Integrantes do PT esperam que um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) ocorra ainda nesta semana para definir o palanque do petista em Minas Gerais. A indefinição da chapa no segundo maior colégio eleitoral do país é apontada como principal desafio da pré-campanha de Lula.
Nas palavras de um dirigente da cúpula do PT é preciso “agilizar” esse processo, diante da proximidade das convenções estaduais e da importância do estado —historicamente, o candidato à Presidência que ganha em Minas Gerais acaba sendo eleito nacionalmente.
Segundo uma pessoa que acompanha as conversas, Patrus foi procurado nos últimos dias por integrantes do partido, como o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e a presidente do diretório petista em Minas, Leninha, para discutir a possibilidade de ele ser o candidato ao Palácio da Liberdade. Ficou acertado que deverá ocorrer uma conversa entre o deputado e o próprio Lula nos próximos dias. A expectativa entre petistas é que ela possa ocorrer até esta sexta-feira.
Patrus foi prefeito de Belo Horizonte na década de 1990 e ministro do Desenvolvimento Social nos primeiros mandatos de Lula, sendo apontado como um dos responsáveis pela implementação do programa Bolsa Família, vitrine das gestões petistas. Também foi ministro no governo Dilma Rousseff.
O parlamentar, de 74 anos, buscava a reeleição na Câmara, mas viu seu nome ser apontado como uma opção para encabeçar a chapa de Lula no estado. A opção número um de Lula era o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB). Após meses de conversas, o senador indicou que deixará a vida pública no fim deste ano, quando acaba o seu mandato.
Diante da recusa de Pacheco, integrantes do partido buscaram outros nomes em partidos aliados, a exemplo do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que é pré-candidato ao governo, e do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar e que recentemente se filiou ao PSB. Não houve avanços concretos nas conversas.
No fim de junho, numa reunião com integrantes do PT mineiro no Palácio da Alvorada, Lula deu aval para que o partido tivesse uma candidatura própria no estado. O nome favorito era o da ex-prefeita de Contagem Marília Campos, mas ela recusou a ofensiva e criticou publicamente a estratégia do PT. Ela não quis abrir mão de sua pré-candidatura ao Senado.
A avaliação de petistas de Minas Gerais é que Patrus é um nome que pode se tornar competitivo na disputa e que, diferentemente de Marília, não conseguirá dizer não ao presidente. Patrus é quadro histórico da sigla.
Em 2022, teve 87.893 votos no estado, reelegendo-se deputado federal. Integrantes do PT dizem ter em mãos um levantamento que mostra que o parlamentar tem bom recall entre o eleitorado e atinge patamar semelhante ao que Marília Campos tinha registrado em outras pesquisas.

