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outubro 3, 2026
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Piloto de voo da FlyDubai para Israel foi afastado de companhia de Omã por visões extremistas e atacou colega com machado

Por · outubro 3, 2026
Terrorismo, nacionalismo, saúde mental: investigadores tentam determinar motivação de copiloto de voo Dubai-Tel Aviv


O piloto suspeito de atacar o comandante de um voo da FlyDubai com destino a Tel Aviv havia sido afastado, no ano passado, da companhia aérea nacional de Omã após preocupações com suas visões extremistas, segundo fontes ouvidas pela emissora americana CNN. O caso ganhou novas informações após a identificação de publicações em redes sociais que podem estar vinculadas ao suspeito e a confirmação, pela promotoria dos Emirados Árabes Unidos, de que a arma usada no ataque dentro da cabine foi um machado de emergência da aeronave. O episódio ocorreu na quarta-feira, quando o avião, com 174 pessoas a bordo, foi desviado para a Arábia Saudita.
Contexto: Por que havia quatro pilotos a bordo do voo Dubai-Tel Aviv, em que o copiloto esfaqueou o capitão da aeronave?
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O suspeito é o omanense Hamam al-Hammami, segundo duas fontes familiarizadas com o caso ouvidas pela CNN, um funcionário israelense e a imprensa estatal saudita. Al-Hammami nasceu nos Emirados Árabes, filho de pai omanense e mãe síria, e passou vários anos no país.
Segundo uma fonte regional, o piloto foi retirado do treinamento de voo da Oman Air por causa de preocupações com suas visões radicais e transferido para outra função na companhia. Não se sabe ainda, porém, quais eram exatamente essas opiniões nem se a FlyDubai tinha conhecimento do histórico profissional do piloto quando o contratou.
Veja: Primeiro voo israelense após ataque em avião da Flydubai chega a Tel Aviv
O histórico profissional apresentado em um perfil do LinkedIn em nome de al-Hammami indica que ele trabalhou por sete anos na Oman Air e deixou a companhia em fevereiro de 2025. Em junho do mesmo ano, ingressou na Royal Air Maroc, onde permaneceu até janeiro de 2026. O perfil não mencionava a FlyDubai, mas uma das fontes consultadas pela CNN confirmou que a página pertencia ao piloto envolvido no ataque. O perfil foi posteriormente apagado.
Uma quarta fonte disse à CNN que al-Hammami havia trabalhado anteriormente na Royal Air Maroc. Segundo um funcionário israelense, ele estava na FlyDubai havia apenas oito meses.
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A CNN entrou em contato com a Oman Air, a Royal Air Maroc e o escritório de comunicação do governo de Dubai para pedir comentários. A FlyDubai, por sua vez, afirmou que não poderia se manifestar enquanto a investigação estivesse em andamento.
Publicações após o ataque
As novas informações sobre o caso incluem também a identificação de publicações em redes sociais que podem lançar luz sobre as visões do piloto.
Duas publicações apareceram em um perfil do LinkedIn em nome de al-Hammami cerca de nove horas depois do ataque de quarta-feira. Não está claro quem fez as publicações ou se elas haviam sido programadas anteriormente.
A primeira reunia vídeos gravados dentro da cabine de comando de um Boeing 737 Max. O avião da FlyDubai envolvido no incidente era um 737 Max 8.
Em uma das gravações, cuja localização foi identificada pela CNN como o Aeroporto Internacional de Dubai, a câmera se aproxima de um avião da companhia aérea israelense El Al. A tela da cabine de comando mostra o número do voo OMA624 e a data de 11 de outubro de 2023.
O voo OMA624 corresponde a uma rota normalmente operada entre Dubai e Mascate, capital de Omã. A data registrada no vídeo coincide com o período em que al-Hammami trabalhava para a Oman Air.
Outros trechos mostram aviões da El Al e da Arkia, outra companhia aérea israelense.
O vídeo termina com imagens de Ayman al-Zawahiri, que liderou a Al-Qaeda após a morte de Osama bin Laden, e de Humam Khalil Abu-Mulal al-Balawi, responsável por um atentado suicida em 2009 que matou nove pessoas, incluindo sete agentes e contratados da CIA americana. Al-Balawi era ligado à Al-Qaeda.
A segunda publicação trazia uma imagem gerada por inteligência artificial dos três locais mais sagrados do islã — Meca, Medina e Jerusalém — unidos por um rastro luminoso. Ao fundo, um poema recitado falava sobre rejeitar a humilhação, não temer a morte e defender a própria dignidade.
