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outubro 14, 2026
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Prefeitura vistoria casarão onde morou Carmen Miranda, após denúncia de que local virou ponto de acesso para furtos

Por · outubro 14, 2026
Prefeitura vistoria casarão onde morou Carmen Miranda, após denúncia de que local virou ponto de acesso para furtos


Salve Carmen! era o nome de uma exposição e campanha, organizada por instituições vizinhas, para homenagear a cantora Carmen Miranda e chamar atenção para o mau estado de conservação do casarão onde a artista morou entre com a família entre 1925 e 1931, no número 13 da Travessa do Comércio, no Centro do Rio. A iniciativa é do final de 2024, logo depois do segundo desabamento de parte do telhado denunciar a situação do imóvel. A faixa com a frase ainda está lá presa no tapume, mas parece que nunca foi lida. Pelo menos pelo que poderiam fazer algo pelo lugar. A estrutura de proteção também mostrou que não funciona. A vizinhança denuncia que o imóvel em ruínas é constantemente invadido e está servindo de acesso aos prédios mais próximos.
—Ocorreram mais de cinco furtos na vizinhança somente esse ano — denuncia Drean Moraes, sócio e diretor executivo do Centro Cultural Lado B.
A instituição gerida por Moraes é um projeto de arte independente que reúne artistas periféricos e fica ao lado do casarão onde viveu a Pequena Notável. O centro cultural foi a vítima mais recente de invasão, conforme noticiou o blog do jornalista Ancelmo Gois, de O Globo. O gestor diz que espaço foi acessado na madrugada de segunda-feira por alguém vindo do imóvel vizinho que furtou diversos objetos, incluindo um aparelho de ar-condicionado que havia sido instalado três dias antes.
Sinais de abandono ficam evidentes num passeio pelo casarão onde morou Carmen Miranda
Fabiano Rocha
Imagens gravadas por comerciantes mostram que um dos tapumes que protegia a fachada do sobrado, que tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi danificado, e o entra e sai de pessoas em situação de rua e de criminosos tornou-se frequente. Na manhã desta quarta-feira, depois da publicação da nota, uma equipe da prefeitura, com apoio de um policial militar do 5ºBPM (Praça da Harmonia) vistoriou o local e não encontrou ninguém dentro do imóvel.
—O subprefeito (do Centro) Alberto Szafran recebeu a denúncia de que o casarão havia sido invadido pediu que a gente programasse essa operação de vistoria com a ajuda da Seop e a PM — disse José Anastácio, gestor-executivo do Centro, que liderava a equipe composta por agentes da Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) —Vamos providenciar um novo fechamento (do acesso ao imóvel). Equipes técnicas vão estudar a melhor forma.
As imagens mostram que foi por uma brecha que invasores conseguiram acessar o prédio do Lado B, de onde levaram ferramentas de trabalho e os cabos da instalação de ar-condicionado, além do próprio aparelho. Algumas obras de arte do acervo também foram retiradas do local, mas acabaram abandonadas no meio do caminho durante a fuga dos suspeitos. O prejuízo contabilizado é de cerca de R$ 20 mil. Outra hipótese é de que os invasores entram no casarão em ruínas por cima, escalando andaimes que escoram suas paredes.
—É uma situação horrível. Tem o problema desse casarão em ruínas e outro que demoliram. Os donos abandonaram ambos. Soubemos que foram integrados pela prefeitura, que nada fez. Eles estão escorados por andaimes fáceis de escalar — reclamou o gestor do Lado B .
O mau estado de conservação do imóvel ficou evidente no final de 2024, quando perdeu parte do telhado após um desabamento, pela segunda vez no mesmo ano. A equipe do GLOBO entrou no prédio nesta quarta-feira e observou que nada mudou. Dentro do prédio, de três pavimentos há muito sujeira e entulho. Espalhados pelos cômodos é possível ver materiais empilhados como telhas, madeiras e tijolos.
Lista com preço de bebidas do bar que funcionou no local ainda está preso à parede
Fabiano Rocha
Moradia da pequena notável
Carmen Miranda morou com a família no sobrado em 1925. Nessa época, sua mãe tinha uma pensão, com a qual ajudava a sustentar a família. O imóvel chegou a abrigar um restaurante com karaokê cheio de fotos que levava o nome de Carmen Miranda House in Club. Numa das paredes do terceiro pavimento, ainda está preso na parede uma lista com os preços de produtos comercializados ali, como cerveja, refrigerantes e drinks.
A cantora, portuguesa de nascimento, mas ícone de brasilidade, fez das proximidades da Praça Quinze seu reduto. Em entrevista ao GLOBO em 2015, o escritor Ruy Castro recordou que ela frequentou a igrejinha de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, trabalhou em lojas de chapéus femininos e de artigos masculinos A Principal, quase em frente à Confeitaria Colombo.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou nesta quarta-feira que, após o primeiro desabamento de parte do telhado do imóvel, em junho de 2024, autuou o proprietário, com base na Portaria nº 187/2010, para que fossem adotadas as medidas necessárias à correção dos riscos estruturais identificados. Posteriormente, segundo o órgão, foi firmado um Termo de Compromisso, no qual o proprietário assumiu a responsabilidade pelos danos e se comprometeu a executar os reparos necessários.
O Iphan informou ainda que em março deste ano aprovou o projeto de intervenção no imóvel. De acordo com o Termo de Compromisso firmado, o prazo para a execução das obras de restauro, que serão realizadas pelo proprietário, é de até 12 meses, contados a partir da aprovação do projeto. “Cabe enfatizar que o proprietário deve solicitar o alvará de obras junto aos órgãos competentes, uma vez que a emissão desse documento não é atribuição do Instituto”, diz a nota. O Iphan informou, ainda, que sua equipe técnica realiza vistorias periódicas nos imóveis localizados na Travessa do Comércio.
O casarão foi comprado em 2011 pela Arilucas, uma empresa do setor imobiliário, que pertence ao advogado Alexandre Barreira. O GLOBO fez contato com uma filha de Barreira, que disse não estar autorizada a dar declarações sobre o imóvel e nem a passar o contato do pai.
Procurada a Polícia Civil informou que até o momento, não houve registro do furto ao centro cultural. “A Polícia Civil orienta que todos os casos sejam registrados para que possam ser investigados de forma individual e para que os autores sejam identificados e responsabilizados criminalmente”, diz a nota.
A prefeitura também foi procurada, mas ainda não respondeu.
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