A situação migratória do príncipe Harry nos Estados Unidos voltou a ser alvo de disputa judicial, mas os documentos que poderiam esclarecer detalhes do processo continuam, em grande parte, sob sigilo. O caso envolve a Heritage Foundation, organização conservadora que recorreu à Lei de Liberdade de Informação (FOIA) para tentar obter registros relacionados ao visto do filho mais novo do rei Charles III.
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Entre as questões levantadas está se Harry informou às autoridades americanas seu histórico de uso de drogas e se recebeu algum tratamento diferenciado em razão de sua posição na família real britânica.
A discussão ganhou força depois que Harry abordou o assunto em suas memórias, publicadas em 2023. No livro, o duque de Sussex relatou ter usado cocaína, maconha e substâncias alucinógenas no passado. A revelação passou a ser relacionada ao processo migratório porque o histórico de consumo de drogas pode ter relevância em determinadas análises de entrada e permanência nos Estados Unidos.
Documentos seguem sob sigilo
Até o momento, a Justiça determinou que 18 arquivos permaneçam protegidos, enquanto outros 289 registros ainda passam por análise. O material não divulgado inclui informações que poderiam esclarecer quais dados foram apresentados por Harry durante o pedido de visto.
A disputa se arrasta há anos. Em um primeiro momento, o governo americano se recusou a liberar os documentos, argumentando que os registros estavam sujeitos às leis de proteção à privacidade. Em 2024, um juiz federal considerou que o direito de Harry à privacidade prevalecia sobre o interesse público alegado pela Heritage Foundation.
O cenário mudou parcialmente no ano seguinte, quando a organização conseguiu uma decisão favorável para obter parte dos registros. A liberação, no entanto, não significou acesso integral ao processo: informações continuaram ocultas, incluindo o próprio formulário utilizado pelo príncipe para solicitar o visto.
Até agora, os documentos tornados públicos não demonstram que Harry tenha omitido informações às autoridades americanas. Também não há, no material divulgado, comprovação de que ele tenha recebido tratamento especial por pertencer à família real. Sua autorização de permanência nos Estados Unidos continua válida.