O mesmo conteúdo também foi publicado aproximadamente na mesma hora em uma conta do Instagram que tinha o mesmo nome e as mesmas fotos do perfil do LinkedIn. A conta também foi posteriormente apagada.
Após pedidos de comentário, o LinkedIn e a Meta, dona do Instagram, ainda não se pronunciaram sobre o apagamento dos perfis.
Conta apagada
A CNN também analisou uma conta de Twitter apagada atribuída a al-Hammami. Quase 3 mil publicações feitas entre 2021 e 2022 foram analisadas e classificadas por meio de um modelo de busca semântica baseado em inteligência artificial.
Nas mensagens, o homem identificado como al-Hammami apresentava-se como profundamente religioso e fazia comentários sobre mulheres e ambientes de trabalho com homens e mulheres.
Em uma publicação de fevereiro de 2022, ele dizia que sua mãe tinha dificuldades para encontrar uma mulher disposta a se casar com ele porque ele exigia que ela usasse niqab, que cobrisse o rosto, e deixasse de trabalhar depois do casamento.
“Todas recusaram. Então minha mãe disse a elas: ‘Meu filho é piloto’, e de repente todas concordaram”, dizia a publicação.
Em outra mensagem, de janeiro de 2022, ele criticava ambientes de trabalho mistos:
“Quantas garotas respeitáveis e religiosas foram arruinadas em ambientes de trabalho mistos e manipuladas?”, dizia o texto.
A conta também foi apagada. As publicações fazem parte da análise de contas atribuídas ao suspeito, mas não confirmam, de forma independente, que ele tenha sido o autor de todas as mensagens.
Formação em aviação
O perfil de al-Hammami no LinkedIn também informava que ele havia estudado na Buckinghamshire New University, na Inglaterra. Uma fonte da universidade confirmou à CNN que um homem com esse nome concluiu um curso de três anos a distância e se formou em gestão da aviação em 2023.
O caso agora também levanta questionamentos sobre os procedimentos de verificação de antecedentes usados na contratação de profissionais da aviação, especialmente diante do histórico do suspeito na Oman Air.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o homem seria alvo de uma investigação sobre uma possível “doutrinação radical islâmica”.
Ataque com machado
Segundo o procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos, Hamad Saif Al Shamsi, o piloto tentou realizar um “ato terrorista” ao atacar um colega com um machado de emergência dentro da cabine de comando e tentar assumir o controle da aeronave. A confirmação sobre a arma usada no ataque foi divulgada neste sábado pela agência estatal de notícias dos Emirados, WAM.
O avião da FlyDubai, que fazia a rota entre Dubai e Tel Aviv, foi desviado para a Arábia Saudita após o confronto na cabine. A aeronave pousou em Tabuk, e o suspeito ficou sob custódia das autoridades dos Emirados.
A legislação dos Emirados permite que o país investigue crimes cometidos a bordo de aeronaves registradas no território nacional mesmo quando os fatos ocorrem fora de suas fronteiras, segundo a WAM.
O caso também é investigado por autoridades israelenses. Um funcionário israelense disse à CNN que o Shin Bet, o Mossad, as Forças Armadas e o Ministério dos Transportes participam das apurações para determinar como o piloto omanense passou a integrar a tripulação do voo.
Piloto omanense em voo para Israel
A nacionalidade do suspeito abriu outra frente de investigação. Omã não reconhece Israel e os dois países não mantêm relações diplomáticas formais.
Apesar disso, al-Hammami fazia parte da tripulação de um voo da FlyDubai com destino a Tel Aviv. Voos entre os Emirados Árabes e Israel estão sujeitos a procedimentos de segurança conduzidos pelas autoridades dos dois países.
A CNN questionou como um cidadão omanense pôde integrar a tripulação de uma aeronave que seguiria para Israel e se seu histórico na Oman Air havia sido considerado durante a contratação pela FlyDubai.
A companhia aérea afirmou que não poderia comentar o caso enquanto a investigação estivesse em andamento.
Netanyahu disse à CNN, na noite de quarta-feira, que o suspeito havia sido interrogado na Arábia Saudita, com participação de autoridades israelenses.
— Falei com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, xeique Mohammed bin Zayed, e ele concordou que Israel participaria dos interrogatórios — afirmou o primeiro-ministro.
(Com AFP)

Piloto de voo da FlyDubai para Israel foi afastado de companhia de Omã por visões extremistas e atacou colega com machado