O Rio AI City — um hub de data centers nas imediações do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca — começa a avançar. Na abertura do Web Summit Rio, na noite desta segunda-feira, o prefeito Eduardo Cavaliere assinou um memorando de entendimento com o CEO da Elea Data Centers, Alessandro Lombardi, carimbando um aporte inicial de US$ 550 milhões no plano da administração carioca de consolidar a cidade como “capital da inteligência artificial”.
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— No ano passado, nesse mesmo palco, a Prefeitura apresentava o mais ousado e grandioso projeto de soberania digital do nosso país: o Rio AI City. Hoje a iniciativa avança, com o primeiro aporte do fundo. Com isso, o Rio de Janeiro vai se tornar o epicentro da conectividade, energia e logística estratégica do Sul Global — afirmou o prefeito.
A Elea foi adquirida pela gestora americana I Square Capital, com o compromisso de investir US$ 10 bilhões na expansão da empresa no país, incluindo nesse plano o Rio AI City. O projeto deve receber até US$ 65 bilhões.
O complexo na Barra terá capacidade energética inicial de 1,5 GW, com previsão de saltar a mais de 3 GW em 2032. O primeiro data center já está em operação.
Sediar o Rio Web Summit integra a estratégia da Prefeitura de fazer da cidade uma das capitais globais da tecnologia, sendo palco para o evento até 2030. A conferência de tecnologia registra, nesta quarta edição no país, um recorde de 1.572 startups participantes, 12% mais que no ano passado. Do total, 43% são fundadas por mulheres. A expectativa é que até a quinta-feira, mais de 40 mil pessoas passem pelo evento no Riocentro.
— Existe uma razão para o Web Summit seguir voltando para o Brasil. O ecossistema de tecnologia, está explodindo. A velocidade com que o Brasil e a América Latina adotam e escalam sistemas é impressionante — disse Artur Pereira, CEO do evento no país.
Ele destacou novos acordos fechados com parceiros de todo o mundo, citando o aporte recorde vindo da China e tratados com a União Europeia, tendo “o Brasil no centro”. E tudo isso, acrescenta, ocorrendo em um mundo onde “certezas vêm sendo destruídas” pelo advento de novas tecnologias e da IA.
Na programação estão nomes de destaque, entre especialistas, investidores e executivos de gigantes de tecnologia e inteligência artificial, a exemplo de Microsoft, OpenAI e Google. Sobressaem ainda pessoas como a brasileira Luana Lopes Lara, fundadora da Kalshi. A empresa, com sede nos Estados Unidos, é uma gigante do mercado preditivo, em que as pessoas podem apostar no desfecho de eventos como o resultado das eleições, previsões sobre economia, vencedores de competições, entre outros.
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No fim de abril, o governo federal proibiu o funcionamento de plataformas no Brasil, classificando-as como de “apostas ilegais”. Em apresentação na abertura do Rio Web Summit, Luana — ex-bailarina, formada no MIT e figurando como a mais jovem bilionária no mundo a ter construído fortuna sem ser herdeira — disse que há uma diferença entre apostas e mercado preditivo:
— Nas apostas esportivas ou nos cassinos, o lucro vem quando o usuário perde. No mercado preditivo, é completamente diferente. Ganhamos dinheiro em uma taxa de transação. Queremos que aqueles que vencem continuem trazendo informações para o mercado e continuem ganhando — afirmou.
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Luana relatou também ter enfrentado dificuldades junto a reguladores nos Estados Unidos, mas conseguiu avançar na operação. E que espera também seguir dialogando com as autoridades brasileiras para chegar ao mercado nacional.
Já o ator Lázaro Ramos conversou com a jornalista Natuza Nery, apresentadora do podcast “O Assunto”, da GloboNews, em um bate-papo intitulado “Quem é o dono do meu rosto?”. Ele defendeu a criação de mecanismos de regulação da inteligência artificial para proteger direitos autorais, empregos e a saúde mental de usuários.
A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú.

