Petrópolis viveu uma sexta-feira fora do comum. As ruas, normalmente agitadas por turistas e moradores apressados, pareciam adormecidas. Era como se o dia tivesse começado em câmera lenta, envolto por um silêncio quase cerimonial. Dificilmente se via gente passando, e até os cruzamentos mais movimentados estavam livres de buzinas, pressa ou engarrafamentos. Na Rua Teresa, coração pulsante do comércio local e referência nacional em moda, o contraste era ainda mais evidente.
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As vitrines seguiam impecáveis, os manequins bem vestidos, as luzes acesas, mas não havia ninguém ali para ver. Todas as lojas estavam de portas abertas, mas vazias. Vendedores se revezavam entre o celular e a arrumação de cabides. Até os restaurantes estavam sem movimentação, um cenário impensável para uma cidade acostumada a receber milhares de visitantes em fins de semana comuns.
O esvaziamento tinha explicação: os alertas de chuva forte emitidos pela Defesa Civil no dia anterior espalharam um clima de cautela entre moradores e turistas. No Hotel Casa Branca, um dos mais tradicionais do Centro, quase todas as reservas foram canceladas, segundo a gerência: corredores silenciosos, recepção sem telefonemas, café da manhã servido para ninguém.
— É estranho ver a cidade assim… parece que ela resolveu ficar quieta, esperando alguma coisa acontecer — comentou Mauro, de 62 anos, dono de um pequeno empório no Centro, enquanto varria calmamente a calçada pela terceira vez no dia. — Nem nos feriados é assim. Mas, com essas chuvas, o pessoal prefere não se arriscar e eu entendo.
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O medo é justificado. Desde as tragédias recentes provocadas por temporais, Petrópolis carrega uma espécie de memória coletiva da dor. Sirenes, deslizamentos, perdas irreparáveis: tudo isso ainda ecoa nas decisões cotidianas dos moradores. Nesta sexta, o que se viu foi uma cidade em compasso de espera, optando pelo recolhimento.
— Ficar em casa virou uma forma de se proteger, mas também de respeitar o que já passamos — disse Iolanda moradora do centro há mais de três décadas e dona de uma loja de doces na região. — É como se a cidade respirasse fundo toda vez que o céu escurece.
Com o céu nublado desde cedo e o clima abafado típico de antes da chuva, Petrópolis parecia suspensa no tempo, à espera do primeiro trovão (ou, quem sabe, do sol). Até lá, a cidade permanece alerta, atenta, e por enquanto, em silêncio.
A prefeitura de Petrópolis e o Governo do Estado reforçaram a estrutura de prevenção e resposta. Segundo o prefeito Hingo Hammes (PP), o Centro Integrado de Monitoramento e Operações (Cimop) está operando 24 horas com apoio da Defesa Civil, Polícia Militar, Samu e Companhia de Trânsito. Equipes de brigadistas com embarcações foram enviadas para auxiliar em áreas alagadas, caso seja necessário. O governador Cláudio Castro também se deslocou até o município para acompanhar de perto as ações preventivas.

