O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou na última quinta-feira que o estado deixará de financiar shows por meio de emendas parlamentares. Segundo o político, reeleito neste ano, já existe um entendimento com os deputados estaduais, incluindo os eleitos para a próxima legislatura, para que os recursos sejam destinados a um “cardápio de políticas públicas”, com repasses diretos às prefeituras.
— Nós não vamos mais fazer festa enquanto tiver gente esperando atendimento médico — afirmou Pivetta durante coletiva no Palácio Paiaguás, sede do governo estadual, em Cuiabá.
Para justificar a decisão, o governador, cuja coligação elegeu a maioria dos deputados estaduais para a próxima legislatura, comparou a gestão dos recursos públicos à administração do orçamento familiar.
— Como é que é na família da gente? A gente compra, faz o rancho. De preferência, depois de construir a casa ou então paga aluguel. Aí paga a conta de luz, paga água. Está todo mundo bem. Pai e mãe felizes. Os filhos, ninguém doente. Tem uma boa escola, tem espaço para praticar esporte — disse.
Pelo novo modelo, segundo Pivetta, cada parlamentar poderá escolher a política pública à qual destinará sua emenda. Os recursos serão transferidos diretamente do fundo estadual para os fundos municipais. A fiscalização, de acordo com o governador, ficará a cargo dos vereadores, a quem chamou de “fiscais do povo”, além do Ministério Público e do Tribunal de Contas.
Apesar da promessa de interromper o financiamento de shows com recursos de emendas parlamentares, Pivetta afirmou que o governo continuará investindo em outras iniciativas culturais.
— Ah, cultura, sim. Aí já é outra coisa — afirmou. — O Estado vai passar o recurso para os municípios, para que cada um fomente a cultura que convém para aquele município.
Quem é Otaviano Pivetta
Reeleito governador de Mato Grosso no primeiro turno das eleições de outubro, com 60,77% dos votos válidos, Otaviano Pivetta, de 67 anos, é empresário do agronegócio e iniciou sua trajetória política em Lucas do Rio Verde, município que administrou por três mandatos. Também foi deputado estadual e vice-governador de Mauro Mendes (União Brasil), a quem sucedeu em março deste ano, após a renúncia do então governador para disputar o Senado.
Pivetta chegou à eleição com o maior patrimônio declarado entre os candidatos aos governos estaduais, de R$ 575,6 milhões. O valor chamou atenção pelo crescimento em relação a 2022 e pela concentração dos recursos em fundos de investimento no exterior e participações empresariais. À Folha de S.Paulo, sua campanha afirmou que todos os bens foram regularmente declarados à Justiça Eleitoral.
O governador também esteve envolvido em uma investigação por suspeita de violênia foméstica contra sua companheira, em 2021, quando chegou a ser preso em flagrante em Santa Catarina e liberado após pagar fiança. Pivetta negou as agressões, e o caso foi arquivado pela Justiça em 2022, a pedido do Ministério Público, por insuficiência de provas. Em 2024, o episódio voltou ao debate político após o deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) divulgar um vídeo sobre a acusação.
O governador entrou com uma ação por danos morais contra o parlamentar, pedindo indenização de R$ 50 mil.
Pivetta afirma que Mato Grosso deixará de financiar shows com emendas parlamentares
