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setembro 29, 2026
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PNAD e Caged mostram desaceleração gradual do mercado de trabalho, sem perda abrupta de força

Por · setembro 29, 2026
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O mercado de trabalho formal surpreendeu em agosto, com a criação de 165.827 vagas, segundo o Caged divulgado nesta terça-feira, bem acima da mediana das expectativas do mercado, de 93.486 postos. Divulgados no mesmo dia da Pnad, do IBGE, os dados mostram, na avaliação de economistas, um mercado de trabalho ainda resiliente, mas em trajetória de desaceleração gradual ao longo do ano, sem sinais de uma perda abrupta de força.
O saldo de agosto foi resultado de 2.294.563 admissões e 2.128.736 desligamentos. No acumulado do ano, foram criados 1.134.033 empregos formais. Em 12 meses, o saldo chega a 887.708 vagas.
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o resultado mostra que a geração de empregos permanece disseminada. Os cinco grandes grupamentos registraram saldo positivo em agosto. Serviços lideraram, com 110.346 postos, seguidos por construção civil, com 20.848, indústria geral, com 16.613, comércio, com 16.565, e agropecuária, com 1.452.
O número de agosto também veio acima da expectativa de Antonio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, que projetava a criação de cerca de 90 mil vagas. Para ele, no entanto, é preciso olhar o resultado dentro da trajetória do ano. Ricciardi destaca que o resultado de julho, inicialmente considerado muito fraco, foi revisado para 58 mil vagas. Mesmo com a surpresa positiva de agosto, ele avalia que o histórico do Caged no ano ainda aponta para uma perda de ritmo do mercado formal.
Segundo o economista, a média móvel trimestral do saldo de vagas, na série com ajuste sazonal, permanece abaixo de 100 mil postos, indicando uma desaceleração na geração de empregos formais.
Para setembro, a 4intelligence estima uma criação líquida de 185 mil vagas formais. Com ajuste sazonal, o saldo passaria de 78,6 mil vagas em agosto para 98,7 mil em setembro. Para 2026, a projeção da 4intelligence é de criação líquida de 950 mil vagas formais. Segundo a consultoria, o número é compatível com a trajetória de desaceleração da variação interanual do estoque de trabalhadores e com níveis elevados de acomodação de indicadores como os desligamentos voluntários e o tempo médio de emprego.
Pnad e Caged
A leitura do Caged ocorre no mesmo dia em que a Pnad Contínua mostrou taxa de desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto. Para Ricciardi, os dois indicadores apontam para um mercado de trabalho que perde força gradualmente, mas sem uma deterioração abrupta.
Na avaliação do economista do Banco Daycoval, o segundo trimestre havia mostrado uma desaceleração mais forte do que a esperada nos rendimentos e na massa salarial. No terceiro trimestre, esse movimento perdeu intensidade, com recuperação dos rendimentos e manutenção da massa salarial em alta de 3,7% na comparação anual.
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, disse que as duas pesquisas reforçam o mesmo retrato de mercado de trabalho aquecido, agora também pelo lado formal. E o Banco Central vai olhar isso.
– Isso importa para os juros porque a inflação hoje tem duas origens. Uma é o choque de oferta ligado ao petróleo, que o Banco Central pouco pode fazer para conter. A outra é de demanda e aparece principalmente na inflação de serviços, que responde de perto ao emprego e à renda. O próprio BC tem apontado que a inflação de serviços segue elevada num cenário de mercado de trabalho aquecido. E foi justamente serviços o setor que mais abriu vagas em agosto. Com o emprego em nível recorde, a demanda tende a ceder mais devagar do que o ritmo do PIB sugere, o que deve manter o BC cauteloso quanto ao espaço para novos cortes da Selic.

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