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Paula Sanders (Tatiana Maslany) é a funcionária mais competente do departamento de checagem de uma revista em Nova York. Seu trabalho é verificar os textos dos jornalistas para impedir escorregadas de informação. Contradição das contradições, ela é péssima de conter os danos na sua vida pessoal caótica. Esse é só um dos conflitos que alimentam a eletricidade do roteiro de “Prazer máximo garantido”. A primeira temporada da série lançada pela Apple TV tem dez episódios curtos e prende a atenção.
Somos apresentados à protagonista numa cena de sexo virtual. Na tela do computador dela está Trevor (Brandon Flynn), um camboy que ganha a vida no OnlyFans. Entendemos que, por uma mistura de carência com ingenuidade, Paula ficou sinceramente envolvida com ele. Acredita que os dois tenham construído um “vínculo especial”.
Murray Bartlett em Prazer Máximo Garantido
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Essas sequências de sexo quase explícito que abrem a série dão a impressão de que o erotismo estará no centro da narrativa. O título também sugere isso. Mas não é o que acontece. Embora o tema tangencie o enredo, ele se dilui num roteiro que embaralha ação, suspense e humor.
Tatiana Maslany é Paula Sanders em Prazer Máximo Garantido
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A trama policial tem início num desses encontros virtuais. Trevor está tirando a roupa quando um mascarado invade seu quarto e o ataca. Paula filma a agressão na sua tela. Porém, quando ela procura as autoridades, a detetive (Sofia/Dolly de Leon) levanta uma hipótese óbvia: Trevor não teria se machucado e tudo seria parte de um golpe. A tese logo se confirma porque a chantagem começa. Paula então passa a investigar o crime por conta própria e vai se envolvendo em sucessivas situações de perigo.
A protagonista vive imersa num ciclo de infelicidades. Ela é uma espécie de Prometeu, o titã da mitologia grega que todos os dias tem seu fígado devorado por uma águia e depois regenerado. Esse túnel sem fim faz dela uma heroína. Divorciada, está em guerra com o ex, Karl (Jake Johnson),pela guarda da filha única. Ele se casou novamente e a atual mulher é uma víbora. Para vencer essa batalha, Paula tem de demonstrar que leva uma vida estável e é uma mãe e profissional perfeita. Para piorar, sua chefe na revista é uma tirana e promete uma promoção que nunca se concretiza.
Nola Wallace e Tatiana Maslany, mãe e filha em “Prazer máximo”
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Tatiana Maslany é uma boa atriz (recebeu um Emmy por seu papel em “Orphan Black”) e carrega essa personagem com talento. A tarefa nem sempre é fácil por causa de certas fragilidades do roteiro. Murray Bartlett (o gerente do hotel na primeira temporada de “The White Lotus”, leia aqui e ouça aqui o comentário na CBN) é outra grata presença, interpretando um excelente vilão.
“Prazer máximo garantido” é uma produção de altos e baixos. Por um lado, é interessante por abordar, entre outros temas contemporâneos, o sexo no universo virtual. Por outro, tem guinadas constantes, mas nem todas elas empolgam. Algumas são frutos de soluções fáceis que lembram as dos desenhos animados e derrubam o resultado. No geral, entretanto, distrai. Vale conferir.

