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Os ataques do PCC que mataram 59 agentes públicos e aterrorizaram São Paulo

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agosto 31, 2025
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Viaturas policiais destruídas por ataque do PCC em 2006 — Foto: Thiago Bernardes/Diário SP

Os policias da 55ª DP (Parque São Rafael), em São Paulo, viviam uma noite calma naquela sexta-feira, antevéspera do Dia das Mães, até que, por volta das 20h, criminosos chegaram em vários automóveis e abriram fogo contra a unidade, deixando a fachada cheia de buracos e com as janelas estilhaçadas. Ninguém ficou ferido, mas o atentado, ocorrido em 12 de maio de 2006, era só o início de um longo pesadelo. Nos dias seguintes, dezenas de policiais seriam assassinados em ataques ordenados pelos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em diferentes cidades do estado paulista.

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Naquele fim de semana, a facção criminosa, que na última quinta-feira foi alvo de uma megaoperação da Polícia Federal, mostrou o tamanho de sua motivação e estrutura para afrontar o estado. Bandidos mataram 54 policiais, guardas civis e bombeiros, muitos durante suas folgas. Delegacias, postos de policiamento, ônibus e bancos foram atacados. Na segunda-feira seguinte, encolhida e com medo, a maior cidade do país fechou o comércio, cancelou as aulas e voltou mais cedo do trabalho pra casa. Ao cair da noite, várias ruas tradicionalmente movimentadas estavam completamente vazias.

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Com o fim dos ataques, veio a retaliação dos agentes públicos. Centenas de civis foram mortos até o dia 19 de maio daquele ano. De acordo com um relatório publico em 2009 pelo Laboratório de Análise da Violência da UFRJ, essa matança foi resultado, em grande parte, da retaliação de policiais e grupos de extermínio contra pessoas que eles consideravam suspeitos de ligação com os ataques do PCC.

Viaturas policiais destruídas por ataque do PCC em 2006 — Foto: Thiago Bernardes/Diário SP

Aquela não era a primeira afronta da facção criminosa contra o Estado. Fundada em 1993, na Casa de Custódia de Taubaté, a organização cresceu rapidamente nas penitenciárias de São Paulo. De acordo com o livro “Irmãos: Uma história do PCC”, de Gabriel Feltran, a organização atraiu adeptos ao criar regras como a proibição do estupro nos presídios, o fim de homicídios considerados injustos e o veto ao uso de crack na cadeia. Simultaneamente a essa “paz entre ladrões”, vinha a promessa de enfrentar policiais, agentes carcerários e outros agentes públicos considerados inimigos dos presos.

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Em fevereiro de 2001, o PCC deu sua primeira grande demonstração de poder, mobilizando milhares de presos para iniciar rebeliões coordenadas em 29 unidades prisionais de São Paulo, deixando um rastro de 16 mortos. Em 2002 e em 2003, a facção realizou novos motins em presídios e também ataques com bomba contra bases da polícia e prédios de outros órgãos públicos.

Mas o pior aconteceria mesmo em maio de 2006. Naquele mês, a Secretaria de Segurança de São Paulo decidiu transferir 765 detentos ligados ao PCC para a penitenciária de segurança máxima em Presidente Venceslau, no interior do estado, Um dos presos transferidos era o criminoso Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, considerado o principal líder da facção. A secretaria explicou que havia descoberto um plano do grupo pra realizar uma série de rebeliões, e o deslocamento dos presos era uma forma de impedir isso.

Delegacia atacada pelo PCC em Francisco Morato, na Região Metropolitana de São Paulo — Foto: Carol Guedes/Diário SP
Delegacia atacada pelo PCC em Francisco Morato, na Região Metropolitana de São Paulo — Foto: Carol Guedes/Diário SP

Só que os líderes do PCC haviam deixado ordem para dar um “salve geral” e espalhar o terror no estado se eles fossem mesmo transferidos. Os ataques a agentes e unidades de segurança pública tiveram início na noite de 12 de maio de 2006 e se espalharam ao longo do fim de semana. Policiais, guardas civis e bombeiros foram atacados na rua, em seus locais de trabalho, em estabelecimentos comerciais e até em suas casas. No Dia das mães, quando as penitenciárias estavam cheias de visitas, detentos ligados ao PCC tomaram o controle de 67 unidades prisionais.

O então governador de São Paulo, Claudio Lembo (PFL), que assumira o poder depois que Geraldo Alckmin saiu do Palácio dos Bandeirantes para disputar a presidência pelo PSDB, foi muito criticado pela demora na reação aos ataques e também pela falta de transparência ao informar a população. A impressão era de que, realmente, o estado paulista estava nas mãos do crime organizado,

Segundo reportagens da época, os ataques só chegaram ao fim porque o governo levou, de avião, uma advogada ligada ao PCC para negociar pessoalmente com Marcola na penitenciária de Presidente Venceslau. Diretora da ONG Nova Ordem, que representava milhares de parentes de presos, Iracema Vasciaveo conseguiu convencer a cúpula do PCC a dar a ordem pra acabar com a violência.

Mesmo assim, até a decisão atingir todas as células da facção, os ataques continuaram na segunda-feira, quando vários ônibus foram incendiados e agências bancárias se tornaram alvo de tiros. Com medo, os paulistanos saíram mais cedo do trabalho e buscaram seus filhos nas escolas, o comércio fechou as portas e, ao cair da noite, as ruas da maior cidade do Brasil estavam vazias.

Com o tempo, os ataques contra os órgãos e agentes da segurança pública pararam, as rebeliões nos presídios foram contidas e mais de cem pessoas foram presas. Mas, nos dias seguintes, centenas de civis seriam mortos em São Paulo, muitos deles com sinais de execução. Para a população, ficou claro que aqueles crimes eram uma resposta ao PCC. De acordo com o estudo da UFRJ publicado em 2009, a onda de ataques e a retaliação deixaram 564 mortos entre os dias 12 e 21 de maio de 2006, sendo que 59 eram agentes públicos e 505 vítimas eram civis.


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