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Embalado pela adaptação de “Vale tudo” no horário nobre da TV Globo, o formato foi recolocado no centro das conversas — uma mostra de que o melodrama, tão basilar na cultura latino-americana, segue com força total, inclusive no streaming, e em novas experimentações nas redes sociais.
Foi um ano dinâmico também para o telejornalismo e seu principal patrimônio na TV brasileira: o Jornal Nacional, com a saída de William Bonner. Anunciada em setembro, a despedida foi efetivada em novembro, com a entrada de César Tralli.
Considerada um dos maiores folhetins eletrônicos do Brasil, “Vale tudo”, refeita e protagonizada este ano por Taís Araujo (no papel da mãe batalhadora Raquel Acioli) e Bella Campos (a filha vigarista Maria de Fátima), capturou as conversas de março a outubro, quando, em seu capítulo final, revelou que a vilã Odete Roitman “sempre volta”.
Fazia tempo que os brasileiros não se reuniam em torno de mesa de bar para se despedir de uma novela, que, desta vez, teve desfecho bem diferente do original, criado por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères e exibido em janeiro de 1989. Na versão de Manuela Dias, ninguém matou Odete: a megera resistiu aos tiros e se mandou do Brasil. No Rio, foi a maior audiência de uma final de novela das 21h e maior consumo para um capítulo do gênero no Globoplay, segundo dados da emissora.
Meses antes, em março, outro desfecho e outra vilã mobilizaram o digital e o real (com as chamadas “watch parties”, ou “festas para assistir junto”): o de “Beleza fatal”, novela da HBO Max, estrelada pelas Camilas Queiroz e Pitanga. Com 40 capítulos escritos por Raphael Montes, a história foi a terceira produção de streaming e TV que mais despertou interesse dos brasileiros nas buscas do Google Brasil, perdendo apenas para “Round 6” e “Monstros: a história de Ed Gein”, ambas da Netflix.
Não foi, porém, uma iniciativa isolada. “Guerreiros do Sol”, criação de George Moura e Sergio Goldenberg para o Globoplay inspirada na história de Lampião e Maria Bonita, também agradou, sobretudo à crítica. No Rose d’Or Awards, em Londres, no último dia 1º, ela saiu com o prêmio de melhor telenovela, desbancando, inclusive, uma produção da Turquia, o grande hitmaker do gênero no mercado internacional hoje.
Enquanto os cortes rolaram soltos — “Vale tudo” e “Beleza fatal” se beneficiaram muito de trechos de seus capítulos nas redes sociais —, o gênero se abriu para uma experimentação extrema: os microdramas ou novelas verticais. Feitas exclusivamente para o celular, com episódios curtíssimos e no máximo 70 capítulos, elas são o trunfo do momento no mundo inteiro. A TV Globo lançou “Tudo por uma segunda chance”; o Globoplay prepara “Cinderela e o segredo do meu pobre milionário” para quinta-feira.
Até agora, a iniciativa de maior sucesso desse tipo é “A vida secreta do meu marido bilionário”, lançada na plataforma ReelShort, mas compartilhada em diversas redes sociais, um claro sinal de furo da bolha. No top 10 de séries e TVs de buscas do Google Brasil, apareceu em oitavo lugar.
— Este ano, houve experimentações para tatear novos formatos que trazem frescor e distanciam aquela ideia de que “a novela morreu” por causa da fragmentação da audiência — diz Clarice Greco, pesquisadora de telenovelas e professora da Unip. — As telenovelas só estão se transformando e nós, experimentando a melhor forma de assisti-las no atual cenário.
Se a boa e velha novela trouxe novidades em 2025, o mesmo aconteceu com o Jornal Nacional. Dos 56 anos em que está no ar, 29 deles foram com William Bonner na bancada. O dia 31 de outubro, porém, marcou a última edição comandada pelo paulistano. Bonner fez questão de frisar, ao vivo, que o movimento não era uma aposentadoria, apenas uma despedida do jornalismo diário. Em fevereiro, assume a apresentação do Globo Repórter ao lado de Sandra Annenberg. Em novembro, a nova fase começou com César Tralli, que deixou o Jornal Hoje para sentar-se ao lado de Renata Vasconcellos todas as noites. A mudança veio num 2025 histórico para o Grupo Globo, que comemorou 100 anos, e para a TV Globo, que celebrou seis décadas no ar. Em abril, houve 60 horas de programação inédita para marcar este momento, com uma série de atrações especiais envolvendo toda a grade da emissora, nas áreas de Entretenimento, Jornalismo e Esporte.
