Gennaro Gattuso revelou que convive há 15 anos com uma doença autoimune que o obrigou a encerrar a carreira como jogador de futebol. Aos 48 anos, o ex-volante da seleção italiana contou que faz tratamento diário com cortisona e afirmou que, em casos mais graves, a doença pode deixar pacientes sem condições de se movimentar durante meses.
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A revelação foi feita durante o Festival dello Sport, em Trento, na Itália. Gattuso contou que foi diagnosticado com miastenia ocular, uma forma da miastenia que afeta principalmente os músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos e das pálpebras. Segundo ele, a doença foi diagnosticada quando tinha 34 anos, perto do fim de sua carreira como jogador.
— Parei de jogar porque contraí uma doença autoimune, a miastenia ocular. Há 15 anos tomo cortisona. Se não tomo, tenho diplopia, ou seja, não consigo enxergar corretamente — afirmou Gattuso durante o evento.
A diplopia é um dos principais sintomas da miastenia ocular e provoca visão dupla. A doença é crônica e pode apresentar períodos de piora e melhora. Em 2020, quando comandava o Napoli, Gattuso tornou público o problema depois de aparecer em partidas e entrevistas com um dos olhos coberto. Na ocasião, contou que sofria com a doença havia cerca de dez anos e que aquela era a terceira vez que enfrentava uma crise mais intensa.
Naquele período, o treinador relatou que tinha dificuldade para permanecer em pé e que enxergava tudo duplicado. O médico do Napoli explicou que a miastenia ocular afeta a musculatura dos olhos e pode provocar episódios de visão dupla e queda das pálpebras.
Tratamento
Cinco anos depois da primeira revelação pública, Gattuso afirmou que continua tomando cortisona diariamente para controlar os sintomas. Segundo o ex-jogador, o tratamento é necessário para evitar que a diplopia volte.
— Eu aceitei a doença, trabalho com ela, sou mais forte do que a doença. Mas isso tem um custo, porque tomar cortisona todos os dias não é fácil — afirmou.
Gattuso também destacou que a condição pode ser incapacitante para algumas pessoas. “Há pessoas com a minha mesma doença que ficam quatro ou cinco meses na cama, porque não conseguem se mexer”, disse.
O treinador acrescentou que não consome bebidas alcoólicas há cerca de seis ou sete anos. Segundo ele, a mudança faz parte da forma como passou a lidar com a doença e com o tratamento. “Vamos em frente enquanto Deus nos der forças para continuar”, afirmou.
A miastenia ocular é uma forma da miastenia gravis em que a fraqueza muscular fica restrita aos músculos dos olhos e das pálpebras. Os sintomas mais comuns são justamente a visão dupla e a ptose, caracterizada pela queda da pálpebra. Não há cura definitiva, mas tratamentos podem controlar os sintomas.
Carreira
Gattuso começou a carreira profissional no Perugia, na década de 1990, e também defendeu Rangers, Salernitana, Milan e Sion. Foi no Milan que viveu a maior parte de sua trajetória e conquistou dois títulos do Campeonato Italiano e duas Liga dos Campeões, além de outros troféus.
Pela seleção italiana, disputou cerca de uma década e foi titular na campanha que terminou com o título da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.
Depois de abandonar os gramados, Gattuso iniciou a carreira como treinador. Passou por Sion, Palermo, OFI Creta, Pisa, Milan, Napoli, Fiorentina, Valencia, Olympique de Marselha e Hajduk Split.
Em 2025, assumiu o comando da seleção italiana, mas deixou o cargo após a equipe fracassar na tentativa de se classificar para a Copa do Mundo. Em junho deste ano, foi anunciado como novo técnico da Lazio.
O que é a miastenia ocular, doença autoimune que fez Gattuso abandonar o futebol
