À beira-mar de Muro Alto, em Pernambuco, Giovanna Grossi reviveu sabores da infância, transformando-os em preparos originais no jantar servido no restaurante TiaTê, na última edição do projeto Nannai Harmonizza. A chef, de 32 anos, nascida em Jaú (SP) e criada em Maceió (AL), dividiu o comando da cozinha com o anfitrião Fernando Pavan, chefe-executivo do hotel. No menu, criações como ovo perfeito com pupunha e bottarga, cavaquinha com jerimum e polvo com purê de batatas, avelã e jamon Serrano encantaram os presentes.
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“Quando alguém diz que provou algo que lembra uma comida de infância, ou que nunca tinha comido um vegetal daquele jeito, penso: ‘É para isso que eu estou aqui’”, diz. Pavan é só elogios: “É uma chef que sabe dialogar com o contemporâneo sem perder o respeito pela base”.
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Filha de donos de uma rede de restaurantes e bares em Alagoas, Giovanna cresceu entre as panelas, mas a cozinha profissional não era um destino óbvio. “Meu pai sugeriu: ‘Por que não gastronomia?’ Topei, e foi paixão à primeira receita”. Aos 18 anos, voou de São Paulo para o Institut Paul Bocuse, na França, e dali percorreu casas como Geranium (Dinamarca) e Quique Dacosta (Espanha).
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“Às vezes, você só precisa continuar ali, mesmo com medo. No fundo, foi a prática que me deu segurança.” Na sequência, foi a primeira mulher e brasileira a disputar a final mundial do Bocuse d’Or, aos 24 anos. Passou por casas estreladas antes de voltar ao país com um propósito: traduzir o Brasil em cada prato. Essa inquietação criativa move o Animus, seu restaurante autoral em Pinheiros, SP.
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No mesmo bairro, Giovanna celebra o primeiro aniversário de A Casa da Esquina, seu empreendimento mais novo. Em março, a chef lançou o quadro “Entre nós, mulheres”, série de conversas com chefs como Bel Coelho, Elisa Fernandes e Ju Tricate, no Instagram, com o objetivo de discutir experiências e desafios.
Sobre o projeto, Janaína Torres comenta: “Giovanna representa uma nova perspectiva da cozinha feminina brasileira. Ao romper a barreira do machismo, ela mostra que veio para ficar e revelar o que o Brasil tem de melhor em sua cozinha autoral”.
A iniciativa também reflete a prática de Giovanna na sua própria equipe: “Priorizamos sempre contratar mulheres, pois sabemos o quão difícil é, no meio da gastronomia, a oportunidade para nós”. Ela acrescenta: “A gente sabe o que viveu, e a única forma de mudar isso é falando”.