O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou, neste sábado, que a morte do ex-professor da Universidade de Cambridge, Jason Arday, é “uma tragédia em tantos níveis” e pediu um “momento de reflexão”. Arday tornou-se o professor negro mais jovem a dar aulas em Cambridge, ao assumir a disciplina Sociologia da Educação em 2023.
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— Não é um momento para qualquer julgamento precipitado. É um momento de reflexão, eu diria, de refletirmos sobre como chegamos a esse ponto — disse Burnham a jornalistas durante uma visita à Cornualha.
Arday, de 41 anos, foi encontrado morto em sua casa, no bairro de Battersea, em Londres, na tarde de sexta-feira. Ele havia renunciado, na semana passada, ao cargo na Universidade de Cambridge, após acusações de plágio e questionamentos sobre sua trajetória acadêmica. Arday negou as acusações e apontou o intenso escrutínio público a que foi submetido. “As acusações incessantes, as especulações e os comentários públicos tiveram um impacto profundo sobre mim e sobre as pessoas que amo.”
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A morte de Arday levou a outras manifestações de autoridades britânicas.
O prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou que que Arday foi submetido a um incessante escrutínio público, “uma perseguição inaceitável e uma campanha de abusos”. “A morte dele foi uma tragédia, mas, mais uma vez, deve servir de alerta para todos nós”, publicou ele no X.
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A vice-reitora da Universidade de Cambridge, professora Deborah Prentice, afirmou que a instituição estava “profundamente entristecida” ao saber de sua morte.
“Nossos mais sinceros sentimentos vão para a família e os amigos de Jason Arday neste momento incrivelmente difícil.”
A secretária de Educação, Lucy Powell, disse estar “profundamente chocada e entristecida” e pediu às pessoas que “se lembrem de que há pessoas reais, com entes queridos, envolvidas nessa situação”.
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Lord Paul Boateng, primeiro homem negro a integrar o gabinete de um premier britânico, no governo do trabalhista Tony Blair em 2002, afirmou à rede BBC que está “horrorizado, chocado e profundamente entristecido”.
“O racismo na academia é uma realidade e precisa ser enfrentado”, escreveu Boateng em uma declaração.
Mais cedo, a família de Arday divulgou um comunicado por meio da editora Simon & Schuster UK, afirmando estar “em choque por ter perdido este pai, companheiro, irmão, tio e filho incrível”. Segundo os parentes do professor, uma “campanha de desinformação” havia sido demais para ele.
Jason Arday foi encontrado morto em Londres
Reprodução
Entenda o caso
Um outro acadêmico — Nathan Cofnas, que se autodefine como “realista racial” e que foi demitido de seu cargo em Cambridge em 2024 — afirmou ter encontrado diversos casos de plágio nos trabalhos do professor Jason Arday.
Arday negou as acusações, mas admitiu erros em seu trabalho, afirmando que a controvérsia havia provocado “um nível incessante de escrutínio público e ataques pessoais”. O professor afirmou ainda que alguns erros em seus primeiros trabalhos acadêmicos ocorreram por causa de seu autismo — ele disse que recorria à imitação para compreender as informações e que um escrutínio semelhante encontraria erros semelhantes nos trabalhos de outros acadêmicos.
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Arday foi questionado sobre sua história de vida, incluindo a alegação de que havia corrido aproximadamente 966 km em seis dias e de que havia arrecadado £ 5,5 milhões (cerca de R$ 40 milhões) para instituições de caridade.
Mais tarde, Arday esclareceu que a corrida havia sido concluída, na verdade, ao longo de 12 dias, permitindo dias de descanso, e que a grande quantia havia sido arrecadada com a ajuda de outras pessoas.
Após o escrutínio público, Arday anunciou sua renúncia ao cargo na Universidade de Cambridge na semana passada. Segundo ele, o “custo pessoal” do escrutínio ao qual havia sido submetido se tornara “grande demais”.
— Embora a crítica seja uma parte inevitável da vida acadêmica, o que vivenciei foi muito além de uma divergência acadêmica — afirmou. — As acusações incessantes, as especulações e os comentários públicos tiveram um impacto profundo sobre mim e sobre as pessoas que amo.
Jesus College, na Universidade de Cambridge, onde o professor Jason Arday dava aulas
BROOK MITCHELL/AFP
Arday disse ainda que sua renúncia não deveria “ser interpretada como uma aceitação das narrativas que foram construídas a meu respeito”.
No início desta semana, a Universidade de Cambridge anunciou uma investigação independente sobre as circunstâncias da nomeação de Arday. Já Liverpool John Moores University — onde Arday conquistou o título de Doutor em 2015 — concluiu que ele não havia cometido plágio.

