Não há quem não se encante com as ginastas rabiscando o ar com as fitas coloridas da ginástica rítmica. É o aparelho mais elogiado dentre todos, bolas, maças e arco. Porém, o mais belo é também o mais difícil. Isso porque as condições climáticas dos locais das competições influenciam diretamente no peso e na trajetória das fitas.
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Assim, o 41.º Mundial de Ginástica Rítmica, que será realizado de quarta a domingo, na Arena Carioca 1, no Rio de Janeiro, trará um desafio a mais às ginastas.
Camila Ferezin, técnica do conjunto do Brasil, explica que no caso das fitas, a performance das atletas também depende de elementos externos. Se o ambiente está úmido, por exemplo, a fita fica mais pesada, pode grudar e tem mais a chance de dar nó.
— A umidade do Rio trará esse desafio. Mas também, com ar condicionado, o vento no ambiente pode atrapalhar. Pode mudar a trajetória das fitas, elas podem se embolar, ir para outro lugar. Não tem para onde fugir. Esse é um aparelho que depende de condições externas — afirma Camila. — Mas tem o lado bom também. A nossa modalidade é sempre lembrada pela fita: “Ah, é aquela ginástica da fita?”. O público gosta bastante por causa dos desenhos no ar, porque são coloridas e a apresentação é muito bonita mesmo.
Para minimizar essas questões externas, a seleção brasileira costuma levar quatro jogos de cinco fitas para treinos e competições. E quando as fitas vão ficando úmidas e pesadas são trocadas por outro jogo. Enquanto isso, membros da comissão técnica aplicam talco e passam as fitas a ferro para deixá-las secas novamente.
Também durante os treinos, as atletas do Brasil costumam usar fitas pretas, com o dobro do peso das fitas oficiais, para treinar o manejo — o mesmo ocorre com os outros aparelhos, como a bola que pesa 400g e elas usam bolas de 1kg, e arcos duplos no lugar dos arcos simples.
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Nas competições, as fitas precisam ser idênticas para todas as seleções. O aparelho pesa 35 gramas no mínimo. São 6 metros de fita mais o estilete, que tem entre 50cm e 60cm. Após inspeção pela Federação Internacional de Ginástica, os aparelhos ganham um adesivo e não podem ser substituídos.
O aparelho pode ter diferentes cores e segue a paleta dos collants. Tem país que usa fita rajada, colorida em vários pedaços ou de uma cor só. A fita do Brasil neste Mundial terá azul, verde, amarelo e laranja.
— Qualquer atleta da seleção vai dizer que a fita não é a preferida, que é o aparelho mais difícil. Porque ela é longa e precisa estar em constante movimento. São 2min30 de apresentação e se parar de movimentar, ela cai, vai para o chão. É necessário um trabalho de resistência muscular para manter a fita em movimento — observa Camila.
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As ginastas aprendem a dominar a fita quando pequenas e só competem a partir da categoria infantil, com 12 e 13 anos. Nesse caso, a fita é menor, com 4 metros.
— No início, quando estamos no infantil, até brincamos: “Ah, se enrolou para presente”. Porque a gente se enrola, claro. Tudo é uma questão de prática e treino. A GR é um esporte em que treinamos muito por isso, para que possamos dominar o detalhe de cada aparelho — observa Nicole Pircio, ginasta da seleção de conjunto que já disputou dois Jogos Olímpicos. — Eu prefiro o arco, me dá muitas possibilidade de lançar com o pé e eu amo lançar com o pé. Já a fita, apesar de ser um dos aparelhos mais bonitos, é o mais difícil.
Duda Arakaki, capitã da seleção de conjunto, que prefere as maças e o arco, fala que até hoje as ginastas se enrolam nas fitas:
— A gente se enrola às vezes também… no treino (risos). E quando nova, não tem jeito mesmo. Essa é a época para brincar — diz Duda, que acha importante treinar com a fita mais pesada para aprender a improvisar. — O que temos de fazer é ir se adaptando às dificuldades. E quem está mais treinada para a maioria dos casos se dá melhor.
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Nesse ciclo olímpico, a série simples tem cinco fitas. E a série mista é disputada com três bolas e dois arcos.
Na primeira, o Brasil manteve a música de Paris-2024, que tem “o samba e o estilo brasileiro” como tema. À época, foi usada para a apresentação mista, que era com fita e bola. A coreografia, então, foi adaptada para as cinco fitas.
— A coreografia é muito bonita, cinco fitas sobem ao mesmo tempo, ficam no ar. Os lançamentos são altos. É uma coreografia bem dançada, tem mais de artístico do que tinha antes. Tem dois momentos de efeito da série, quando a música tem um estrondo, como se fosse uma bomba. E três fitas sobem como se fossem fogos de artifício — resume Camila.
Já a segunda série, que é a mista, elas se apresentarão ao som de “Evidências”, sucesso nas vozes de Chitãozinho e Xororó. A treinadora contou que “sonhou com uma música que o público cantasse junto” e acredita que esse será um momento de grande emoção.
— Esse ano eu amo as duas séries. Estamos bem seguras com ambas, mas Evidências tem o meu coração. É diferente de tudo o que a gente já fez, a música me faz lembrar a minha família, e competir em casa com essa música não vai ter preço — diz Duda.