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Operação contra máfia dos celulares em SP: Mapa do Crime mostra onde os aparelhos são mais roubados

A Operação Frankmobile mira uma cadeia que começa no roubo de celulares nas ruas de São Paulo e termina no desmonte dos aparelhos. O Mapa do Crime, ferramenta de O GLOBO, mostra os pontos da capital paulista onde esse tipo de crime mais ocorre e como o padrão dos roubos mudou nos últimos anos. CLIQUE […]

Operação contra máfia dos celulares em SP: Mapa do Crime mostra onde os aparelhos são mais roubados


A Operação Frankmobile mira uma cadeia que começa no roubo de celulares nas ruas de São Paulo e termina no desmonte dos aparelhos. O Mapa do Crime, ferramenta de O GLOBO, mostra os pontos da capital paulista onde esse tipo de crime mais ocorre e como o padrão dos roubos mudou nos últimos anos.
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Os roubos de celular aumentaram 114% na Marginal Tietê entre 2023 e 2024. Os registros subiram de 276 para 593 casos, somando as pistas da via nos dois sentidos e as avenidas que a compõem. Os trechos com mais ocorrências incluem entradas de lojas de material de construção e de artigos esportivos, além de alças de acesso de pontes, como a da Vila Guilherme e a da Vila Maria. A Marginal Pinheiros também teve alta, de 13%, com roubos concentrados nas entradas de shoppings como o Villa-Lobos e próximos a estações de trem e metrô.
A Avenida do Estado assumiu a liderança do ranking de ruas com mais roubos de celular da cidade após dois anos de subida na lista. A via ocupava a oitava posição em 2023 e a quinta em 2024. A Avenida Paulista, que liderava o ranking havia dois anos, caiu para a décima colocação em 2025. A Estrada do M’Boi Mirim, na Zona Sul, entrou pela primeira vez entre as cinco vias com mais casos, com 201 ocorrências, favorecida pelos congestionamentos que se formam ao longo do dia.
O Mapa do Crime também aponta os endereços com maior concentração de roubos na cidade. O Terminal Rodoviário do Tietê, por onde passam 90 mil pessoas por dia, somou 48 casos no ano passado, pelo segundo ano seguido como o ponto mais visado. O Estádio do Canindé, usado para shows e eventos universitários, registrou 46 ocorrências. Já o triângulo formado pelas ruas Álvaro Anes, Cunha Gago e Edson Dias, no Baixo Pinheiros, teve 132 casos em um raio de 100 metros, o maior número da cidade.
Os grupos chamados de “quebra-vidros” concentram a atuação em horários de trânsito intenso e mudaram o padrão de horário dos roubos. Na Avenida do Estado, mais de um quinto dos casos de 2025 ocorreu entre 18h e 21h, no horário de volta para casa. Em 2023, na Paulista, o pico acontecia entre 20h e 23h, quando o fluxo de pedestres diminuía. As terças e sextas-feiras são os dias de maior concentração de ocorrências nas marginais.
Operação Frankmobile
A Operação Frankmobile cumpre 84 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária em São Paulo e Goiás nesta quinta-feira. A investigação do Ministério Público de São Paulo, que durou cerca de dois anos, identificou quatro núcleos que atuam do roubo ao desmonte dos aparelhos, com uso de cães farejadores para localizar celulares nos endereços investigados.
Segundo o Ministério Público, boa parte das empresas identificadas está sediada na capital paulista. Algumas não possuem registros formais nos órgãos responsáveis, mas apresentaram movimentação financeira considerada “incompatível” com o porte dos negócios.
O esquema, conforme os investigadores, era dividido em pelo menos quatro núcleos, que atuavam em diferentes etapas da cadeia que começava com o roubo ou furto do celular e terminava na revenda do aparelho.
O primeiro grupo era responsável por roubar os aparelhos. Entre as formas de roubo estão a quebra de vidros de carros durante congestionamentos na capital paulista, além de latrocínios e furtos em grandes eventos.
Os celulares eram então encaminhados a um segundo núcleo, responsável por desbloquear os aparelhos e, em alguns casos, acessar dados pessoais e transferir dinheiro das contas bancárias das vítimas para contas de terceiros.
O terceiro grupo atuava na revenda. De acordo com o Ministério Público, os integrantes alteravam o IMEI, número usado para identificar cada celular, e retiravam outros bloqueios técnicos. O objetivo era permitir a comercialização dos aparelhos ou o aproveitamento de seus componentes sem que eles fossem relacionados aos registros dos crimes. Segundo a investigação, sites hospedados no exterior eram usados nesse processo.
O quarto núcleo desmontava os celulares e vendia as peças separadamente. Segundo o Ministério Público, a estratégia permitia aumentar o lucro obtido com os aparelhos roubados e furtados.

Operação contra máfia dos celulares em SP: Mapa do Crime mostra onde os aparelhos são mais roubados

Autor

BRCOM