Com as lembranças ainda vivas das tragédias causadas pelas chuvas de 1988 e, mais recentemente, em 2022, moradores de Petrópolis vivem dias de apreensão diante da previsão de fortes temporais a partir desta sexta-feira. Por isso, o município na Região Serrana do Rio se mobiliza para reduzir os riscos e acolher possíveis desabrigados, enquanto moradores de áreas de risco se preparam como podem. Há quatro galpões de distribuição de itens como colchonetes e kits de higiene na cidade: caso seja necessário, é desses endereços que os materiais serão destinados aos 68 pontos de apoio distribuídos pelo município.
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Na Rua Osvero Docarmo Vilaça, no Alto da Serra — uma das regiões mais afetadas pelos deslizamentos de dois anos atrás — a costureira Andreia Marques, de 57 anos, mantém uma rotina de vigilância. Com o ateliê instalado acima da casa, ela é a única da rua que ainda vive numa residência não-interditada. Ao olhar pela janela, vê pelo menos seis casas abandonadas. Mesmo assim, diz que não pretende sair:
— Eu deixo a bolsa pronta, a lanterna carregada, mas mesmo com muita chuva vou ficar em casa. Já vi esse morro descer em 1988 e saí correndo em 2022. A gente aprende a ficar em alerta.
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Em muito lares, lanternas estão carregadas, bolsas preparadas e a memória dos desastres passados mantém o alerta aceso. No mesmo conjunto habitacional, Iuri Menezes, de 26 anos, e a sua mãe Andreia Pires do Couto, 49, relatam que, apesar da tensão, vão aguardar a chuva em casa.
— Se tiver que sair, a gente já sabe para onde ir. Mas os pontos de apoio costumam lotar rápido. Mesmo assim a gente prefere esperar em casa e torcer para nada grave acontecer na cidade —- relata Andreia.
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A prefeitura de Petrópolis e o Governo do Estado reforçaram a estrutura de prevenção e resposta. Segundo o prefeito Hingo Hammes (PP), o Centro Integrado de Monitoramento e Operações (Cimop) está operando 24 horas com apoio da Defesa Civil, Polícia Militar, Samu e Companhia de Trânsito.
— Temos 68 pontos de apoio em todo o município, prontos para acolher quem precisar, com kits de higiene, água, colchonetes e suporte alimentar — afirmou o prefeito, que também destacou o reforço vindo da capital: 500 colchonetes, 400 kits de limpeza e mil garrafas de água foram enviadas pelo governo estadual para a cidade.
Equipes de brigadistas com embarcações foram enviadas para auxiliar em áreas alagadas, caso seja necessário. O governador Cláudio Castro também se deslocou até o município para acompanhar de perto as ações preventivas, onde concederá entrevista coletiva ao fim da tarde.
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Apesar dos esforços, parte das obras de contenção e drenagem prometidas após os desastres de 2022 ainda não foram concluídas. Segundo Hammes, intervenções importantes como a do Morro da Oficina — um dos símbolos da tragédia de dois anos atrás — ainda estão em andamento.
— Algumas obras foram entregues, como a da Getúlio Vargas e o túnel extravasor. Outras ainda enfrentam entraves, como o Primeiro de Maio, o Uruguai, no Quitandinha, e uma pedreira no bairro Engal. Tivemos atrasos por falta de recursos e indefinições entre responsabilidades do município e do Estado — explicou o prefeito.
Petrópolis também cadastrou novos projetos de contenção e drenagem junto ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, em busca de recursos para completar a infraestrutura de prevenção.
Às 15h10 desta sexta-feira, a Defesa Civil municipal acionou as sirenes, mas ainda num alerta: indicando que há previsão de chuva moderada a forte, ainda sem a necessidade de deslocamento para pontos de apoio.
