Presidente do Vasco, Pedrinho comemorou a venda da SAF para Marcos Lamacchia e classificou esta sexta-feira como um “dia histórico” para o clube. Em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), os sócios cruz-maltino aprovaram a venda de 90% das ações da SAF para a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa controlada por Lamacchia. Foram 4.675 votos a favor e 437 contra, além de 48 abstenções.
— É um dia histórico pelo tipo de investidor que está entrando na instituição. É uma correção do problema, com um investidor que sabemos do potencial financeiro que tem. O mais importante é a segurança institucional com todas as garantias e o desejo do investidor de estar no Vasco. Isso foi importante para todos nós. Hoje é uma virada de página — declarou Pedrinho.
Pedrinho comemora venda da SAF do Vasco para Marcos Lamacchia
Arthur Falcão
A votação ocorreu em duas partes. Na primeira, foi avaliada a mudança de estatuto para a diminuição de 20% para 10% da manutenção das ações do clube associativo na SAF. Na segunda, foi a votação pela proposta do grupo de Lamacchia.
Próximos passos para a conclusão da venda da SAF
A Assembleia é o último dos ritos internos do clube para o repasse do futebol para a empresa. No dia 6 de outubro, o Conselho Deliberativo do Vasco já havia aprovado a mudança estatutária e venda à Almirante, decisões corroboradas pelos sócios.
Agora, clube e empresa entram em compasso de espera pelas análises dos órgãos responsáveis. A Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol) avalia mudanças societárias nas SAFs do Brasil e, no caso do Vasco, ainda investiga um possível conflito de interesses na negociação, uma vez que Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
Sócios do Vasco votam em Assembleia Geral na Sede Náutica
Domingos Peixoto
Apesar de Marcos Lamacchia ser o principal investidor e responsável financeiro pelo projeto, a Almirante tem como presidente Mário Junqueira Franco Junior, sócio da empresa ao lado de Lamacchia.
Além disso, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) instaurou um procedimento administrativo, que tramita em sigilo, para apurar a negociação. A autarquia investiga uma possível alteração de controle sem análise prévia, além de indícios de que o grupo do empresário já teria interferido na SAF antes da autorização, em razão dos empréstimos efetuados ao clube.
Em caso de sinal verde dos órgãos, restarão apenas os ritos processuais e burocráticos relacionados à arrematação e aos ativos a serem transferidos da antiga para a nova SAF.
— Ainda temos processos com órgãos fiscalizadores, mas a gente está prestando todas as informações. Não é um processo de vedação, é um processo de transparência, esclarecimento, dúvidas, informações, contratos. E tudo o que está sendo solicitado, a gente está apresentando. A gente tem certeza que vai passar, todo mundo está entendendo. Eu vejo um espírito colaborativo mesmo dos órgãos fiscalizadores — disse o presidente da Assembleia Geral, Alan Belaciano.
Como ocorreu votação
A sexta-feira chuvosa no Rio contribuiu para uma votação em massa pelo meio digital. Poucas pessoas compareceram à Sede Náutica — que chegou a ficar alguns minutos sem luz —, deixando o início do dia um tanto monótono no local. Até as 15h, somente 106 sócios haviam comparecido para votar. Ainda assim, quem foi à sede fez questão de comemorar os votos favoráveis à venda da SAF.
— Momento histórico. Tem que comemorar — disse Fabio Espíndola, médico de 51 anos, que votou acompanhado dos filhos Beatriz Lopes, de 15, e Pedro Espíndola, de 11, ambos estudantes.
Fabio Espíndola, médico de 51 anos, acompanhado dos filhos Beatriz Lopes, 15, e Pedro Espíndola, 11
Arthur Falcão
Já na votação online, mais de 2,5 mil sócios haviam participado nas duas primeiras horas de Assembleia. Ao todo, 7.195 estão aptos a votar.
Tanto entre os que foram à Sede Náutica quanto entre os que participaram de casa, chamou a atenção o fato de os sócios não terem recebido o contrato da negociação entre a Almirante e o Vasco. A votação ocorreu, portanto, com base nas informações sobre o negócio que haviam sido divulgadas publicamente.
— A gente não tem como abrir o contrato para os sócios, porque o contrato tem muitas cláusulas de confidencialidade, tem muitos pontos comerciais estratégicos, números do Vasco que são muito importantes estrategicamente. Isso, indo para fora, pode prejudicar o Vasco em futuras negociações, no mercado em geral. Então, obviamente, a gente manteve resguardado — disse o presidente da Assembleia Geral, Alan Belaciano.
O dirigente, no entanto, ressaltou que considera que os sócios têm informações suficientes para tomar a decisão:
— O sócio está bem instruído com isso (negociação) e hoje vai exercer o poder mais forte que ele tem, que é a sua palavra. A palavra do sócio é a palavra que manda — completou.
Presidente da Assembleia Geral, Alan Belaciano
Divulgação
A operação da venda da SAF
A operação foi estruturada por meio da alienação judicial da chamada UPI Equity, mecanismo previsto no plano de recuperação judicial apresentado pelo Vasco à Justiça para viabilizar a transferência do controle acionário da Nova SAF. A Almirante venceu o processo competitivo em setembro, após apresentar uma proposta vinculante de aquisição.
O negócio gira em torno de R$ 4 bilhões, considerando os valores a serem pagos pela aquisição e os aportes financeiros previstos para a SAF, além de outras obrigações assumidas pela compradora, conforme as condições estabelecidas no processo judicial. Com a aprovação dos sócios, a negociação avança para as etapas finais de formalização e implementação, observados os procedimentos jurídicos aplicáveis.
O acordo prevê aporte mínimo de R$ 500 milhões para o futebol em cinco anos, além de R$ 120 milhões para o centro de treinamento profissional e R$ 30 milhões para a infraestrutura das categorias de base. A compradora também assume compromissos relacionados ao pagamento das dívidas e ao equilíbrio do caixa da nova SAF nos primeiros cinco anos. Entre as garantias previstas está uma fiança bancária ou seguro-garantia de R$ 324 milhões, além da garantia pessoal de Marcos Lamacchia e de uma conta-reserva para determinadas obrigações.
Principais pontos da proposta da Almirante Participações
R$ 500 milhões especificamente para o futebol
R$ 120 milhões para centros de treinamento, com prazo máximo de dez anos para conclusão
R$ 30 milhões para as categorias de base, ao longo de dois anos
Compromisso com o pagamento das dívidas já acordadas e outras obtidas durante acordo
Manter caixa equilibrado por cinco anos
Garantias financeiras de R$ 324 milhões
Pedrinho classifica venda da SAF do Vasco para Lamacchia como 'dia histórico': 'Correção do problema'
