Os preços do petróleo subiram depois que a Ucrânia colocou em dúvida um “cessar-fogo energético” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Simultaneamente, no Oriente Médio, a Arábia Saudita sofreu os ataques mais letais desde o início do conflito com o Irã.
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O tipo Brent, referência internacional, passou dos US$ 106 o barril, uma alta de 2%,— após oscilar no início do pregão — depois que o presidente Volodymyr Zelenskyy afirmou que os ataques contra a Rússia continuariam, visto que Moscou persistia em atingir infraestruturas energéticas na Ucrânia.
Trump havia anunciado um cessar-fogo energético há apenas um mês, mas a medida nunca se concretizou. O tipo Texas (WTI), referência nos Estados Unidos estava cotado a US$ 93,61 o barril, alta de 1,92%.
— Não se trata de um cessar-fogo que esperaríamos que se mantivesse, nem sequer de algo que esteja efetivamente em vigor — afirmou Amrita Sen, fundadora e diretora de inteligência de mercado da consultoria Energy Aspects, em entrevista à Bloomberg Television.
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Enquanto isso, as tensões continuavam a se intensificar no Oriente Médio. A Arábia Saudita informou que enfrentava novos ataques de drones e mísseis de cruzeiro nesta segunda-feira, elevando as ameaças à segurança do reino após os ataques mortais do fim de semana ao aeroporto de Riad.
Houve também uma escalada nos ataques a petroleiros no estratégico Estreito de Ormuz, justamente em um momento em que o volume de petróleo saindo do Golfo Pérsico está aumentando.
— Desde meados de setembro, as exportações pelo Estreito de Ormuz e pelo Golfo Pérsico ficaram próximas dos níveis normais, dando a impressão de que a situação começava a voltar a algum tipo de normalidade — afirmou Bjarne Schieldrop, principal analista de commodities do SEB AB.
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A esperança de que esse cenário pudesse se manter foi “destruída na semana passada e neste fim de semana”, acrescentou.
Os preços globais de referência do petróleo permanecem mais de 70% acima dos níveis registrados no início do ano, à medida que a guerra com o Irã se prolonga.
Os ataques contra a Arábia Saudita ocorreram apenas uma semana depois de forças lideradas pelos sauditas no Iêmen iniciarem uma campanha para retomar áreas controladas pelos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã.
Desde então, o ministro de Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, tem buscado demonstrar resiliência, afirmando que o reino continua comprometido em garantir a segurança energética e planeja até mesmo expandir a capacidade de seus oleodutos.
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Embora os embarques de petróleo através do Estreito de Ormuz tenham se aproximado recentemente dos níveis anteriores à guerra, um volume muito menor de derivados de petróleo tem passado pela via marítima. A restrição da oferta — especialmente de diesel — provocou uma disparada dos preços em todo o mundo.
Na Rússia, meses de ataques ucranianos repetidos contra refinarias agravaram a escassez global de combustíveis. Na sexta-feira, Trump afirmou que trabalharia com o presidente Vladimir Putin para liberar diesel russo nos mercados internacionais. A iniciativa recebeu críticas de parlamentares dos dois partidos nos Estados Unidos e foi condenada por Zelenskyy, que afirmou que a medida daria à Rússia mais recursos para continuar a guerra.
Após o anúncio de Trump, o Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma autorização excepcional para a comercialização de combustíveis russos que haviam sido previamente sancionados. Moscou afirmou que enviará 500 mil toneladas aos mercados estrangeiros — uma quantidade muito inferior ao volume que o país costumava exportar.
— Os volumes que o presidente Trump anunciou que a Rússia colocará no mercado não fazem diferença — afirmou Sen, da Energy Aspects. —São medidas extremamente desesperadas para tentar baixar o preço do petróleo.
Petróleo passa de US$ 106 com dúvidas sobre cessar-fogo energético e novos ataques contra Arábia Saudita
