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O turno invisível das barcas: trabalho segue noite adentro, depois que os passageiros vão embora; entenda

Diariamente, cerca de 55 mil pessoas atravessam as estações das barcas em um movimento pendular entre as estações que ligam Niterói e o Rio. Para quem está a bordo, a viagem começa quando a embarcação deixa o terminal e é concluída minutos depois, na outra margem da Baía de Guanabara. Para que essa rotina se […]

O turno invisível das barcas: trabalho segue noite adentro, depois que os passageiros vão embora; entenda


Diariamente, cerca de 55 mil pessoas atravessam as estações das barcas em um movimento pendular entre as estações que ligam Niterói e o Rio. Para quem está a bordo, a viagem começa quando a embarcação deixa o terminal e é concluída minutos depois, na outra margem da Baía de Guanabara. Para que essa rotina se repita a partir das primeiras horas da manhã, porém, existe uma operação que passa praticamente despercebida pelos passageiros e ganha força justamente quando as estações começam a esvaziar.
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A partir da meia-noite, quando termina o movimento mais intenso, começa uma espécie de segunda jornada para a frota da Rio Barcas. Nos terminais e no estaleiro, embarcações são recolhidas, abastecidas, limpas e submetidas a uma série de verificações. É nesse intervalo que equipes atuam para que motores, sistemas de navegação, refrigeração e equipamentos de bordo estejam preparados para voltar ao serviço poucas horas depois. Esse trabalho reúne cerca de 800 profissionais em diferentes áreas da operação.
O funcionamento desse sistema é acompanhado em tempo real pelo Centro de Controle de Operação (CCO), considerado pela concessionária o “cérebro” da atividade. De lá, os profissionais acompanham a movimentação das embarcações e das estações, recebem informações sobre eventuais avarias, indicam reparos e avaliam a necessidade de substituir uma embarcação por outra. Um mapa do sistema permite visualizar o que ocorre nas diferentes linhas e tomar decisões enquanto a operação está em andamento.
A estrutura precisa dar conta de uma frota que, atualmente, reúne 16 embarcações de diferentes modelos e capacidades. Entre elas estão catamarãs capazes de transportar até dois mil passageiros e embarcações para cerca de 1.300 passageiros. Há ainda modelos menores, como os MC 25, que transportam pouco mais de 200 pessoas. A escolha da embarcação depende da linha e da demanda de cada serviço.
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É no estaleiro da Ponta d’Areia e na estação da Praça Araribóia que parte importante desse trabalho noturno acontece. Depois que as embarcações deixam de transportar passageiros, começa uma inspeção que envolve desde equipamentos de navegação até o abastecimento de combustível. A manutenção também alcança componentes que não são percebidos por quem está sentado na cabine durante a travessia.
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— A operação não termina quando o último passageiro desembarca, pois é justamente nesse período que as equipes iniciam a manutenção, a higienização profunda e o monitoramento em tempo real, garantindo que a primeira viagem do dia seguinte seja realizada com precisão absoluta — afirma Igor Fuscaldi de Paula, gerente-geral de Operações e Manutenção da Rio Barcas.
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Um deles é fundamental para o funcionamento dos motores: o sistema que utiliza água do mar para fazer o resfriamento dos equipamentos. A água é captada por entradas instaladas nas embarcações e passa pelos filtros responsáveis por impedir que resíduos cheguem aos componentes internos. Quando esses filtros estão obstruídos, a capacidade de refrigeração diminui e pode haver risco de superaquecimento.
Lixo flutuante: inimigo
Nos catamarãs de maior porte, são dois motores principais e dois auxiliares, responsáveis também por alimentar sistemas elétricos da embarcação, incluindo os equipamentos de ar-condicionado. Por isso, um problema aparentemente distante da rotina do passageiro — um acúmulo de lixo flutuando na Baía — pode interferir diretamente na viagem.
Segundo a concessionária, quando a entrada de água fica comprometida pela presença de resíduos, os operadores precisam desligar um dos sistemas como medida de segurança. O ar-condicionado costuma ser um dos equipamentos desligados nessa situação, para preservar o funcionamento dos motores e permitir que a embarcação conclua a viagem.
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De acordo com a Rio Barcas, o lixo flutuante pode alcançar as chamadas caixas de mar, estruturas que funcionam como pontos de entrada da água utilizada no resfriamento. Quanto maior a concentração de resíduos, maior a possibilidade de obstrução.
Para tentar reduzir esse impacto, o Consórcio e a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade (Setram) utilizam o Ecoboat, embarcação destinada à coleta de resíduos flutuantes. Com capacidade para recolher até uma tonelada por viagem, o barco concentra a atuação no trecho de maior movimento, entre a Praça Quinze e a estação Araribóia. Em pouco mais de um ano de funcionamento contínuo, foram retiradas 23 toneladas de lixo da superfície da Baía.
Enquanto a água que entra no sistema precisa estar livre de resíduos, outra tarefa noturna envolve justamente aquilo que os passageiros deixam dentro das embarcações. Depois do fim das viagens, os resíduos dos banheiros são retirados dos barcos e encaminhados para a rede convencional de esgoto. A operação, segundo a empresa, segue regulamentação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que acompanha a ação.
O abastecimento de combustível também exige cuidados específicos. Durante o procedimento, a embarcação é cercada por uma boia de contenção, instalada como medida preventiva para evitar que um eventual vazamento se espalhe pela água sem controle.
A concessionária afirma que, após o primeiro ano à frente da operação, uma das metas é ampliar a disponibilidade da frota, com reflexos nos intervalos entre as viagens e na pontualidade. Também estão previstas novas ferramentas de comunicação para oferecer informações atualizadas aos passageiros.
— Queremos entregar um serviço melhor para nossos clientes a cada dia — diz Fuscaldi.
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BRCOM