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novembro 4, 2026
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Por que ‘Calígula’, filme de Tinto Brass, foi proibido nos cinemas em diferentes países

Por · novembro 4, 2026
Por que ‘Calígula’, filme de Tinto Brass, foi proibido nos cinemas em diferentes países


Lançado em 1979, Calígula se tornou um dos filmes mais controversos da história do cinema por suas cenas explícitas de sexo e violência. Dirigida por Tinto Brass, que morreu nesta quarta-feira, aos 93 anos, a produção enfrentou censura, cortes e proibições em diferentes países. Estrelado por Malcolm McDowell, Helen Mirren e Peter O’Toole, o longa retrata a ascensão e o governo do imperador romano Calígula, marcado por disputas políticas, abusos de poder e excessos.
Morre Tinto Brass, diretor de ‘Calígula’, filme proibido nos cinemas por cenas eróticas, aos 93 anos
Parte da polêmica começou nos bastidores. Depois das filmagens principais, o produtor Bob Guccione, fundador da revista Penthouse, acrescentou cenas de sexo explícito à montagem, algumas delas com relações sexuais reais, sem a aprovação de Brass. A intervenção provocou um conflito entre os responsáveis pelo projeto. O roteirista Gore Vidal também se desentendeu com Guccione, e tanto ele quanto o diretor tentaram retirar seus nomes dos créditos. A versão lançada acabou se afastando da proposta original de um drama histórico e passou a incorporar sequências de conteúdo pornográfico.
No Reino Unido, uma cópia foi apreendida em 1980, sob suspeita de violar a legislação sobre material obsceno. Para conseguir a liberação, os distribuidores aceitaram retirar mais de 11 minutos da versão destinada aos cinemas. Mesmo após os cortes, algumas cidades britânicas proibiram a exibição. A versão integral só recebeu classificação para lançamento em vídeo no país em 2008, quase três décadas depois da estreia. Na Itália, o filme também foi retirado de circulação poucos dias após chegar às salas, por determinação das autoridades.
Nos Estados Unidos, a produção foi alvo de apreensões e disputas judiciais. Em Boston, uma cópia foi confiscada em 1980, mas um juiz decidiu que o filme não poderia ser considerado obsceno, levando em conta, entre outros aspectos, seu possível valor artístico, histórico e político. As decisões variaram de acordo com a legislação de cada território, e o longa chegou a ser exibido em versões diferentes, submetidas a cortes para atender às exigências locais.
No Brasil, Calígula foi barrado pelos órgãos de censura durante a ditadura militar. A liberação ocorreu em 1982, após uma decisão do juiz federal Laurindo Minhoto Neto, da 3ª Vara da Justiça Federal de São Paulo. O episódio foi mencionado no Diário do Congresso Nacional de outubro daquele ano, em pronunciamento do então deputado Israel Dias-Novaes. A decisão permitiu que o filme chegasse ao circuito comercial, depois de ter enfrentado restrições por cerca de dois anos.
Décadas depois, o longa ganhou uma nova montagem, intitulada Calígula: O Corte Final. Apresentada no Festival de Cannes de 2023, a versão chegou aos cinemas brasileiros em dezembro de 2024. O trabalho, conduzido pelo historiador Thomas Negovan, recuperou materiais de arquivo e reorganizou a narrativa, com mudanças em relação à edição original. A nova montagem procurou reconstruir a proposta do filme a partir de registros que não haviam sido aproveitados na versão lançada em 1979.
A trajetória de Calígula ficou marcada tanto pelo conteúdo explícito quanto pelas disputas entre seus realizadores e os órgãos de censura. Mais de quatro décadas após a estreia, o filme permanece como um dos exemplos mais conhecidos dos conflitos entre liberdade artística, exploração comercial e os limites impostos à exibição de obras cinematográficas.

Por que ‘Calígula’, filme de Tinto Brass, foi proibido nos cinemas em diferentes países