No streaming, a crônica policial atraiu a audiência. É o que mostra o sucesso em 2025 dos true crimes, que apostaram na dramatização de histórias reais no Brasil e no mundo.
Por aqui, uma mesma série conseguiu reunir os nomes mais conhecidos das páginas policiais. Ao contar o dia a dia dos detentos “mais famosos” de Tremembé, a série homônima do Prime Video juntou Suzane von Richthofen, os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, Anna Carolina Jatobá, Alexandre Nardoni, Elize Matsunaga e outros. Teve triângulo amoroso, calote, casal apaixonado e diversos ingredientes de um novelão de condenados, embalado por trilha pop, edição ágil e elenco famoso, com Marina Ruy Barbosa (Suzane) e Felipe Simas (Daniel Cravinhos).
Apesar das discussões éticas levantadas sobre a celebrização do universo criminal, “Tremembé” foi a série brasileira mais assistida no streaming da Amazon no país e no exterior. Não à toa, foi renovada para a segunda temporada com a promessa de novas histórias: Robinho, outro encarcerado notório, terá seus dias de detento exibidos na tela.
No exterior, o “baseado em crimes reais” teve a terceira temporada de “Monstros” (Netflix), que estreou em outubro e conta a história de Ed Gein, o açougueiro de Plainfield, entremeada com narrativas paralelas da influência de seus crimes no cinema. De “Psicose” a “O silêncio dos inocentes” (com o assassino Hannibal Lecter), diversas obras-primas têm algo do universo do matador. No ranking global de buscas do Google, “Monstros” foi a série que mais gerou interesse de buscas.
Se o true crime de 2025 ganhou contornos de, parafraseando o meme, “absolute novela”, o “tiro, porrada e bomba” tomou conta da produção de ficção nacional. Algumas das séries de maior sucesso de crítica e público do audiovisual brasileiro têm os roteiros totalmente baseados na violência urbana. O drama familiar e as relações amorosas aparecem sempre no meio do tiroteio. “Pssica”, adaptação do livro de Edyr Augusto pela Netflix, é um dos exemplos que mais agradaram, destacando-se entre as séries de língua não inglesa mais assistidas da plataforma globalmente.
O mesmo aconteceu com “Os donos do jogo”. Ambientada no Rio, a série trouxe as brigas das famílias que dominam o jogo do bicho para o universo ficcional e agradou. A Netflix já deu sinal verde para a segunda temporada. “Arcanjo renegado”, do Globoplay, centrada no trabalho do Bope, não dá sinais de arrefecer. Em 2025, as gravações da quinta temporada já haviam sido finalizadas antes mesmo da estreia da quarta, em novembro. Por isso, segue descrita como “um dos maiores sucessos nesses dez anos”, que a plataforma completou em 2025.
As vilãs e o vilão que roubaram a cena
Odete Roitman (‘Vale tudo’, da Globo): Uma das maiores megeras de todos os tempos, a personagem continuou racista e classista, mas sua vida sexual libertária ganhou mais tempo de tela em 2025, quando interpretada por Debora Bloch.
Lola (‘Beleza fatal,’ da HBO Max). A personagem de Camila Pitanga não queria só “um Brasil em harmonia, mas um Brasil harmonizado”, por isso não economizou nas maldades (e nos bordões) para conseguir sua clínica de estética.
Alexandre (‘A viagem’, TV Globo). O espírito obsessor vivido por Guilherme Fontes em 1994 voltou a atazanar em 2025 por causa do “Vale a pena ver de novo”. Mas ele não vagou só na TV — foi um hit de memes nas redes sociais.
Arminda (‘Três Graças’, TV Globo). Mestre na criação de mulheres odiáveis, Aguinaldo Silva presenteou Grazi Massafera com esse tipo asqueroso, uma espécie de Nazaré Tedesco (de “Senhora do destino”) sofisticada.
Sandra (‘Êta mundo melhor!’, TV Globo). Flávia Alessandra avisou que “o que era ruim ficou pior” ao falar do retorno da víbora criminosa na continuação da novela “Êta mundo bom” na faixa das 18h.
