A pele, maior órgão do corpo humano, passa por um processo contínuo e multifatorial de envelhecimento, influenciado por fatores internos (genéticos, hormonais e metabólicos) e externos, como exposição solar, tabagismo, alimentação inadequada, estresse e poluição.
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Comumente, pessoas entre 40 e 50 anos percebem mudanças mais significativas na aparência da pele. Rugas, linhas finas, manchas, perda de elasticidade e de volume se tornam mais visíveis. Segundo Adriana Lima Gürtler, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP), aos 40 anos já há uma queda na produção de colágeno e elastina.
“Isso leva à flacidez, tornando as rugas mais evidentes. A pele fica mais seca, opaca. Começa também a absorção dos coxins de gordura do rosto, o que resulta no surgimento de olheiras e do sulco nasogeniano, o popular ‘bigode chinês'”, explica.
Sylvia Ypiranga, também dermatologista e diretora da SBD-RESP, destaca que o envelhecimento afeta diversas camadas da pele de forma distinta em cada pessoa. Por isso, o diagnóstico clínico é indispensável.
“O tratamento deve ser personalizado, com base em avaliação profissional. É isso que garante resultados mais seguros e eficazes”, afirma.
Com o passar do tempo, o impacto na pele se intensifica. De acordo com Adriana, aos 50 anos há um declínio ainda maior na produção natural de colágeno, especialmente nos primeiros cinco anos após a menopausa. Isso acelera o ressecamento, a perda de firmeza e elasticidade, além de reduzir a luminosidade da pele.
“O remodelamento ósseo da face também é perceptível. Há perda de projeção na região do blush, no queixo e no contorno da mandíbula. Por outro lado, o predomínio de hormônios androgênicos nessa fase pode deixar a pele mais oleosa, favorecendo o surgimento de acne e pelos grossos no queixo e nas laterais do rosto”, explica.
Skincare personalizado: o que usar?
Quando o assunto é skincare, o acompanhamento dermatológico é essencial para evitar frustrações e reações adversas.
“Muitos usam cosméticos por conta própria e acabam sensibilizando a pele. O ideal é seguir uma rotina baseada em diagnóstico profissional”, orienta Sylvia.
A base de qualquer rotina, segundo Adriana, deve ser o protetor solar de amplo espectro. A ele se somam antioxidantes como vitamina C, vitamina E, niacinamida e ácido ferúlico. A hidratação também é indispensável, assim como o uso de ácidos noturnos para renovação celular.
“A limpeza suave deve ser feita duas vezes ao dia com sabonete líquido. Pela manhã, a sequência ideal é: limpeza, hidratação e proteção solar. À noite, limpeza, hidratação e aplicação de ativos de tratamento”, detalha.
Procedimentos estéticos e hábitos de vida
Para quem deseja complementar os cuidados, tratamentos estéticos são aliados importantes. Eles atuam no controle das rugas, na firmeza e na textura da pele. Mas os resultados dependem também de escolhas diárias, como alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e a redução de hábitos prejudiciais, como exposição solar excessiva, álcool e cigarro.
“A associação de tratamentos é o caminho para resultados naturais e duradouros. A escolha de cada técnica depende do grau de envelhecimento e deve incluir também pescoço, colo e mãos, não só o rosto”, afirma Adriana.
Entre os procedimentos mais indicados estão a toxina botulínica, o ultrassom microfocado, bioestimuladores de colágeno, preenchimento com ácido hialurônico e lasers.
“Cada um atua de forma específica. A toxina botulínica suaviza rugas, o ultrassom e os bioestimuladores ajudam na firmeza. Já o ácido hialurônico devolve volume e hidratação”, explica Adriana.
Para manchas e uniformização da pele, os lasers são eficazes ao fragmentar o pigmento e melhorar o tom da pele.
“Hoje temos um arsenal muito diversificado de tecnologias e substâncias para lidar com as alterações do envelhecimento. O fundamental é consultar um dermatologista para que o grau de envelhecimento seja avaliado e o plano de tratamento, personalizado”, conclui.