O Papa Leão XIV aterrissou nesta quinta-feira na Turquia, dando início à sua primeira viagem ao exterior desde que assumiu o comando da Igreja Católica, em maio. O pontífice, de nacionalidades norte-americana e peruana, foi recebido em Ancara, onde realizará uma série de atos oficiais antes de seguir para Istambul e, posteriormente, para o Líbano.
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A chegada ocorreu por volta das 12h30 (9h30 no horário de Brasília), na capital turca, onde Leão XIV fará um discurso dirigido a autoridades, representantes da sociedade civil e ao corpo diplomático. Em seguida, viajará à capital econômica do país.
Cerca de 80 jornalistas acompanham o Papa em sua estreia internacional, que se dá em um momento de negociações para o fim da guerra na Ucrânia e de tensão crescente no Oriente Médio. Desde sua eleição, Leão XIV tem exibido desenvoltura diante da imprensa, à qual responde semanalmente. Numa escolha incomum para pontífices, fará todos os discursos da viagem em inglês — sua língua materna.
Em sua primeira alocução, o Papa pretende centrar-se no diálogo com o islamismo, num país de 86 milhões de habitantes em que os cristãos representam apenas 0,1% da população, predominantemente muçulmana sunita. A expectativa é de que trate com cautela temas sensíveis, como o espaço ocupado por minorias religiosas, que ainda enfrentam sentimentos de exclusão na sociedade turca.
O Vaticano considera estratégico manter um canal estável com Ancara, vista como peça-chave para a estabilidade regional, apesar do avanço do nacionalismo religioso e da politização de símbolos como a Basílica de Santa Sofia, convertida novamente em mesquita em 2020. Leão XIV também deve fazer referências às crises que atingem o Oriente Médio. Em outubro, o pontífice pediu “uma paz justa e duradoura” para a Faixa de Gaza, devastada pela guerra entre Israel e o Hamas.
A Santa Sé reconhece ainda o esforço da Turquia na recepção de mais de 2,5 milhões de refugiados, em sua maioria sírios. Em temas migratórios, Leão XIV tem seguido a linha crítica de seu predecessor, Francisco, ao condenar recentemente o tratamento “extremamente desrespeitoso” dado pela administração de Donald Trump a imigrantes.
Em Ancara, o Papa visitará nesta tarde o mausoléu de Mustafa Kemal Atatürk, fundador da Turquia moderna, erguido na colina de Anittepe — local emblemático da República laica.
Após um primeiro dia marcado pelo simbolismo político, a agenda assume tom religioso na sexta-feira. Em Iznik, antiga Niceia, Leão XIV celebrará os 1.700 anos do primeiro concílio ecumênico, realizado em 325, considerado um marco fundamental para o cristianismo. O pontífice também participará de uma oração ecumênica às margens do lago Iznik ao lado de Bartolomeu I, patriarca de Constantinopla e principal interlocutor do Vaticano no diálogo com os ortodoxos.
— Bartolomeu e eu já nos encontramos várias vezes; será uma oportunidade excepcional de promover a unidade entre todos os cristãos — afirmou o Papa, na terça-feira.
Católicos e ortodoxos estão separados desde o cisma de 1054: os primeiros reconhecem a autoridade universal do Papa, enquanto os segundos se organizam em Igrejas autocéfalas. Atualmente, o mundo ortodoxo vive fragmentação agravada pela guerra na Ucrânia, que acentuou a ruptura entre os patriarcados de Moscou e Constantinopla.
Leão XIV é o quinto Papa a visitar a Turquia, após Paulo VI (1967), João Paulo II (1979), Bento XVI (2006) e Francisco (2014).
De domingo a terça-feira, o pontífice seguirá viagem ao Líbano, país que enfrenta uma severa crise política e econômica desde 2019 e que, nos últimos dias, voltou a sofrer bombardeios de Israel, apesar de um cessar-fogo em vigor.

