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Política anti-imigração de Trump afeta intercâmbio de estudantes universitários

BRCOM by BRCOM
maio 26, 2026
in News
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David Guimarães estuda economia em Seattle — Foto: Divulgação

A atuação cada vez mais agressiva do governo de Donald Trump contra imigrantes ilegais nos Estados Unidos traz também relatos de pessoas que, mesmo com documentação legalizada, sofrem perseguição e tratamento violento. Esses episódios podem mudar planos de estudantes que desejam intercâmbio estudantil nos EUA? Observando o cenário atual, parece cedo para uma resposta tão assertiva.

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— Eu e meu pai começamos a planejar minha vinda para cá em 2022. É muito investimento de tempo, muita expectativa para depois resolver mudar o rumo — diz o carioca David Cardell Guimarães, de 19 anos, que desde o ano passado cursa economia na Seattle Pacific University. — Mas Trump é imprevisível. Se ele continuar atacando outros países, é natural que alunos que viriam para cá decidam ir para a Austrália ou o Canadá.

A mudança do mapa migratório do intercâmbio pode ser um dos sintomas mais rapidamente sentidos no mercado. Um dos indicativos do movimento é ainda intuitivo: teria começado uma redução de estudantes europeus procurando o país.

— A Europa está mais machucada com a maneira como Trump conduz as coisas. Mas, no Brasil, o intercâmbio não está tão inflamado em relação a isso. Em um longo prazo, se as coisas não se ajustarem por lá, pode afetar— opina Alexandre Argenta, presidente da Brazilian Educational & Language Travel Association.

Christina Bicalho, vice-presidente do Student Travel Bureau (STB), também não observa mudanças imediatas nesse cenário:

— O tema tem aparecido com mais frequência nas conversas. Ainda assim, o que percebemos na prática é um movimento mais voltado à busca por informação, orientação e segurança do que, de fato, uma retração na demanda por programas internacionais.

Segundo o levantamento mais recente do programa Open Doors, da Institute of International Education, 17 mil brasileiros estudaram em universidades dos EUA em 2024. Índia e China têm números de quatro a cinco vezes maiores. O Departamento de Segurança Interna (Homeland Security) aponta 41 mil brasileiros estudando nos EUA no mesmo período.

Esse total abrange, além dos alunos de curso superior, quem estuda em ensino médio, cursos técnicos, escolas de idiomas e até educação infantil. Pela apuração do Open Doors, o Brasil vai recuperando os números de antes da pandemia.

Segundo o programa, o pico ocorreu no ano acadêmico 2014–2015, quando os EUA tinham 23.675 estudantes brasileiros matriculados no ensino superior. A recuperação é lenta. Um dos motivos é o Canadá ter ultrapassado os vizinhos na preferência brasileira.

— Temos pesquisas mostrando o Canadá como destino número um dos brasileiros, deixando as universidades americanas como segunda opção — diz Argenta, destacando que Inglaterra, Irlanda e Austrália vêm logo atrás como destinos preferidos.

Segundo Cristina Bicalho, números recentes podem sinalizar alterações de rota:

— Os Estados Unidos registraram uma queda de 11% em 2025. Em contrapartida, o Canadá apresentou um crescimento expressivo de 48% no mesmo período, impulsionado por políticas migratórias mais abertas e por uma relação custo-benefício bastante competitiva.

Estudante de direito ambiental na Universidade de San Diego, a mineira Fabíola Mendes, de 19 anos, diz que se sente segura no ambiente universitário e nas festas. Mas já presenciou cenas agressivas de xenofobia:

— A ação da polícia do Trump deixa os preconceituosos mais confiante.

David Guimarães estuda economia em Seattle — Foto: Divulgação

David Guimarães viu agressões no transporte público em Seattle:

— Tem americanos que não admitem gente perto deles falando outra língua. Se não souber direito o inglês, melhor ficar calado. Comigo não acontece. Eu tenho cara de americano, meu nome é David. Aqui, o máximo que rola comigo é alguém perguntar se sou australiano, pelo sotaque.

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