Corredores amarelos infinitos, luzes fluorescentes piscando, carpete úmido e uma sensação constante de que algo está errado. O universo dos “backrooms”, uma das maiores histórias de terror nascidas na internet nos últimos anos, saiu dos fóruns on-line para chegar aos cinemas com “Backrooms: um não-lugar”, da produtora americana A24 e estrelado por Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve, indicada ao Oscar 2026 por “Valor sentimental”.
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Baseado em um curta viral, o longa marca a estreia do diretor Kane Parsons, de apenas 20 anos. Na trama, uma terapeuta (Reinsve) adentra um backroom quando um de seus pacientes (Ejiofor) desaparece e ela precisa resgatá-lo.
Parsons ficou conhecido na internet por publicar no YouTube uma série de vídeos inspirados nos backrooms, dimensões paralelas labirínticas que parecem existir entre a realidade e o pesadelo. Os curtas viralizaram, acumulando milhões de visualizações com uma estética hiper-realista, imagens granuladas e atmosfera profundamente perturbadora.
Os backrooms são espaços fictícios criados na internet que funcionam como uma espécie de dimensão alternativa. A principal característica é a sensação labiríntica: salas, corredores e escritórios aparentemente infinitos, marcados por paredes amareladas, iluminação artificial e um silêncio desconfortável.
O terror dos backrooms não está necessariamente em monstros ou sustos repentinos, mas na sensação de vazio, repetição e isolamento.
O conceito também se relaciona aos chamados “espaços liminares”. A palavra “liminar” vem do latim limen, que significa “limiar” ou “transição”. São ambientes comuns vistos fora de contexto, como um shopping vazio, uma escola à noite, um corredor de hotel deserto ou um escritório silencioso depois do expediente.
Quando esses lugares aparecem vazios, silenciosos e sem presença humana, passam a causar desconforto psicológico. É essa sensação que os backrooms exploram.
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A ideia dos backrooms surgiu em 2019, em um post anônimo publicado no fórum 4chan. A publicação mostrava apenas uma imagem de um corredor vazio, iluminado por lâmpadas fluorescentes e cercado por paredes amareladas. A legenda dizia:
“Se você não tomar cuidado e atravessar a realidade nos lugares errados, vai acabar nas Backrooms, onde tudo o que existe é o cheiro de carpete velho e úmido, a loucura do amarelo monocromático, o ruído interminável de lâmpadas fluorescentes zumbindo no volume máximo e aproximadamente novecentos e sessenta milhões de quilômetros quadrados de salas vazias segmentadas aleatoriamente, nas quais você ficará preso. Que Deus o ajude se ouvir algo vagando por perto, porque aquilo com certeza já ouviu você.”
O conceito de “atravessar a realidade” vem dos videogames. É uma referência ao noclip, quando um personagem ultrapassa paredes ou atravessa partes do cenário por causa de uma falha do jogo, caindo fora dos limites do mapa.
O post rapidamente viralizou e deu origem a uma mitologia colaborativa na internet. Usuários começaram a criar “níveis” para o labirinto, regras de sobrevivência, teorias e criaturas misteriosas escondidas nos corredores.
Os backrooms fazem parte do universo das chamadas “creepypastas”, histórias de terror compartilhadas on-line que se espalham por fóruns, redes sociais, vídeos no YouTube (como foi o caso dos vídeos de Parsons) e até videogames.
O termo mistura as palavras “creepy” (“assustador”, em inglês) e “copypasta”, expressão usada na internet para textos copiados e colados repetidamente.
Os backrooms existem de verdade?
O termo ficou tão popular nas redes sociais que muitos internautas passaram a perguntar se os backrooms seriam reais ou se existiriam lugares semelhantes espalhados pelo mundo.
Apesar das teorias e vídeos conspiratórios, os backrooms são apenas histórias de terror.
Ainda assim, especialistas em cultura digital apontam que o fenômeno conversa diretamente com sentimentos contemporâneos de ansiedade, solidão, hiperconectividade e esgotamento mental.

