Uma iniciativa eficaz e inteligente vem transformando a conservação ambiental no Brasil. O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), mecanismo que estimula produtores rurais a conservar e recuperar suas propriedades por meio de incentivo financeiro, está em curso em várias empresas, como a Philip Morris Brasil (PMB), que adotou a sustentabilidade como prioridade estratégica em seus negócios. A ação também consolida a união entre setor privado e poder público como chave para escalar soluções renováveis.
A companhia é pioneira do setor nesse modelo, inserido no programa Protetor das Águas e na Cédula de Produto Rural Verde (CPR Verde), que recompensa pequenos produtores pela proteção de nascentes e remanescentes de florestas nativas.
— Esses projetos não apenas evitam o desmatamento e conservam a biodiversidade, mas também melhoram a qualidade da água, contribuem para o sequestro de carbono e promovem um círculo virtuoso entre produção agrícola e conservação ambiental. Além dos benefícios ambientais, o PSA também gera impacto social relevante, ao fomentar a geração e diversificação de renda nas propriedades rurais — explica Clarissa Prass, vice-presidente de manufaturamento da Philip Morris na América Latina.
O projeto Protetor das Águas promove a recuperação e a preservação dos recursos hídricos para mais de 26 mil moradores das áreas urbanas e rurais da cidade de Vera Cruz (RS), na Sub-Bacia do Arroio Andréas. O foco é fornecer água de melhor qualidade em volumes mais confiáveis, mesmo em períodos de seca sazonal. É uma iniciativa promovida pela PMB em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a prefeitura municipal de Vera Cruz, a Universidade de Santa Cruz do Sul, a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), o Comitê Pardo e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater-RS).
A recuperação ocorre nas nascentes e áreas ribeirinhas, frequentemente encontradas em terras agrícolas. Ao cercarem essas áreas, protegendo-as de ameaças externas, os pequenos agricultores podem, na prática, se tornar “produtores de água”, o que lhes dá a oportunidade de obter acesso direto a água mais limpa, complementando sua renda por meio da participação no projeto.
O programa reúne, atualmente, 114 produtores rurais, que preservam 129 nascentes e 242 hectares de áreas estratégicas no município. Os impactos na comunidade são positivos. Indicadores mostram o aumento dos locais de coleta classificados como “boa” — de 52% para 90% — e a ampliação na produção de água de 48 litros/segundo para 95 litros/segundo mesmo durante o período de seca. O programa também garante isenção de até 15 metros cúbicos mensais da tarifa de consumo de água para os envolvidos. A família do produtor Laureno Loebens conheceu o projeto em 2011 e, ao longo dos anos, percebeu as mudanças promovidas na região: “Acompanhamos o melhoramento da água e a recuperação da mata presente na beira dos arroios”, conta.
A coordenadora do programa Protetor das Águas de Vera Cruz, Tanise Etges, explica que o interesse só aumenta:
— Hoje temos lista de espera para visitação e para a realização de diagnóstico das propriedades para inserção no programa — diz.
Segundo a ANA, o projeto já realizou intervenções em 847,51 hectares da região, com ações de conservação e recuperação da vegetação (278,1 hectares) e de plantio direto (569,41 hectares).
Para a Philip Morris Brasil, o PSA deixa claro que o blend de capital privado e poder público é essencial para alcançar metas sustentáveis.
— A equação é clara. O governo cria o arcabouço legal e os instrumentos financeiros, como a CPR Verde, enquanto empresas como a PMB investem, implementam e monitoram os resultados. Essa sinergia gera impacto real, conectando diversos atores em um propósito comum e consolidando soluções duradouras — declara Clarissa.
A CPR Verde é um título de crédito regulamentado e acessível a empresas interessadas em investir na restauração e conservação ambiental. Ao adotar esse instrumento, a PMB não apenas inovou no setor de tabaco, mas também valorizou a agricultura familiar como protagonista na proteção da biodiversidade.
Os próximos passos são ampliar a iniciativa para mais agricultores em Vera Cruz e continuar monitorando a biodiversidade, com foco especial em polinizadores, como as abelhas. As equipes também darão seguimento ao desenvolvimento de atividades de educação ambiental e trabalharão em um plano de manejo para erradicar espécies arbóreas invasoras, pois elas podem comprometer a infiltração de água e alterar o perfil do solo, o que, por sua vez, pode afetar o ciclo hidrológico.
Os planos de expansão também se estendem para além de Vera Cruz, até o município vizinho de Santa Cruz do Sul, aumentando o impacto positivo. Até o momento, desde 2019, o projeto otimizou 139.485 metros cúbicos de água, e a equipe espera que, nos próximos cinco anos, contribua ainda mais para o KPI hídrico da Philip Morris Internacional com pelo menos 10 milhões de metros cúbicos de água até 2030, por meio de projetos dedicados que abordem os desafios hídricos compartilhados nas bacias hidrográficas.
Sustentabilidade no centro dos negócios
A sustentabilidade deixou de ser um “extra” na PMB, passando a ser um diferencial competitivo essencial.
— Na Philip Morris, a sustentabilidade está no centro da nossa estratégia de negócio: buscamos mitigar os impactos causados pelos nossos produtos e nossas operações, construindo um mundo onde os produtos a combustão se tornem obsoletos. Essa transformação já está em curso em mais de 90 países — acrescenta Clarissa.
O objetivo é claro. Para a companhia só é possível alcançar os propósitos institucionais incorporando a sustentabilidade em todos os processos, com metas claras, indicadores de desempenho e exemplos concretos e tangíveis.
— Projetos como o PSA mostram que é possível gerar valor para o negócio e para o planeta ao mesmo tempo. Sustentabilidade não é custo: é investimento — finaliza a executiva.

