A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do policial militar Bruno Carvalho do Prado, um dos réus pelo assassinato do estudante de medicina Marco Aurélio Cárdenas Acosta. O jovem de 22 anos foi baleado durante uma abordagem dentro de um hotel na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, em novembro de 2024.
O PM foi levado ao Presídio Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista, na madrugada deste sábado (1). A defesa de Prado foi procurada, mas não se manifestou. O espaço permanece aberto.
A decisão da Justiça se baseou em novas denúncias contra o PM. Enquanto respondia o processo em liberdade, Prado foi acusado de ameaçar de morte e agredir a própria esposa. Na decisão, a juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri da Capital, afirmou que os novos fatos apresentados pela assistência de acusação e corroborados pelo Ministério Público demonstram que Prado representa risco à ordem pública.
Segundo a magistrada, além da gravidade do homicídio pelo qual o policial já responde, a investigação por supostas ameaças e agressões contra a esposa revela “a inegável reprovabilidade da conduta, periculosidade social do agente e o risco gerado por seu estado atual de liberdade”.
A juíza destacou que Prado já havia sido pronunciado para ir a júri popular e que havia prova da materialidade do homicídio e indícios suficientes de autoria reconhecidos na decisão de pronúncia. Para ela, as medidas cautelares impostas anteriormente deixaram de ser suficientes diante do novo episódio investigado na Vara de Violência Doméstica de Santo Amaro.
Na mesma decisão que expediu o mandado de prisão imediato, a magistrada determinou a apreensão de todas as armas de fogo que estivessem à disposição do policial, tanto particulares quanto institucionais.
O pedido de prisão foi apresentado pela defesa da família do estudante, que informou à Justiça a existência de um novo inquérito envolvendo Prado. Segundo a petição, a esposa do policial relatou à polícia que sofria ameaças de morte havia cerca de dois anos e que, em abril deste ano, durante uma discussão motivada por ciúmes e consumo de álcool, foi agarrada com força pelo braço e viu o marido se dirigir ao quarto onde eram guardadas armas de fogo. Temendo pela própria vida, a mulher deixou o apartamento e pediu ajuda à PM.
O caso
Marco Aurélio era estudante de medicina da faculdade Anhembi Morumbi. De apelido “Bilau”, ele se apresentava nas redes sociais como mestre de cerimônia e compositor. Seu nome artístico era MC Boy da VM.
No Boletim de Ocorrência do caso, consta que os PMs não usavam câmeras corporais, informação equivocada. No BO, os policiais relataram que o estudante “estava bastante alterado, agressivo, e resistiu à abordagem policial, entrando em vias de fato com a equipe policial e, em determinado momento, tentou subtrair a arma de fogo” de um deles.
Vídeo de uma câmera de segurança do estabelecimento mostrou que o primeiro policial chega ao local com uma arma em punho e tenta agarrar o jovem pelo braço, que luta para se desvencilhar. O segundo policial, ao chegar, desfere um chute no estudante, que consegue segurar o pé do agente de segurança e o faz cair. É nesse momento que o primeiro policial dispara um tiro, que atinge a região da barriga do jovem.
Marco Aurélio chegou a ser socorrido ao hospital Ipiranga e passou por cirurgia, mas não resistiu ao ferimento e morreu.

