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Pesquisa O GLOBO/Ipec-Ipsos mostra quantos brasileiros torcem por dois times e qual tem a torcida mais fiel

BRCOM by BRCOM
agosto 1, 2025
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Arthur divide a paixão com as filhas Alice (ABC) e Laura (Palmeiras) — Foto: Acervo pessoal

Você consegue imaginar alguém que se diga torcedor do Flamengo e, ao mesmo tempo, do Botafogo? Que jure que parte do coração é do Grêmio, mas que a outra metade bata… pelo Internacional? Pois saiba: eles existem — e a Pesquisa O GLOBO/Ipec-Ipsos de Torcidas comprovou isso. São casos raríssimos, quase invisíveis na estatística (dois exemplos na rivalidade carioca, um na gaúcha, entre dois mil entrevistados), mas se somam a um dado curioso: quase 12% dos que são simpáticos a algum clube dizem que o coração é grande o bastante para abrigar mais de um escudo.

  • Entenda: Pesquisa O GLOBO/Ipsos-Ipec: Por região, clubes do Nordeste têm as torcidas mais fanáticas e engajadas
  • Leia mais: Pesquisa O GLOBO/Ipsos-Ipec: Mais de 30% dizem não ter time; entre as mulheres percentual ultrapassa 42%

Os torcedores de dois times representam 7,8% do total de entrevistados — bem abaixo dos torcedores exclusivos (58,6%) e daqueles que não torcem por clube algum (32,1%). Essa capacidade de amar em dobro é mais comum entre homens (9,5%), pessoas de 45 a 59 anos (9,6%), quem ganha até um salário mínimo (10,4%) e entre pretos e pardos (10%). Mas é no Nordeste onde o coração parece mais espaçoso: 14,3% da população declaram ter dupla paixão. Entre os que têm time, um em cada cinco abraça dois.

O bancário Arthur Henrique, de Natal, é um desses torcedores. Divide seu apoio entre ABC e Palmeiras. O alvinegro potiguar foi paixão natural, de estádio e infância; o amor pelo alviverde paulista nasceu do incentivo do irmão, em partidas acompanhadas pelo rádio e programas esportivos.

— Durante muito tempo, não havia diferença — relata ele: — De uns anos para cá, o fato de ter conseguido experiências em jogos do Palmeiras e à má fase do ABC (na Série C) tornaram o clube mais importante para mim hoje. Me sinto parte da torcida, diferente de antes.

Arthur divide a paixão com as filhas Alice (ABC) e Laura (Palmeiras) — Foto: Acervo pessoal

Os encontros entre ABC e Palmeiras são raros: apenas sete vezes em partidas oficiais. A última foi pela Série B de 2013, com vitória potiguar por 3 a 2. Arthur estava no Frasqueirão, em Natal, naquela tarde de outubro.

— Digo sem medo que, se houvesse outro jogo importante entre os dois, iria torcer pelo ABC. Pelo tamanho e pela relevância da partida para o clube. E também para mostrar a representatividade dos clubes nordestinos no cenário nacional — diz.

Na pesquisa, o Palmeiras foi justamente o time mais citado como segunda equipe, ainda que por um número pequeno (1% do total). Mas foram torcedores como Arthur que ajudaram o clube a subir do 4º lugar para o pódio do ranking geral: é o terceiro. Considerando apenas a primeira escolha dos dois mil entrevistados, o São Paulo (5,8%) aparece à frente do Palmeiras (5,6%). Ao somar as duas escolhas, o Palmeiras ultrapassa o rival por um décimo: 6,5% a 6,4%. Nos dois cenários, há empate técnico pela margem de erro.

No top 10 nacional, essa foi a única mudança significativa provocada pelos “segundos times”. O Fluminense subiu do 14º para o 13º lugar, enquanto o Sport caiu do 13º para o 16º. Em Recife, esse fenômeno costuma causar polêmica. Torcedores criticam quem combina o clube local com um gigante do Sudeste. Dois estados acima no mapa, Arthur já sentiu essa cobrança:

Arthur Henrique ostenta paixão por Palmeiras e ABC — Foto: Acervo pessoal
Arthur Henrique ostenta paixão por Palmeiras e ABC — Foto: Acervo pessoal

— A torcida realmente tenta acabar com os “mistos”, querendo valorizar a cultura nordestina. Já fui zoado sim, principalmente no início. Eu entendo esse posicionamento de incentivar os clubes do Nordeste, porém, depois que a gente amadurece, acaba não ligando para essas zoações. Encara na esportiva e segue o jogo. Afinal, a vida é só uma, cada um segue o posicionamento que acha interessante, e é livre pra torcer por qualquer clube. Não pude negar meu amor pelo Palmeiras e vou seguir assim, apoiando os dois — garante.

Lembranças: Arthur Henrique em um jogo do Palmeiras com a esposa (Ingrid), e em uma partida do ABC junto de amigos — Foto: Acervo pessoal
Lembranças: Arthur Henrique em um jogo do Palmeiras com a esposa (Ingrid), e em uma partida do ABC junto de amigos — Foto: Acervo pessoal

Entre as cinco maiores torcidas do país, Palmeiras e São Paulo concentram os maiores índices de “mistos”. O Vasco tem alta exclusividade, mas ninguém é mais fiel que a torcida do Corinthians. Os rubro-negros chegam perto (85,4%), mas os corintianos alcançaram 85,7% de exclusividade.

Curiosamente, duas das combinações mais citadas na pesquisa envolvem justamente a equipe paulista: torcedores que se dividem entre Corinthians e Sport ou Corinthians e Flamengo.

— São parâmetros diferentes, formações históricas dos clubes diferentes, relevância no cenário nacional também pode ser distinta: isso tudo impacta na questão da bifiliação — destaca Irlan Simões, jornalista do Grupo Globo e pesquisador da Uerj.

— Assim como é uma questão geracional. Ao meu ver, a bifiliação era muito mais comum em gerações passadas. O Campeonato Brasileiro era muito mais restrito, tinha uma diferença muito grande entre o futebol de cada estado, porque as principais competições eram os Estaduais. Você falava de Rio e São Paulo como um universo quase “Europa” para o futebol do resto do país, em termos comparativos com hoje — prossegue Simões. — E claro, sempre vinculado também ao poder midiático dos clubes do Rio de Janeiro e São Paulo. Praticamente, você não tem mineiros e gaúchos, que são clubes tão vencedores quanto os clubes cariocas e paulistas.

No fim, o coração do brasileiro mostra que arquibancada também pode ter camarote duplo. Para a imensa maioria, amor de torcedor é monogâmico. Mas, para alguns poucos, cabe repetir aquele verso antigo: “se o coração é grande, por que não amar em dobro?”.

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