A Petrobras consolidou em 2024 sua posição de vanguarda na agenda de descarbonização global, mantendo uma redução de 40% nas emissões absolutas operacionais de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 2015. O desempenho, superior ao compromisso público de 30% até 2030, foi detalhado no mais recente “Caderno de Mudança do Clima”, que apresenta um panorama completo das ações da empresa voltadas à sustentabilidade e à transição energética justa.
As emissões absolutas da companhia em 2024 totalizaram 47 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, mantendo-se estáveis em relação aos anos anteriores – 46 milhões em 2023 e 48 milhões em 2022. A companhia reafirma a ambição de sustentar essa redução de 40% até o fim da década, superando com folga sua meta oficial e demonstrando uma postura proativa diante dos desafios climáticos globais.
O documento anual, que detalha a pegada de carbono da Petrobras durante processos de exploração, produção e comercialização de combustíveis, também destaca iniciativas para o desenvolvimento de fontes de energia mais verdes. A pegada de carbono da empresa representa aproximadamente 3% das emissões totais brasileiras, considerando as emissões diretas e indiretas, incluindo aquelas provenientes da geração de energia adquirida para consumo da empresa.
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Redução das emissões de metano
Um dos marcos mais significativos de 2024 foi o desempenho inédito da Petrobras na redução das emissões de metano, gás com elevado potencial de aquecimento global. A intensidade de metano nas operações de exploração e produção de petróleo e gás natural (também conhecidas como upstream) atingiu o menor valor histórico da empresa, de 0,20 toneladas por mil toneladas de hidrocarbonetos produzidos, representando uma redução de 70% em comparação com 2015 e uma melhoria de 0,02 em relação a 2023.
O sucesso na redução das emissões de metano é atribuído ao avanço no uso de tecnologias como o CCUS (Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono) e a ações de eficiência operacional. A diminuição da queima de gás em flares – as chamas visíveis nas torres das plataformas de petróleo – foi um dos principais fatores que contribuíram para esse resultado, refletindo investimentos diretos em eficiência operacional.
Em 2024, a Petrobras alcançou um volume recorde na reinjeção de CO₂ em reservatórios do pré-sal através do processo CCUS, totalizando 14,2 milhões de toneladas. Esse volume representa mais de 25% de toda a capacidade mundial registrada dessa prática, consolidando a empresa como referência global no setor e demonstrando sua capacidade de implementar soluções tecnológicas avançadas em escala industrial.
A empresa também se destaca pela baixa intensidade de carbono em suas operações, especialmente nos campos do pré-sal. Enquanto a média mundial é de 17 kg de CO₂ para produzir um barril de petróleo, a Petrobras opera com uma média de 15 kg, chegando a apenas 10 kg por barril nos campos do pré-sal, que são considerados os menos intensivos em carbono do planeta.
Segundo Viviana Coelho, gerente executiva de Mudança Climática e Descarbonização da Petrobras, os novos projetos incorporam tecnologias que reduzem sistematicamente as emissões de GEE. “A cada geração de projetos feitos, a gente tem sido capaz de incorporar mais tecnologia. A última geração de projetos agora tem 20% menos emissões que uma geração de cinco anos atrás”, diz Viviana.
Investimentos em iniciativas de baixo carbono
O compromisso financeiro da Petrobras com a transição energética foi reforçado em 2024 com investimentos de aproximadamente US$ 600 milhões em iniciativas de baixo carbono. Esse montante, equivalente a cerca de R$ 3,42 bilhões, representa um investimento substancial na diversificação da matriz energética e no desenvolvimento de tecnologias mais limpas.
Para o quinquênio 2025-2029, o Plano de Negócios da empresa prevê um investimento ainda mais robusto. Serão investidos US$ 16,3 bilhões em projetos de transição energética, valor que representa um aumento de 42% em relação ao plano anterior. Esses mais de R$ 90 bilhões serão destinados a energias de baixo carbono, descarbonização das operações, pesquisa, desenvolvimento e inovação.
O Fundo de Descarbonização da Petrobras, com aporte de US$ 1,3 bilhão para ser utilizado em cinco anos, está financiando 34 projetos que juntos devem mitigar 1,5 milhão de toneladas de CO₂ por ano. A iniciativa tem um foco especial nos projetos com menor retorno financeiro imediato, mas com impacto climático relevante, consumindo atualmente US$ 430 milhões e demonstrando o compromisso da empresa com soluções ambientalmente necessárias.
A diversificação da matriz energética constitui parte central da estratégia da Petrobras, que investe em biocombustíveis como etanol, biodiesel, biometano e SAF (combustível sustentável para aviação), além de energia solar e eólica. Esses investimentos buscam aproveitar o potencial renovável do Brasil e atender às demandas futuras por energia limpa, posicionando a empresa como protagonista na transição energética nacional.
A Petrobras reconhece que, apesar da demanda crescente por energia devido ao crescimento demográfico e urbanização, a transição energética deve ser justa, equilibrada e alinhada às necessidades sociais. A empresa busca garantir energia segura, acessível e sustentável para a população, conciliando a produção de óleo e gás com a diversificação em negócios de baixo carbono.
Com base nos dados apresentados no Caderno de Mudança do Clima 2025, a Petrobras reforça sua posição como uma das companhias mais avançadas na agenda de descarbonização entre as grandes produtoras de óleo e gás mundiais. A liderança da Petrobras na transição energética justa segue seu posicionamento por meio da inovação, investimento e diálogo transparente.