A definição do Republicanos de não lançar o senador Cleitinho Azevedo (MG) ao governo de Minas Gerais abriu uma disputa dentro do PL sobre a estratégia do partido no segundo maior colégio eleitoral do país. Enquanto o candidato do partido à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ainda defende que a legenda tenha um candidato próprio ao Palácio Tiradentes, dirigentes do PL em Minas passaram a trabalhar para convencê-lo a apoiar o ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP), nome que se tornou o principal projeto da direita para a sucessão estadual.
Segundo interlocutores, Flávio tem resistido a abrir mão da chapa própria. O presidenciável avalia que um candidato filiado ao PL teria mais liberdade para nacionalizar a campanha em Minas e dedicar sua estrutura à defesa de sua candidatura ao Planalto. O favorito de Flávio continua sendo o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). O nome do ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli também permanece no radar caso Roscoe não avance.
A posição, porém, enfrenta resistência dentro do próprio partido. A maior parte da direção estadual e a ala comandada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) passaram a defender uma composição mais ampla em torno de Marcelo Aro. A avaliação da direção estadual é que insistir em uma chapa própria pode acabar isolando o PL justamente no segundo maior colégio eleitoral do país.
As conversas avançaram na noite de terça-feira, durante reunião entre Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, Marcelo Aro e o presidente do PL, Zé Vitor.
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, participou de parte do encontro por telefone. Segundo relatos feitos, dirigentes defenderam que o PL passe a integrar uma coligação liderada por Aro, com apoio do Republicanos e da federação União Progressista.
Aro chegou ao centro das negociações depois de uma mudança completa no tabuleiro político mineiro. Ex-deputado federal e ex-secretário da Casa Civil do governo Romeu Zema (Novo), ele vinha sendo preparado para disputar uma vaga ao Senado na chapa do governador Mateus Simões (PSD). O cenário mudou quando o PSD decidiu filiar o senador Carlos Viana para concorrer à reeleição, reduzindo o espaço para Aro na chapa governista. A partir daí, dirigentes do PP, do Republicanos e do PL passaram a discutir sua migração para a disputa pelo governo, especialmente diante da avaliação de que Cleitinho dificilmente aceitaria entrar na corrida.
Além da experiência no governo Zema, aliados afirmam que Aro reúne condições de atrair partidos que hoje orbitam o campo da direita, mas não integram o PL. A expectativa é reunir em torno de sua candidatura o PP, o Republicanos e a federação União Progressista, formando um palanque mais amplo para Flávio Bolsonaro no estado.
Essa, porém, não é uma visão unânime dentro da campanha presidencial. Interlocutores de Flávio afirmam que parte da resistência decorre do fato de Aro nunca ter pertencido ao núcleo político do PL. Embora tenha boa relação com dirigentes da legenda, sua trajetória foi construída principalmente ao lado de Romeu Zema e de partidos do Centrão.
Reservadamente, aliados do presidenciável afirmam que um governador filiado a outra sigla tende a dividir sua campanha entre diferentes interesses partidários, enquanto um candidato do PL concentraria esforços na eleição presidencial.
Caso o acordo avance, a tendência é que o Republicanos fique com a vaga de vice, hoje disputada pelo ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo, irmão de Cleitinho, e pelo ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão. O PL, por sua vez, tenta assegurar espaço na chapa majoritária e defende o deputado Domingos Sávio para uma das vagas ao Senado.

