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— Acredito sinceramente que é melhor buscar maneiras de diálogo, talvez pressão, incluindo pressão econômica, mas buscando outra maneira de mudar, se é isso que eles querem fazer nos Estados Unidos — ponderou Leão a jornalistas, a bordo do avião papal em um voo de volta de Beirute para Roma.
O tom pacifista do Papa já havia marcado o dia horas antes, quando ele celebrou uma missa em francês diante de 150 mil fiéis reunidos perto do porto da capita libanesa. Na homilia, pediu “novas abordagens no Oriente Médio”, devastado por conflitos, para que a paz finalmente prevaleça.
Ele encerrou sua visita de três dias ao Líbano com uma oração silenciosa no local da explosão no porto de Beirute, onde exigiu justiça para as vítimas e se reuniu com parentes das 218 pessoas mortas em 4 de agosto de 2020. Muito comovido, garantiu compartilhar “a sede de verdade e justiça de tantas famílias, de um país inteiro”. Até hoje, ninguém foi responsabilizado pelo desastre, provocado pela detonação de 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas de forma insegura havia quase seis anos em um galpão portuário.
Após concluir sua viagem de estreia no cenário internacional como Papa, Leão XIV declarou que planeja uma possível ida à África no próximo ano e que está refletindo sobre uma visita à América Latina mais adiante.
— Espero poder viajar para a África, que pode ser meu próximo destino — declarou o líder da Santa Sé durante a coletiva de imprensa. — Pessoalmente, espero poder ir à Argélia visitar os locais relacionados à vida de Santo Agostinho — afirmou, em referência ao santo do século V originário deste país do norte do continente africano.
Leão também reiterou que gostaria “muito de visitar a América Latina: Argentina, Uruguai, que aguardam a visita do Papa”. Quando questionado sobre a data dessa viagem, ele respondeu que o projeto ainda estava em estudo, mencionando apenas “2026 ou 2027”.
— Acho que o Peru também me receberia com prazer — brincou ao se referir ao país onde passou mais de 20 anos como missionário e do qual também tem a nacionalidade.
Eleito em maio, ele pertence à ordem agostiniana, fundada no século XIII e que conta com quase 3 mil membros em cerca de 50 países. Uma viagem à África permitiria ao Sumo Sacerdote “dar continuidade ao discurso do diálogo e construir pontes entre o mundo cristão e o muçulmano”, afirmou.
— A figura de Santo Agostinho desempenha um papel importante como ponte, pois na Argélia ele é muito respeitado como filho da nação — disse o Pontífice de 70 anos.
A viagem à África também poderia incluir visitas aos Camarões e à Guiné Equatorial, informou uma fonte do Vaticano à AFP.

