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preços de alimentos básicos disparam em Gaza durante conflito entre Israel e Hamas

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julho 31, 2025
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Palestinos distribuindo alimentos a noroeste da Cidade de Gaza — Foto: Saher Alghorra / The New York Times

Caos mortal e violência têm tomado conta da distribuição de itens essenciais em Gaza desde que Israel reestruturou o sistema, em maio, como parte do que disse ser um “esforço para manter a ajuda fora das mãos do Hamas”.

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O caos — e a quantidade limitada de ajuda que entra no enclave desde o início — levou muitos palestinos a desistir de tentar obter ajuda humanitária, mesmo com a fome aumentando .

Uma das poucas alternativas tem sido comprar alimentos nos mercados de Gaza, que estão abastecidos com uma combinação de materiais de ajuda humanitária — alguns dos quais podem ter sido saqueados —, produtos comerciais e pequenas quantidades de produtos cultivados localmente. Mas os preços de muitos produtos básicos dispararam.

— Já vi algo assim em algum outro lugar? — disse Arif Husain, economista-chefe do Programa Mundial de Alimentos da ONU, em entrevista por telefone na quarta-feira. — De jeito nenhum.

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  • Explosão nos preços desde o início do conflito
  • Flutuações drásticas nos preços
      • preços de alimentos básicos disparam em Gaza durante conflito entre Israel e Hamas

Explosão nos preços desde o início do conflito

O açúcar agora custa cerca de US$ 106 (cerca de R$ 592) por quilo, em comparação com 89 centavos (R$ 4,98) que custavam antes da guerra; a farinha custa US$ 12 (cerca de R$ 67) por quilo, em comparação com 42 centavos (R$ 2,35), e os tomates custam US$ 30 por quilo (cerca de R$ 167), em comparação com 59 centavos (R$ 3,30), de acordo com dados publicados esta semana pela Câmara de Comércio e Indústria da Província de Gaza.

Os dados foram coletados por alguns funcionários da instituição, que vêm realizando pesquisas em mercados na Cidade de Gaza, Deir al-Balah e Khan Younis. Um comitê de emergência representando câmaras de comércio em diversas áreas do enclave autorizou a câmara da Província de Gaza a realizar as pesquisas e publicar os resultados.

— Os preços são insanos, totalmente insanos — disse Mohammad Fares, de 24 anos, morador da Cidade de Gaza que estava hospedado na casa de um parente, juntos com os pais e dois irmãos, uma vez que a casa de sua família foi destruída no início da guerra. Ele já perdeu mais de 23 quilos desde o início da guerra.

Palestinos distribuindo alimentos a noroeste da Cidade de Gaza — Foto: Saher Alghorra / The New York Times

O Sr. Fares disse que não estava disposto a arriscar a vida indo a locais de ajuda humanitária, descrevendo-os como “armadilhas mortais” onde soldados israelenses atiram fatalmente em pessoas e palestinos desesperados ameaçam uns aos outros com facas. Caos que o exército israelense classificou como “tiros de advertência” disparados quando pessoas se aproximaram de suas forças do lado de fora dos locais de ajuda humanitária de forma ameaçadora.

Para sobreviver com a família, Sr. Fares precisou recorrer ao que restava de suas economias para comprar pequenas quantidades de farinha e lentilhas. Sua família não comprava mais vegetais e frutas, que há muito tempo excediam suas possibilidades financeiras, acrescentou ele.

— A partir de certo nível, as pessoas são excluídas pelos preços — disse o Sr. Husain. — Eles são tão altos que perdem o sentido — contou ao explicar que o foco passa a ser obter pequenas quantidades dos itens mais essenciais.

Flutuações drásticas nos preços

A instabilidade no fornecimento de mercadorias causou flutuações drásticas nos preços. Por exemplo, o preço da farinha atingiu US$ 891 (cerca de R$ 4.980) por um saco de 25 quilos em 20 de julho, caiu para US$ 223 (cerca de R$ 1.246) no domingo e subiu para US$ 334 (R$ 1.867) na quarta-feira, segundo dados da Câmara de Comércio do enclave. A mesma quantidade de farinha custava pouco mais de US$ 10 — ou seja, mais de R$ 55 — antes da guerra.

Ayed Abu Ramadan, presidente da Câmara de Comércio da Província de Gaza, disse que sua principal conclusão das pesquisas foi que os preços sobem e descem conforme as restrições à entrada de mercadorias são reforçadas ou afrouxadas.

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Durante o cessar-fogo deste ano, o custo dos produtos básicos caiu significativamente, pois milhares de caminhões entraram em Gaza, mas um bloqueio entre março e maio fez com que os preços disparassem novamente, contou ele.

— Não estamos enfrentando apenas uma guerra em termos de bombas. Estamos enfrentando uma guerra em termos de preços, fome e sede também — disse o Sr. Abu Ramadan, que também lidera o comitê de emergência das câmaras de comércio em Gaza.

Os preços de itens não alimentícios também estão extraordinariamente altos. Uma barra de sabão custa cerca de US$ 10 (cerca de R$ 55), em comparação com 59 centavos (R$ 3,30) antes da guerra; um pacote com 40 fraldas custa US$ 149 (cerca de R$ 834), em comparação com US$ 8,61 (R$ 48,20); o diesel custa US$ 36 por litro, em comparação com US$ 1,87; e 400 gramas de fórmula infantil custam US$ 51 (cerca de R$ 201), em comparação com US$ 7,43 (R$ 41,60), de acordo com pesquisas recentes. Em comparação, nos Estados Unidos, o diesel custa cerca de um dólar (R$ 5,60 na cotação atual) por litro e 40 fraldas podem ser compradas por cerca de US$ 5 (R$ 28).

Samah Matar segura seu filho Yousef, de 6 anos, ao norte da Cidade de Gaza, em 24 de julho de 2025; com paralisia cerebral e desnutrição grave, Yousef perdeu cerca de 4 kg desde o início da guerra — Foto: Saher Alghorra / The New York Times
Samah Matar segura seu filho Yousef, de 6 anos, ao norte da Cidade de Gaza, em 24 de julho de 2025; com paralisia cerebral e desnutrição grave, Yousef perdeu cerca de 4 kg desde o início da guerra — Foto: Saher Alghorra / The New York Times

Outro desafio é conseguir dinheiro vivo, que muitos palestinos só encontram no mercado clandestino em troca de comissões exorbitantes. Com bancos e caixas eletrônicos em ruínas ou fechados, pessoas que acumulam dinheiro têm vendido shekels israelenses — a principal moeda utilizada em Gaza — em lan houses e esquinas do enclave, por comissões de cerca de 50%.

— Há sofrimento inerente a todos os aspectos da vida. Sofrimento em cima de sofrimento — ponderou Sr. Fares.

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