O desejo sexual nem sempre surge com a mesma intensidade ou ao mesmo tempo em ambos os parceiros. Enquanto um pode buscar encontros íntimos com frequência, o outro pode demonstrar menos interesse ou precisar de certas condições para se sentir excitado. Essas diferenças são comuns e não representam necessariamente uma crise no relacionamento.
Entrevista: ‘meu objetivo para os próximos anos é continuar vivo. Isso vai ser o suficiente’, diz Tony Bellotto sobre o câncer de pâncreas
Faz bem ter relações sexuais todos os dias? Os benefícios e riscos do sexo frequente
Essa condição é conhecida como disritmia sexual, também chamada de discronaxia sexual ou desejo sexual discrepante. Refere-se à falta de sincronia nos ritmos, frequência ou momento do desejo sexual. Não é uma doença, mas uma diferença natural que pode surgir durante um relacionamento.
A sexóloga clínica e terapeuta de casais Bárbara Montes Saiz explica que o desejo geralmente muda após a fase inicial de paixão.
Distingue também entre desejo espontâneo, que surge sem a necessidade de estímulos prévios, e desejo responsivo, que surge de uma carícia, de uma conexão emocional ou de um ambiente adequado.
Por que os desejos sexuais não coincidem?
Responsabilidades profissionais, tensão mental, problemas familiares e estresse podem afetar o desejo sexual. Portanto, uma diminuição da libido nem sempre significa que a atração pelo parceiro desapareceu.
A ginecologista e sexóloga clínica Francisca Molero destaca que fatores externos podem afetar a sexualidade e gerar diferenças na frequência dos encontros.
Entenda: nutricionistas estipulam o número máximo de ovos para comer em uma semana
Essas situações, se não forem discutidas, podem causar insegurança na pessoa que tem mais desejo e pressão na pessoa que sente menos.
O conflito surge quando as relações sexuais se tornam uma obrigação ou quando um dos membros concorda em ter encontros apenas para evitar discussões.
O sexólogo e terapeuta de casais Raúl González Castellanos alerta que “recriminações e obrigações” são incompatíveis com o desejo.
Como lidar com as diferenças em um relacionamento?
Para lidar com essa situação, especialistas recomendam começar com o diálogo e evitar acusações. Molero destaca que é importante perguntar por que o desejo diminuiu, em vez de presumir desinteresse ou procurar alguém para culpar.
Montes sugere identificar quais situações promovem ou dificultam a excitação, bem como discutir as necessidades, os medos e as preocupações de cada pessoa. Recordar as experiências íntimas mais satisfatórias também pode ajudar a reconhecer o que fortalece a conexão.
Outra recomendação é ampliar o conceito de relações sexuais. Beijos, carícias e outras demonstrações de afeto não precisam necessariamente terminar em relação sexual. Dessa forma, o contato físico pode ser reacendido sem criar expectativas ou obrigações.
Veja dicas: treino de força aos 70 anos é essencial para pernas firmes e autonomia
A masturbação também pode ser uma alternativa para quem tem um desejo mais intenso, enquanto o agendamento de encontros íntimos permite criar uma atmosfera de cumplicidade por meio de mensagens, fantasias e propostas antecipadas.
Por fim, os especialistas lembram que não existe uma frequência universal que determine a quantidade ideal de relações sexuais para um casal. Respeitar o ritmo individual e construir acordos por meio da comunicação permite que os casais lidem com as diferenças sem que elas se tornem motivo de distanciamento.
O que é disritmia sexual e como ela afeta seu relacionamento? Especialistas explicam como lidar com ela
