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O pêndulo da Câmara: Centrão fica sem lado para tentar ampliar o poder

Por · outubro 3, 2026
O pêndulo da Câmara: Centrão fica sem lado para tentar ampliar o poder


Há um ano, já estava tudo pronto. Os presidentes dos partidos do Centrão conversavam em gabinetes, nos plenários de Câmara e Senado e no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo. O assunto era um só. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entraria na disputa presidencial, faria um dominó ao carregar ao menos seis partidos de grande porte, colheria um tempo de TV exorbitante e desafiaria a campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Era o que dia sim, outro também, o presidente do PP, Ciro Nogueira, dizia que aconteceria.
Apuração: acompanhe aqui todos os resultados pelo Brasil
Quaest: Lula 46% e Flávio 45%; no Datafolha, petista tem 45% e senador, 42%, no 1º turno
Também era o que espalhava Marcos Pereira, do Republicanos, além de Antonio Rueda, do União Brasil, Gilberto Kassab, do PSD, e Baleia Rossi, do MDB. Nenhum desses pesos-pesados, com enorme influência no Congresso, conseguiu uma palavra concreta de Jair Bolsonaro para selar o plano. Tampouco obteve sucesso o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que apostava nessa grande frente. Somadas, essas legendas tinham 324 deputados, contingente cinco vezes maior que a bancada do PT.
Àquela altura, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já estava preocupado com sua chapa ao Senado e, em novembro, buscava manter unida a base bolsonarista. O pai foi preso após o fim do processo que o condenou a 27 anos pela trama golpista.
Até abril deste ano, quando Tarcísio seria obrigado pela legislação a deixar o governo para disputar a Presidência, houve paciência. Mas qualquer chance de “casamento” foi sepultada com a escolha do primogênito de Bolsonaro — o comunicado foi dado pelo próprio Flávio após visita ao pai em prisão domiciliar.
Composição do plenário da Câmara dos Deputados.
Diretoria de Arte
Entre os altos e baixos da pré-campanha, Flávio tentou redefinir essa ruptura. Focou especialmente na federação União-PP e no Republicanos, siglas com as quais tinha uma proximidade maior. Mas sua postura em relação a Ciro Nogueira diante do envolvimento do colega no caso Master o colocou em uma situação difícil, ocasião em que recebeu acusações de deslealdade.
Quando Nogueira foi alvo da Polícia Federal (PF) por ter supostamente colocado o mandato a serviço do banqueiro Daniel Vorcaro, em maio, Flávio defendeu a investigação do colega e não prestou solidariedade, o que foi visto como um gesto de ingratidão. Uma semana depois, foi a vez de Flávio ser tragado para o escândalo, com a revelação pelo site Intercept Brasil de que ele pediu R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark horse”, em homenagem a Bolsonaro. O caso reforçou o afastamento.
Ao receber o não oficial dos três partidos, Flávio manteve uma relação distante com os presidentes dessas legendas. Nos últimos meses, chegar ao candidato do PL tem sido difícil.
Distribuição das bancadas no senado e projeção para o resultado da renovação deste ano.
Diretoria de artes.
Marcos Pereira anunciou, em gesto de deferência, que o diretório do Republicanos em São Paulo apoiava Flávio, a despeito da neutralidade nacional. Segundo relatos, o dirigente chegou a gravar vídeos com prefeitos bolsonaristas em cidades do interior do estado nos quais ele pedia voto para Flávio.
Os vídeos foram enviados pelo próprio presidente do partido ao presidenciável do PL, que inicialmente respondia agradecendo. Depois, porém, as mensagens passaram a ser ignoradas pelo candidato.
A despeito da capilaridade nos estados e de comandarem a Câmara e o Senado, Republicanos e a federação União-PP decidiram esperar o resultado do pleito presidencial. Assim, mantêm poder de barganha para negociar espaços em qualquer governo. A partir da próxima semana, porém, já começam a se reunir para avaliar cenários do segundo turno.
Apuração
Para facilitar e enriquecer a cobertura da apuração das eleições 2026, neste domingo (4), a partir das 17h, o GLOBO desenvolveu um ambiente especial com um menu que contempla os cinco cargos em disputa (presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual) e pode ser acessado pelo site e pelo aplicativo do jornal. No mapa, o leitor vê quem está liderando, quem foi eleito ou quem irá para o segundo turno em cada um dos 26 estados, no Distrito federal e nos 5.569 municípios. Também é possível conferir a votação nas zonas eleitorais, a nova divisão partidária do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas e a composição do Senado.
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