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novembro 1, 2026
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ONU denuncia morte de funcionário preso por rebeldes houthis do Iêmen e exige investigação

Por · novembro 1, 2026
ONU denuncia morte de funcionário preso por rebeldes houthis do Iêmen e exige investigação


Um funcionário do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos morreu em circunstâncias suspeitas sob custódia dos houthis, denunciou o chefe da agência, Volker Turk, neste sábado (31).
O iêmeni Mohammad el Shami, que trabalhava para a ONU, seguia preso arbitrariamente pelo grupo militante desde 6 de junho de 2024. Sua família foi notificada “recentemente” de sua morte, segundo o Alto Comissário Turk, mais de um mês depois do ocorrido.
As causas ou circunstâncias da morte de Mohammad el Shami não foram informadas ou esclarecidas pelos houthis, no entanto. O grupo não se manifestou até o momento.
“A família de Mohammad merece saber a verdade”, disse Volker Turk em comunicado, em que descreveu a perda do colega como “devastadora” e “de partir o coração”.
O Alto Comissário ainda exigiu que os houthis divulguem todos os registros médicos e de detenção relevantes, a preservação de todas as provas e permissão de uma investigação independente da causa da sua morte. “Deve haver responsabilização por qualquer transgressão”, enfatizou.
Turk se disse profundamente preocupado com membros da ONU ainda detidos, incluindo sete colegas de sua própria agência, além de outros trabalhadores humanitários e da sociedade civil. O chefe de direitos humanos da organização fez um apelo para a libertação imediata e incondicional destas equipes.
O primeiro-ministro do Iêmen, Shaya al-Zindani, cuja autoridade não é reconhecida pelos houthis, ondenou a morte do funcionário da ONU e disse responsabilizar os houthis, reportou a rede britânica Sky News.
De acordo com al-Zindani, mais de 70 funcionários da ONU, além de outros membros de organizações não governamentais, seguem presos pelos rebeldes.
Já o grupo militante alega que os detidos são parte de uma rede espiã que trabalha para os EUA e para Israel. Os houthis acusam organizações humanitárias de utilizarem seu trabalho como uma cortina de fumaça para atividades de espionagem, sem provas.
O que querem os houthis
O grupo armado religioso xiita que controla o norte do Iêmen — mas busca tomar totalmente o país e ser reconhecido como seu governo de fato — realiza ofensivas para ampliar seu alcance do território desde 2014, quando tomaram a capital Sanaa. Em resposta, os vizinhos sauditas lideraram uma intervenção militar na região em apoio ao governo internacionalmente reconhecido em 2015.
Desde então, o conflito dividiu a nação, mas havia arrefecido em termos de luta armada até que reaqueceu em julho,, cinco meses após o início da guerra de EUA e Israel contra o Irã, país que apoia os rebeldes houthis. Em fevereiro, os governos de Trump e Benjamin Netanyahu mataram o então líder-supremo iraniano, Ali Khamenei, em um ataque aéreo a Teerã.
Parte do chamado Eixo de resistência contra os EUA e Israel, assim como o grupo palestino Hamas e o movimento xiita libanês Hezbollah, os houthis voltaram também a atacar a Arábia Saudita por seu apoio e financiamento do atual governo iemenita, reconhecido internacionalmente.
Em setembro, os houthis haviam conquistado grandes áreas do litoral e aumentaram seu controle sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, a principal “rota alternativa” para o comércio de petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz devido à guerra entre EUA e Irã.
Já em outubro, o governo iemenita iniciou uma contraofensiva com o suporte de aviões de guerra sauditas para retomar dos houthis um território estratégico ao longo do Mar Vermelho. Enquanto isso, os rebeldes avançaram sobre a cidade de Taiz, um reduto do governo, e passaram a lançar consistentes ataques contra Riad, a capital saudita, e a infraestrutura de negócios — como aeroportos — e petrolífera do reino.

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