Manter uma estrutura corporal forte ao longo da vida é mais do que prevenir fraturas: é garantir liberdade de movimento, energia e independência para aproveitar cada fase da vida. Com hábitos adequados e acompanhamento médico, é plenamente viável atravessar as décadas sustentando um corpo saudável, resistente e cheio de agilidade.
O processo natural de envelhecimento inclui a perda de massa óssea, que, se não for prevenida ou tratada, pode evoluir para a osteoporose e aumentar o risco de quedas e lesões. Hoje, especialistas lembram que cuidar dessa parte da saúde vai além de olhar para os ossos isoladamente.
— A osteoporose vem combinada com a sarcopenia, que é a perda de massa e força muscular. E tudo está interligado: osso, músculo e articulação — explica o reumatologista Marcelo Pinheiro, chefe do Setor de Espondiloartrites e de Densitometria Óssea da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).
Para ilustrar, o especialista recorre a uma analogia simples.
— O osso é a porta, o músculo é o batente, e a articulação é a dobradiça. Se um não estiver em bom estado, o conjunto não funciona.
Para manter essa estrutura saudável, Marcelo aponta a prática de exercícios como obrigatória e insubstituível.
— Não existe negociação. Tem que fazer atividade física para sempre — declara o especialista.
O pico de massa óssea acontece na infância e na adolescência. É nesse período que ganhamos a maior parte de tecido ósseo.
— Modulado pela genética, isso é determinante para o resto da vida — afirma Marcelo.
A osteoporose vem combinada com a sarcopenia, que é a perda de massa e força muscular. E tudo está interligado: osso, músculo e articulação. Tem que fazer atividade física para sempre ”
— Marcelo Pinheiro, reumatologista e chefe do Setor de Espondiloartrites e de Densitometria Óssea da Unifesp
Segundo ele, 80% de um esqueleto firme e forte é fruto da herança familiar, e 20%, vem de fatores modificáveis, como estilo de vida.
— Uma criança que passa o dia no celular ou sentada jogando videogame, em vez de brincar na rua, como era no passado, terá certamente um comprometimento da aquisição de ossos. Porque é na infância e na adolescência que formamos o esqueleto e fazemos nossa reserva óssea — diz.
Segundo o reumatologista, isso pode criar uma geração mais vulnerável à osteoporose no futuro.
O mesmo vale para a tendência de excluir lactose da dieta sem reposição adequada de cálcio em jovens em fase de crescimento.
— Se você não dá o tijolo, que é o cálcio, e o cimento, que é a proteína, não vai formar um osso bom — explica o médico.
A formação de tecido se mantém até os 30 anos, quando entramos em uma fase de platô. O declínio, no entanto, só vai acontecer décadas mais tarde, em momentos diferentes para homens e mulheres.
— Nas mulheres, a perda começa aos 45, 50 anos, quando se inicia a menopausa. Nos homens, após os 60.
Os fatores de risco para osteoporose são muitos. Entre eles, estão histórico familiar, uso prolongado de corticoides, doenças reumáticas e endócrinas, problemas intestinais que afetam a absorção de cálcio, câncer de mama e tratamentos como quimioterapia. Vida sedentária e hábitos pouco saudáveis também entram nessa lista.
Nesse cenário, valem os conselhos médicos comuns a qualquer tipo de patologia: sono de qualidade, alimentação equilibrada e atividades físicas.
Para manter a máquina forte, exercícios de resistência são fundamentais. Caminhadas têm efeito limitado, e a hidroginástica, apesar de excelente para as articulações e o sistema cardiovascular, não fortalece ossos e músculos.
— O fortalecimento muscular preserva a articulação e diminui o risco de queda. A força nas pernas é diretamente proporcional à autonomia e até à memória — ressalta o médico.
Recomendada para mulheres após a menopausa, principalmente nos primeiros cinco anos, e para homens a partir dos 70 anos, o exame de densitometria óssea é a melhor maneira de detectar essa perda precocemente.
— Sempre queremos evitar a primeira fratura. Muitas vezes, o diagnóstico só vem depois de um acidente que poderia ter sido prevenido — reforça.
Os tratamentos dentro e fora do consultório, explica o especialista, são capazes de reduzir em até 80% as fraturas vertebrais e em 50% as de fêmur, e não devem ser negligenciados.