Nos últimos dias, as quatro estelas na camisa do Uruguai chamaram a atenção na internet, com críticas e dúvidas sobre o motivo das insígnias no uniforme. Enquanto a seleção uruguaia tem a autorização da Fifa para homenagear, na sua camisa, os seus dois títulos de Copa do Mundo mais os dois de Olimpíadas, o Egito foi obrigado a remover do uniforme suas sete estrelas referentes às conquistas da Copa Africana das Nações.
Neste ano, a Fifa definiu, como regra, que todas estrelas em uniformes precisam ser referentes a títulos mundiais. Mas por que, então, o Uruguai ganhou a permissão? As quatro estrelas foram autorizadas em 1992, após a Federação Uruguaia alegar que as Olimpíadas de 1924 e 1928, disputadas antes da primeira Copa do Mundo, tinham status de mundiais, como competições abertas e com representatividade de todas as regiões do mundo.
Além disso, o Uruguai foi campeão da Copa do Mundo de 1930, a primeira da história, e de 1950, no famoso “Maracanaço”, no Rio de Janeiro. Desde 1992, então, as quatro estrelas estampam o uniforme celeste.
Por outro lado, os campeonatos do Egito são reconhecidamente não mundiais. As sete estrelas se referiam aos títulos da Copa Africana das Nações, torneio cujo maior campeão da história é justamente a seleção egípcia. Com o veto da Fifa nesse ano, o Egito precisou mudar seu uniforme antes da estreia contra a Bélgica.
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Os jogos olímpicos da década de 20, conquistados pela seleção uruguaia, tiveram mais times participantes do que algumas edições de Copa do Mundo. Em 1924, em Paris, foram 22 seleções; em 1928, 17. A Copa da Espanha de 1982, com 24 equipes, foi a primeira a superar esses números.
Ao jornal uruguaio El País, o historiador Pierre Arrighi explicou que os torneios de 1924 e 1928 têm status mundial por suas características, como “campeonatos máximos” da época. Os torneios não tinham restrição de participação, e eram abertos a países de todo o mundo.
O jornalista e historiador Luis Prats afirmou, na mesma reportagem, que esses títulos olímpicos tinham a mesma importância que a Copa do Mundo 1930.
Não era só no Uruguai, na Argentina também se falava em torneio mundial na Olimpíada de Amsterdã (1928), explicou.
O jornal El País relembrou sua própria cobertura de 1924, quando de referiu ao torneio como “título mundial” . Após a vitória sobre a Suíça na final, publicou como manchete “O Uruguai é campeão mundial de futebol”.
Outros veículos internacionais também seguiam essa linha. O Il Corriere Italiano escreveu que, com o torneio olímpico, “as nações latinas agora possuem o campeonato mundial”. Publicações francesas também tratavam a competição como mundial, afirmou o jornal uruguaio.
Em 1928, antes das semifinais contra a Itália, uma torcedora escreveu no jornal: “Viva, meus queridos futuros campeões do mundo de 1928”.
Até clubes estrangeiros reconheceram o feito, destacou o El País. O Flamengo enviou um cartão em 1924 com a mensagem: “Viva o Uruguai, homenagem do Flamengo aos campeões mundiais de futebol”.

