Quando ainda estava no ataque da equipe do Vasco, o atacante Rayan fez questão de ser um dos grandes provocadores da torcida do Fluminense, que trocava as “farpas” com o jogador. Não muito diferente acontecia na outra rivalidade do Rio, com Luiz Henrique, então do Botafogo, sendo até apelidado como “Caçador de Urubu” pelos gols feitos contra o Flamengo nos tempos de futebol brasileiro.
Clubismo na Copa do Mundo? Fomos checar nas ruas do Rio
Hoje, não só eles, mas muitos outros jogadores identificados com os quatro principais clubes cariocas, dividem o mesmo espaço e formam uma só equipe na seleção brasileira durante a Copa do Mundo de 2026. Enquanto atletas vivem em consonância em prol da conquista da sexta estrela do Brasil, torcedores levantam nas redes sociais questionamentos sobre apoiar (ou não) os jogadores que possuem alguma conexão com seus rivais.
Há quem trate como “inegociável” manter as tradições do clube do coração acima da seleção brasileira e não faça muitos esforços para celebrar êxitos de quem veio de fora do time pelo qual a pessoa torce. Do outro lado, existem pessoas que acreditam que Copa é sinônimo de união, e que as diferenças em rivais cessam em prol do bem maior de conquistar o mundo.
No meio do debate, O GLOBO foi para as ruas do Rio de Janeiro descobrir o que pensa o torcedor sobre o suporte aos craques de Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo.
No clima mais amistoso, alguns torcedores seguiram a linha mais “pacificadora”, em prol da união e torcida incondicional pelo Brasil. Foi o caso de Braz, que é vendedor ambulante em Copacabana e torcedor do Flamengo, e disse que vai torcer por qualquer jogador que entrar em campo, pois, segundo ele, o país já está precisando de uma nova conquista.
— Estou aqui para torcer pela seleção brasileira, independente de quem esteja lá, seja o Neymar ou qualquer outro. Torço pela nossa vitória, independentemente de quem esteja jogando em campo. Torço para podermos levar esse título mais uma vez este ano, pois estamos precisando — disse ele.
Quem seguiu a mesma linha foi o Luiz, que é vascaíno e trabalha fora do país. Para ele, o apoio nunca deve ser para um atleta em específico, mas se rendeu à possibilidade de ver Rayan, revelado pelo seu clube do coração, sendo decisivo com a camisa da amarelinha.
— Na verdade, não vou apoiar especificamente um jogador. Ou Paquetá, ou Luiz Henrique. Com o Rayan é diferente, porque ele é cria do Vasco. Mas, no geral, apoiarei o Brasil na totalidade, como seleção. Torço para o Brasil ganhar, mas, com um gol do Rayan, seria melhor ainda — brincou o torcedor.
Há também os que sequer levam as provocações para a Copa e entram nas brincadeiras dos próprios atletas, como a famosa música de Rayan e a inconfundível dança de Lucas Paquetá. É o caso de Lucas, de 19 anos, que é estudante de jornalismo e torcedor do Fluminense. O jovem defende que “clima de Copa” faz o “clubismo” ficar em segundo plano e chegou até a cantar a música do ex-atacante do Vasco.
— A gente sempre fica com um pé atrás, não é? Temos esse clubismo instaurado em nós. Mas como é clima de Copa, entendo que a maioria do povo vai esquecer isso e vai torcer pelo Brasil. Se houver um gol do Rayan, com certeza vou cantar: ‘Oi, boa noite! Será que vai ter gol do Rayan hoje?’ — falou Lucas.
Quem também se empolgou com a música foi o estudante de direito Rafael Brandão. Segundo ele, as rivalidades precisam se limitar aos campeonatos de clubes, e a Copa do Mundo deve ser um momento de união por “um só objetivo”.
— Estou 100% fechado com a seleção. Na Copa do Mundo, está todo mundo pelo Brasil. A rivalidade fica no Brasileirão, na Libertadores… Na Copa do Mundo, fica todo mundo junto pelo mesmo objetivo. Se tiver gol do Rayan, com certeza vou cantar a musiquinha. Da mesma forma que os vascaínos vão comemorar o gol do Paquetá, enfim, todo mundo vai comemorar. É Brasil — afirmou.

