O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou nesta quarta-feira que o governo do Reino Unido acredita que o Irã esteve por trás do incidente ocorrido em uma base aérea usada por bombardeios americanos na guerra dos Estados Unidos contra a República Islâmica. Cinco homens continuam sendo investigados pela polícia após terem sido presos no domingo sob suspeita de preparar um ato terrorista na RAF Fairford, na Inglaterra.
— Há fortes indícios de que o Irã teve participação no que aconteceu no fim de semana na RAF Fairford — disse Burnham em entrevista à BBC. — Continua sendo uma investigação policial em andamento, complexa e séria e, é claro, estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos colegas nos Estados Unidos da América.
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Nas horas seguintes à prisão dos homens, Burnham havia pedido publicamente que as pessoas não especulassem sobre as motivações deles ou possíveis ligações com outros países. Os cinco homens, que são cidadãos britânicos, foram libertados sob fiança na segunda-feira. Na terça, as autoridades disseram que não haviam encontrado explosivos nas vans. Os investigadores apreenderam, no entanto, uma quantidade não informada de combustível.
Na entrevista à rede britânica, o primeiro-ministro se recusou a dizer por que o governo acredita que o Irã estava ligado ao incidente. Burnham afirmou que dará mais informações “no devido momento”, mas reforçou que a administração acredita que “o Irã estava ligado ao incidente”, destacando que, “obviamente, não diria isso levianamente”.
A Embaixada do Irã em Londres havia afirmado, em nota na segunda-feira, que “rejeita categoricamente e condena veementemente” o que classificou como tentativas “infundadas e maliciosas” de vincular o caso ao Irã. Segundo a embaixada, essas especulações “não teriam outro propósito além de alimentar a propaganda anti-Irã no Reino Unido”.
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No mesmo dia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o incidente na base britânica estava ligado a um agente estrangeiro. Ele não disse qual, mas acrescentou:
— No caso do Irã, por exemplo, que ameaçou abertamente atacar interesses americanos em todo o mundo, sempre levaremos isso muito a sério.
Questões em aberto
O que exatamente aconteceu na região ao redor da base no domingo permanece incerto. Uma moradora local entrou em contato com a polícia na madrugada, após ter visto um grupo de homens suspeitos usando máscaras perto de três vans brancas estacionadas. A polícia, porém, disse ter recebido uma primeira ligação quase 50 minutos antes, de alguém que relatou que três veículos suspeitos estavam seguindo em direção à base.
O escritório do New York Times em Londres, além da BBC e outros veículos de comunicação britânico informaram na terça-feira que a polícia acredita que a primeira ligação partiu de um dos cinco homens que posteriormente foram presos. Questionado sobre o motivo pelo qual os homens foram libertados sob fiança, considerando a gravidade do incidente, Burnham sugeriu que os homens não haviam sido soltos sob condições de fiança comuns.
— Acho que as pessoas precisam entender que, quando se diz ‘libertados’, não é como as pessoas podem imaginar. É obviamente sob as condições de fiança mais rigorosas possíveis. — disse o premier, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticar a decisão de libertá-los. — Temos conversado durante toda a semana com nossos pares nos EUA para explicar o que está acontecendo aqui e como as coisas estão sendo conduzidas. Tenho total confiança na maneira como os serviços de segurança britânico estão lidando com isso.
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A RAF Fairford funciona como a principal base avançada de operações na Europa para os bombardeiros do Comando de Ataque Global da Força Aérea dos EUA e tem sido usada para ataques de longa distância contra o território iraniano desde o início da guerra, em fevereiro. O ex-premier Keir Starmer inicialmente se recusou a permitir que bases britânicas fossem usadas no conflito, mas mudou de ideia após o Irã atacar aliados de Londres.
A decisão provocou um intenso debate no Reino Unido, incluindo repetidos protestos nas proximidades da base por ativistas contrários à guerra. Ainda assim, Burnham, que substituiu Starmer em julho, manteve discretamente essa política. Em 23 de julho, poucos dias após ele assumir o cargo, Teerã advertiu que a decisão do governo de permitir ataques a partir de uma de suas bases faria dela “um alvo legítimo”.
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