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O “Malvadão” da música é hit também na TV aberta e no streaming. O rapper Xamã consolidou sua porção ator e brilhou como o bicheiro Búfalo (na foto) em “Os donos do jogo”, da Netflix, e segue no ar como o traficante Bagdá em “Três Graças”, da TV Globo. Por esse papel, ganhou o apelido de “bandivo” nas redes sociais. Em 2026, ele entra na segunda temporada de “Cangaço novo”, do Prime Video.
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Ícones do streaming terminaram este ano, como a distopia “The handmaid’s tale”, que estreou em 2017. Na Netflix, duas “perdas”: “Round 6”, a série mais vista da plataforma, acabou em junho; e “Stranger things” terá o episódio derradeiro em 31 de dezembro, às 22h.
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Uma família da classe trabalhadora britânica desmorona quando a polícia invade sua casa para prender Jamie, de 13 anos. A acusação? Matar uma colega a facadas. “Adolescência” suscitou mundialmente reflexões sobre masculinidade tóxica e redes sociais. A produção criada por Stephen Graham, que interpreta Eddie, o pai de Jamie, venceu o Emmy de melhor minissérie e rendeu a Owen Cooper, de 15 anos, o prêmio de melhor ator coadjuvante.
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Não era piada, mas parecia. A plataforma de streaming da HBO, a Max, mudou de nome mais uma vez e voltou a ser… HBO Max — depois de ser só HBO, HBO Go… Nas redes sociais, todo mundo fez graça, inclusive com frases famosas das séries do catálogo (“p***, você só pode estar brincando”, nesta da foto, tirada de “Euphoria”). Resta saber se 2026 terá mais troca-troca: afinal, na sexta-feira, a Netflix anunciou a compra da Warner Bros Discovery (controladora da HBO) por US$ 72 bilhões.
Os vencedores de reality shows em 2025
Big Brother Brasil 25. Numa edição que começou com “duplas” e depois seguiu com jogo individual, quem se deu melhor foi a bailarina Renata Saldanha. Ela conseguiu 51,90% dos votos na final, exibida na TV Globo em abril.
Power Couple Brasil. No reality show da Record com casais famosos, a medalha de ouro foi para a judoca Carol e o ex-jogador Radamés. Eles venceram a edição, em julho, com 54,24% dos votos do público.
Masterchef Brasil. Com uma massa fresca com camarões, a advogada de Petrópolis, Daniela Dantas, conquistou os jurados do programa da Band e levou o título de grande vencedora de 2025, em setembro.
Masterchef Confeitaria. A versão açucarada da competição na Band teve Leo Salles como o grande vencedor. Ele revisitou uma receita de arroz doce e fez tartar de vieiras com sorbet de pera e entremet à base de cumaru e cupuaçu.
The masked singer. Odete Roitman foi a grande vencedora da quinta temporada do desafio musical da Globo, em homenagem aos 60 anos da emissora. Mas quem estava por debaixo da máscara? O ator Diego Martins.
Emmy. O principal prêmio da TV americana já está marcado: 14 de setembro de 2026. São considerados como possíveis indicados programas que foram ao ar entre 1º de junho de 2025 e 31 de maio de 2026.
Bridgerton’ (Netflix). A quarta temporada da adaptação dos livros de Julia Quinn foca no boêmio Benedict (Luke Thompson). No ar a partir de 29 de janeiro.
‘Euphoria’ (HBO). Quatro anos depois da segunda temporada, a produção que rendeu dois Emmys a Zendaya volta em abril.
‘Emergência 53’ (Globoplay). A série médica ficcional, programada para 2026, acompanha o trabalho de profissionais no serviço móvel de urgência. Com Yara de Novaes, Emílio Dantas, Valentina Herszage e Fernanda Montenegro.
‘A casa dos espíritos’ (Prime video). A aguardada adaptação do best-seller da chilena Isabel Allende está programada para o ano que vem.
‘Paradise’ (Disney+). A série com Sterling K.Brown e Shailene Woodley, que vieram a São Paulo na CCXP, estreia em em 23 de fevereiro de 2026.
‘Pablo e Luisão’ (Globoplay). A segunda temporada da comédia sobre a família de Paulo Vieira também está no forno, prometida para 2026.
‘O cavaleiro dos sete reinos’ (HBO). Em 19 de janeiro, a série derivada do universo de “Game of thrones” está de volta com os episódios da segunda temporada. O anúncio foi feito na CCXP, em São Paulo.

