Situado entre as praias de Ipanema e do Leblon, o Arpoador é conhecido por suas grandes ondas, propícias ao surfe, e por sua pedra, de onde é possível admirar um lindo pôr do sol. A região já está na rota dos visitantes, e, agora, a prefeitura quer incrementar os empreendimentos turísticos nesse pedacinho da Zona Sul do Rio. Um decreto do prefeito Eduardo Paes, publicado na segunda-feira (28 ), cria a Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) e Área de Especial Interesse Turístico (AEIT), do Núcleo Turístico do Arpoador.
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Para incentivar a implantação de hotéis e outros serviços turísticos — como bares, restaurantes, casas de espetáculos e hostels —, a prefeitura suspendeu por 180 dias, prorrogáveis por mais seis meses, a aceitação de novos pedidos de licenciamento para outras atividades. O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento do Rio de Janeiro, Gustavo Guerrante, explica, no entanto, que quem já protocolou a solicitação terá a demanda analisada.
— Estamos usando os instrumentos legais de que dispomos a nosso favor, como fazemos, por exemplo, com o Reviver Centro. No caso do Arpoador, estamos utilizando o mecanismo das áreas de especial interesse, previstas no Plano Diretor. A cidade atraiu nossos eventos. A rotina de eventos tem trazido desenvolvimento econômico. Geramos confiança, e o investidor privado vem. Com o Arpoador, nossa política é de atração de bandeiras hoteleiras e de manutenção do turismo naquela região. Nos interessa atrair para ali mais uma rede de hotéis do que um prédio residencial — afirma Guerrante.
O secretário, no entanto, tranquiliza os que eventualmente já ingressaram com pedido de licença para utilizar, em um residencial no Arpoador, o potencial construtivo obtido com o Reviver Centro:
— Não vamos ferir diretrizes. O que estiver em tramitação, segue. Novos pedidos é que não serão aceitos enquanto o decreto (Nº 56457) estiver em vigor.
Ainda de acordo com Guerrante, diferentemente do Reviver Centro, da Rua da Cerveja e do Reviver Centro Patrimônio Pró-Apac, o decreto voltado para o Arpoador não prevê contrapartidas. A nova medida vale para construção nova, acréscimo ou modificação de uso em edificação, parcelamento do solo, abertura de logradouro, instalação de mobiliário urbano e demolições. A área é delimitada pelas avenidas Rainha Elizabeth, Atlântica e Vieira Souto.
De fora do novo decreto, ficam a Pedra do Arpoador — não destinado a empreendimentos — e o Parque Garota de Ipanema — objeto de concessão. O Garota de Ipanema faz parte do primeiro bloco de concessão, junto com o Parque da Cidade e o Dois Irmãos. A licitação, com entrega de propostas no dia 25 e abertura dos envelopes na sexta-feira, foi suspensa para o cumprimento de normas burocráticas, e será reagendada em breve.
No trecho abrangido pelo decreto de Paes já se encontram hotéis importantes como o Fairmont, o Fasano, o Arena Ipanema Hotel, o Hotel Arpoador e o Atlantis Copacabana Hotel. Mas o presidente do HotéisRIO, Alfredo Lopes, afirma que a região tem potencial para abrigar novos meios de hospedagem.
— O Arpoador é um ícone da cidade. Na alta temporada, a região recebe muito turista, que gosta de ver o nascer do sol dali. Pode ser construção nova ou retrofit. Espero ainda que a criação dessa área turística se traduza em mais policiamento, num momento em que está sendo criada a Guarda Municipal armada — diz Lopes.
Presidente-executivo do Visit Rio, Luiz Strauss, também se mostra otimista.
— Já era hora de ter um olhar melhorado para aquele espaço. Numa cidade como a nossa, com total vocação turística, o novo decreto vem corroborar esse perfil, ao criar no Arpoador uma área voltada para empreendimentos turísticos. A medida será muita boa para o local e, assim sendo, torna-se boa para o turismo doméstico e internacional. A ideia poderia ser levada para outras áreas da cidade.
Criação de bairro do Arpoador: limites diferentes
Embora com limites diferentes do decreto — não abrange, por exemplo, a Rua Conselheiro Lafaiete e trecho da Avenida Atlântica — o projeto de lei complementar que cria o bairro do Arpoador, em tramitação no Legislativo municipal, inclui o Parque Garota de Ipanema e a Pedra da Gávea.
A proposta, do presidente da Câmara Municipal, vereador Carlo Caiado (PSD), ainda não tem data para entrar na pauta de votação.
— O reconhecimento do Arpoador como bairro representa uma importante formalização da delimitação geográfica da região, conferindo-lhe identidade própria e maior autonomia no planejamento urbano. Esta mudança não acarreta alterações no valor do IPTU e valoriza essa área importante da cidade, reconhecida mundialmente — ressalta Caiado.