Nesta sexta-feira (25), celebra-se o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma data que representa resistência, história e a reafirmação da importância das mulheres pretas em diversas esferas sociais. Para marcar a ocasião, conversamos com personalidades que refletem essa luta cotidiana, trazendo perspectivas sobre desigualdade, autoestima, representatividade e resistência.
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Para Rita Batista, a data é fundamental para resgatar o protagonismo feminino negro, muitas vezes apagado da história oficial. A apresentadora destaca que “o 25 de julho vem justamente para marcar a luta de Tereza de Benguela contra a escravidão”, ressaltando que, embora figuras masculinas como Zumbi dos Palmares sejam amplamente lembradas, é crucial dar visibilidade à história das mulheres.
— A mulher negra latino-americana e caribenha enfrenta além do machismo, o racismo, que são duas mazelas da nossa sociedade que causam verdadeiramente situações e feridas abertas ainda — afirma Rita, que reforça a urgência de “uma sociedade mais igualitária, para que todas as mulheres sejam respeitadas, mas principalmente as que estão na base da pirâmide”. A escritora lembra que dados do IBGE mostram que são essas mulheres que sustentam famílias e enfrentam diariamente a pobreza e a exclusão.
Sobre o autocuidado, Rita compartilha uma visão profunda: — Cuidar de mim é ter certeza sobre mim, cada vez mais, e achar cada vez menos sobre os outros e outras. É saber que a partir de mim, se eu estiver com a minha mente equilibrada, com o meu corpo saudável e com o meu espiritual também em dia, eu consigo ajudar outras pessoas e me emanar de uma maneira cada vez mais profícua com tantas outras mulheres e mulheres iguais a mim.
Aline Patriarca relembra os desafios do racismo estrutural que enfrentou em sua trajetória. — Ser mulher, preta, de origem periférica me fez ser estigmatizada em diversas situações, nas quais pessoas preconceituosas denunciavam a sua percepção com comportamentos e falas ofensivas — relata.
A influenciadora explica que a forma como é julgada difere da experiência de pessoas brancas ou homens em situações semelhantes. Sobre o processo de aceitação pessoal, Aline conta que “quando eu me permiti trançar os cabelos pela primeira vez com 26 anos me senti tão acolhida, foi como se eu voltasse no tempo e resgatasse a menina incompreendida que habitava em mim.”
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Para Ana Paula Xongani, o mercado cultural tem se mostrado mais receptivo à presença de mulheres negras, mas ressalta que ainda há desafios.
— Estamos em um processo evolutivo, então acredito e vejo isso! — declara. A apresentadora pondera, porém, que “ainda há resistência quando falamos de proporcionalidade” e da necessidade de que mulheres negras sejam protagonistas em diferentes assuntos, além de suas especificidades.
— Essa mulher é uma representante do todo, uma representante da maioria — pontua a criadora de conteúdo digital, que enfatiza a importância de expandir a presença negra em diferentes espaços midiáticos e artísticos, combatendo “imaginários limitantes”e construindo novos paradigmas.
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Giovanna Pitel destaca o impacto das referências negras na mídia e no cotidiano. — Na TV, temos Angela Davis, Taís Araujo, Agabes da nova geração. Na música, Iza e Ludmilla. Ludmilla, para mim, é uma grande referência do que é acessar um novo espaço que antes não era nosso — reflete a apresentadora.
Giovanna reforça a importância de celebrar conquistas e histórias que não se resumem ao sofrimento: — É bonito ver gente conquistando espaço com leveza, sem tanta luta, sem que tudo seja dor. Que seja uma caminhada feliz.
Quanto à identidade e estética, Pitel destaca que valorizar a autenticidade é fundamental: — A gente gosta de identidade e autenticidade. Cada uma com sua cor, com o que veste, com joias ou sem, mas com identidade.
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A influenciadora complementa: — Quanto mais a gente entende a nossa identidade, mais nos aproximamos da aceitação e da individualidade. Falando de resistência, Giovanna é enfática: — Você resiste só por existir.