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por que São Paulo não sabe brincar de listar

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maio 14, 2026
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Marguerita da Soffio: 1º lugar entre as pizzarias visitadas — Foto: Ian Oliver

Este texto foi enviado na newsletter semanal O Crítico Antigourmet, em que Ian Oliver faz resenhas da gastronomia de São Paulo. Quer receber o conteúdo antes da publicação on-line? Clique aqui para se inscrever.

Existe uma regra não escrita na gastronomia paulistana: você pode criticar o prefeito, o Neymar, o trânsito, o STF, o banco que foi liquidado, mas nunca, sob hipótese alguma, critique a pizzaria que o sujeito frequenta desde a infância. A pizza, em São Paulo, não é apenas um prato; é um patrimônio afetivo, um marcador de identidade e, como ficou claro nos últimos dias, um motivo excelente para perder a compostura na internet.

Ao longo de quase um ano, um grupo de nove avaliadores — do qual fiz parte — embarcou em uma missão hercúlea: mapear, provar e ranquear as 100 melhores pizzas da cidade. A metodologia foi rigorosa. Elegemos a margherita como régua universal, já que ela não permite esconder falhas de massa ou molho sob montanhas de catupiry. Avaliamos fermentação, qualidade dos ingredientes, equilíbrio e execução. Pagamos nossas contas. E, na última semana, publicamos o resultado no Instagram.

O que se seguiu foi um estudo fascinante sobre a psicologia do consumidor paulistano. Nos mais de 5 mil comentários acumulados nas postagens, a indignação não era sobre a metodologia, mas sobre a audácia de questionar certezas estabelecidas.

  • O Crítico Antigourmet: Leia aqui todos os textos

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  • A síndrome da pizzaria de estimação
      • por que São Paulo não sabe brincar de listar

A síndrome da pizzaria de estimação

A crítica mais recorrente foi a clássica “faltou a pizzaria X”. É uma reação natural. O paulistano tem uma relação monogâmica com sua pizzaria de bairro. Ele não quer saber se a fermentação da massa é de 48 horas ou se o tomate é San Marzano; ele quer a segurança do hábito. Quando a sua pizzaria não aparece no ranking, ele não entende isso como uma escolha editorial, mas como uma ofensa pessoal.

Houve quem se ofendesse com a presença de redes de fast-food como Domino’s e Pizza Hut, ainda que nas últimas posições. “Como podem estar na frente da minha pizzaria favorita?”, questionaram. A resposta é dolorosa, mas necessária: porque, por piores que sejam, elas entregam exatamente o que prometem, com um padrão industrial inabalável. Já a pizzaria “tradicional” que cobra R$ 120 por um disco de massa crua afogado em queijo de qualidade duvidosa está se levando a sério. Com isso, comete uma falha grave: a pretensão.

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Outro ponto de atrito foi a suposta preferência pelas pizzas napolitanas em detrimento das “tradicionais paulistanas”. “O ranking é só de napolitanas”, reclamaram alguns. Não é verdade. Houve pizzas inspiradas no estilo napolitano mal ranqueadas, e também paulistanas que foram bem (como a Castelões e a Braz, que ficou no top 10). O que acontece é que a pizza napolitana, por premissa, exige um rigor técnico que a pizza paulistana muitas vezes ignora em nome da fartura.

A pizza paulistana clássica — aquela com borda grossa, massa pesada e cobertura que desafia a gravidade — tem seu valor nostálgico. Mas, quando submetida a uma análise técnica, muitas vezes desmorona. O excesso de ingredientes não é um estilo; é, frequentemente, um atalho para mascarar uma massa medíocre. E quando apontamos isso, a reação é visceral. Como bem observou um comentarista indignado com a nossa avaliação da Cristal (que amargou a 100ª posição): “A Cristal é a pizzaria da burguesia paulistana… a pizza em si é uma droga!”. Ele entendeu o ponto. A Cristal vende status e pretensão, não pizza.

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E, claro, não faltaram os ataques aos mensageiros. “Críticos são arrogantes e nunca abriram um negócio”, disparou um leitor. “O pix não chegou”, acusou outro, sugerindo que as posições foram compradas. É a velha tática de desqualificar o árbitro quando não se gosta do resultado do jogo.

