O primeiro-ministro trabalhista, Andy Burnham, voltou a colocar nesta quarta-feira sobre a mesa a possibilidade de o Reino Unido retornar à União Europeia (UE), abrindo um debate que nenhum chefe de governo britânico havia levantado desde o Brexit. Após receber a proposta, a Comissão Europeia afirmou que cabe a Londres definir qual caminho seguir para a relação do Reino Unido com o bloco. O presidente francês, por sua vez, celebrou a possibilidade: “Bem-vindo de volta”.
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— O Reino Unido é um parceiro próximo e valioso da União Europeia. Cabe ao governo britânico explicar como deseja desenvolver sua relação com a UE no futuro — declarou o porta-voz da Comissão Europeia, Balazs Ujvari. — Continuamos abertos a analisar as opções que ele possa apresentar.
Em declarações nesta quarta-feira à BBC Radio 4, Burnham mencionou a possibilidade de manter o status quo, “se as pessoas acharem que é onde devemos permanecer”, retornar à união aduaneira, ao mercado único, “ou ir até o fim”, ou seja, voltar a integrar a UE.
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Durante seu discurso na terça-feira, no congresso do Partido Trabalhista em Liverpool, o chefe do governo britânico afirmou que quer apresentar “diferentes opções” para as relações de longo prazo com a UE durante uma cúpula prevista para antes do fim do ano.
— Obviamente, há opções que devemos considerar e precisamos analisar o que é viável, assim como as vantagens e desvantagens de cada uma delas — continuou o premier, sem indicar, por enquanto, qual decisão prefere.
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Burnham, que fez campanha contra a saída do Reino Unido da UE em 2016, afirmou na terça-feira que “o Brexit causou mais prejuízos do que benefícios” ao país, especialmente do ponto de vista econômico.
‘Bem-vindo de volta’
O líder da França, Emmanuel Macron, deu as boas-vindas a Burnham durante uma coletiva de imprensa em Madri e demonstrou otimismo com a possibilidade de retorno do Reino Unido ao bloco europeu.
— Se os britânicos quiserem voltar e se o primeiro-ministro estiver caminhando nessa direção, acho que é uma ótima notícia, tanto para o país quanto para os europeus — acrescentou o presidente francês.
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No início de junho, antes de chegar ao governo, Burnham havia dito que espera que o Reino Unido volte à UE.
O Partido Trabalhista chegou ao poder em 2024 com um programa que previa uma aproximação com a UE, mas com três linhas vermelhas: não retornar à união aduaneira, ao mercado único nem restabelecer a livre circulação de pessoas.
— Nossos colegas de toda a Europa podem constatar que, finalmente, o Reino Unido está disposto a avançar e construir juntos nosso futuro comum — afirmou à AFP a deputada trabalhista britânica Stella Creasy.
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O eurodeputado italiano Sandro Gozi, presidente de uma iniciativa parlamentar sobre as relações entre a UE e o Reino Unido, classificou as declarações de Burnham como uma “oportunidade histórica”, em um momento em que a UE busca desenvolver parcerias privilegiadas com outros países, como o Canadá, diante das pressões e da concorrência dos Estados Unidos e da China.
Por outro lado, defensores do Brexit criticaram a possibilidade de um retorno à UE. Richard Tice, número dois do partido anti-imigração Reform UK, denunciou uma “traição” por parte de Burnham.
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Dez anos após o referendo sobre a saída da UE, a opinião pública britânica mudou. Caso um referendo fosse realizado, 55% dos eleitores optariam por retornar à UE, segundo uma pesquisa do instituto Survation publicada no início de junho.
Uma cúpula entre a UE e o Reino Unido estava inicialmente prevista para julho, mas precisou ser adiada devido à renúncia, naquele mês, do então primeiro-ministro, Keir Starmer. Uma nova data deverá ser definida antes do fim do ano.
(Com AFP)
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