálpebra superior pode ultrapassar a questão estética e interferir no campo visual. Nessas situações, o procedimento pode ter indicação funcional, além da estética, sempre a partir de avaliação médica.
A recuperação varia de acordo com a técnica utilizada e as características de cada paciente. Inchaço e manchas arroxeadas são comuns nos primeiros dias e tendem a diminuir progressivamente. O resultado também não aparece de forma imediata: conforme o edema regride e os tecidos se acomodam, o contorno da região fica mais definido.
A procura por resultados discretos acompanha uma mudança mais ampla na relação com os procedimentos estéticos. Em vez de alterações muito evidentes, há maior interesse por intervenções que respeitem os traços individuais e não produzam uma mudança facilmente identificável. Na blefaroplastia, essa abordagem significa considerar a estrutura de cada rosto antes de definir o que será tratado.
Para Raphael, a escolha do procedimento deve partir das características e das necessidades de cada paciente, e não de um padrão de beleza. “A cirurgia plástica deve acompanhar a pessoa, e não transformar a pessoa em um padrão. Na blefaroplastia, preservar a expressão é tão importante quanto tratar os sinais do envelhecimento”, conclui.
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