A verdade é que avaliar comida é um exercício de vulnerabilidade. Exige colocar o próprio paladar à prova e, mais importante, ter a coragem de dizer que o rei está nu — ou, neste caso, que a pizza da moda é apenas um pedaço de pão caro. Quando apontamos que a Paul’s Boutique (54ª posição) ou a Fôrno (60ª) vivem mais de hype e influenciadores do que de consistência, sabíamos que haveria retaliação. Mas a crítica gastronômica não existe para validar o gosto da maioria; ela existe para tensioná-lo.

No fim das contas, o ranking cumpriu seu papel. Ele tirou a pizza do pedestal da intocabilidade e a colocou no centro do debate. Fez as pessoas discutirem fermentação, qualidade de ingredientes e, sim, até o “tamanho lunar de uma fatia de tomate”. Se isso incomodou, ótimo. São Paulo ama pizza. E justamente por isso, ela merece ser tratada com mais rigor.

  • Camponesa: a madeleine que não busca o tempo perdido
Marguerita da Soffio: 1º lugar entre as pizzarias visitadas — Foto: Ian Oliver

  1. Soffio Pizzeria
  2. A Pizza da Mooca
  3. Leggera
  4. Unica Pizzeria
  5. Na’Pizza Napoletani
  6. Bocada’s
  7. Starlane
  8. Carlos Pizza
  9. Bráz
  10. Trigo Pane Pizza
  11. Di Bari Pizza
  12. GattoFiga Pizza Bar
  13. Astéri Forneria
  14. Bar Europa
  15. Da Michele Pizzeria
  16. Foglia Forneria
  17. La Crosta Forneria
  18. Salt & Pepe
  19. Pizza Mercutio
  20. Picco
  21. Maremonti
  22. Notizia
  23. Pizzaria Cuevas
  24. Deveras
  25. Trilha Fermentaria
  26. Krøzta
  27. Athenas Pizza
  28. Castelões
  29. QT Pizza Bar
  30. Temperani Cucina
  31. 1900 Pizzeria
  32. Villa Napoli
  33. Vesu Pizzaria
  34. Fornetto Pizza Bar
  35. Sforno
  36. Los Forajidos
  37. Divina Incrença
  38. Famiglia Mancini
  39. Bráz Elettrica
  40. Ráscal
  41. Beco di Napoli
  42. Cannoli do Calimano
  43. Monte Verde
  44. Diavola
  45. Pinocchio Cucina
  46. Veridiana
  47. La Braciera
  48. Figo
  49. Varanda 228
  50. Guarita
  51. Umberto I
  52. Tica
  53. Buona Sera
  54. Paul’s Boutique Pizza
  55. Forneria San Vito
  56. Qui o Qua
  57. La Pizza di Pátrick
  58. Elea Forneria
  59. Il Bosco
  60. Fôrno
  61. Pi Pizzas
  62. Ombra
  63. Babbo Giovanni
  64. Mata Città
  65. Jullia Pizzaria
  66. Micheluccio
  67. Fagnolo’s
  68. Marco Luccio
  69. Primo Basílico
  70. Macedo
  71. Pizzaria São Pedro
  72. Oli Pizzas Artesanais
  73. Clementina Bar
  74. Pizzatto Pizzaria
  75. Org
  76. Speranza
  77. Forno da Vila
  78. Forneria Mooca
  79. Real Pizzaria
  80. Leona
  81. Margherita Pizzeria
  82. Camelo
  83. Domino’s
  84. Sala Vip
  85. Graça di Napolli
  86. Pizza Chena
  87. Chaplin
  88. Galpão da Pizza
  89. Soggiorno
  90. A Esperança
  91. Zi Tereza di Napoli
  92. Dei Cugini
  93. Dona Firmina
  94. Vito’s NY Kitchen
  95. A Tal da Pizza
  96. Pizzaria do Ângelo
  97. Pizza Hut
  98. Al Capizza
  99. Itzza
  100. Cristal

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