O Papa Leão XIV recebeu integrantes da Ferrari em Castel Gandolfo, residência de verão dos papas nos arredores de Roma, para conhecer o Luce, novo modelo elétrico da fabricante italiana.
O encontro reuniu o presidente da Ferrari, John Elkann, e altos executivos da empresa antes da apresentação oficial do veículo. O carro foi exibido inicialmente coberto por um pano vermelho. Após a revelação, o Pontífice observou o modelo por fora e, em seguida, sentou-se ao volante.
Durante a experiência, Leão XIV ouviu explicações sobre o funcionamento do automóvel dadas por Raffaele De Simone, piloto de testes da Ferrari. As orientações abordaram os controles e os modos de condução do novo modelo.
O Papa também recebeu de presente um volante do carro, avaliado em 640 mil dólares, cerca de R$ 3,2 milhões.
O Luce, novo carro elétrico da Ferrari, apresenta características diferentes dos modelos tradicionais da marca italiana.
O veículo possui quatro portas e capacidade para cinco ocupantes. O modelo tem dimensões maiores e design considerado menos esportivo em comparação com outros carros da fabricante.
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No desempenho, o Luce oferece mais de 1.000 cavalos de potência e acelera de 0 a 100 quilômetros por hora em 2,5 segundos.
Reação negativa de fãs, analistas e críticos do setor
Luca Cordero di Montezemolo, presidente da Ferrari entre 1991 e 2014, criticou duramente o carro. O modelo de quatro portas e cinco lugares marca uma nova etapa da fabricante italiana, mas provocou reação negativa entre fãs, analistas e críticos do setor automotivo.
— Se dissesse o que penso, prejudicaria a Ferrari. Há o risco de destruir um mito, e lamento profundamente. Espero que pelo menos retirem o “Cavallino Rampante” deste carro — afirmou Montezemolo a jornalistas, ao chegar a um evento em Roma.
Questionado sobre a crescente concorrência da indústria automotiva chinesa, o ex-presidente da montadora respondeu com ironia:
— Este é certamente um automóvel que pelo menos os chineses não conseguirão copiar.
Nas redes sociais, a reação ao design foi intensa. Usuários compararam o Luce a aspiradores de pó, carros amassados e até a um veículo mal desenhado por Homer Simpson. “A Ferrari acabou de matar sua marca, assim como a Jaguar fez. Isto vai direto para o lixo do ferro-velho”, dizia um comentário.
O modelo também recebeu críticas de especialistas. Para Matt Prior, editor do site britânico Autocar, o interior é bem executado, mas o veículo não “grita Ferrari”.
— A grande questão aqui é que não há um lugar óbvio onde o motor fica, porque não há motor; a bateria vai sob o assoalho, o que naturalmente torna o carro mais alto, e muitos fabricantes precisam lidar com como fazem isso — afirmou Prior.
— Isso faz com que pareçam mais altos. Isso torna o visual menos elegante — acrescentou. — Para uma empresa cuja história inteira é baseada em fazer carros dinâmicos e elegantes, talvez seja mais difícil para a Ferrari contornar isso do que para outros fabricantes.
Pierre-Olivier Essig, chefe de pesquisa da AIR Capital, escreveu em nota a clientes que o Luce parece uma “mistura entre um Honda Accord EV e um Tesla 3”. “Estamos perdidos na tradução com a nova estratégia da Ferrari”, afirmou.

