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setembro 30, 2026
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Agenda Global: Fórum em Nova York debate oportunidades econômicas para o Brasil

Por · setembro 30, 2026


O novo arranjo geopolítico, os reflexos da Inteligência Artificial (IA) e o papel que o Brasil pode ocupar dentro desse cenário global em transformação foram alguns dos temas centrais debatidos no Forum Agenda Global 2026, promovido pelo Valor em parceria com a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil). O evento ocorreu em 21 de setembro na sede do Citi em Nova York, durante a Semana do Clima e a Assembleia Geral da ONU.
Contexto: Agenda Global debate oportunidades para o Brasil
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— Os debates mostraram que, diante de um cenário mais complexo e interdependente, inovação, competitividade, resiliência e cooperação serão fatores cada vez mais decisivos, tanto para os países quanto para as empresas — afirmou Maria Fernanda Delmas, diretora de redação do Valor Econômico, no encerramento do evento.
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Marcelo Marangon, co-head global do corporate banking do Citi, destacou que as tensões geopolíticas, o avanço acelerado da IA, a necessidade de segurança energética e a transição climática estão transformando a forma como empresas investem e produzem, mas que as mudanças poderão criar oportunidades.
— É exatamente nesse ambiente competitivo que acreditamos que o Brasil tem uma posição bastante singular.
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Abraão Neto, presidente da Amcham Brasil, também ressaltou as vantagens competitivas do Brasil nesse contexto, como a escala na produção de alimentos, a matriz energética diversificada e renovável, os recursos naturais abundantes e um parque industrial sofisticado. Porém, ele também destacou a necessidade de o país tirar proveito desses atributos.
— O desafio é como transformar o potencial em resultado, em geração de valor, inovação e investimentos.
Durante as discussões, ficou claro o papel cada vez mais central da geopolítica.
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— Enfrentamos uma nova geografia de risco político. Questões que muitos consideravam resolvidas há tempos estão sendo reabertas. A lista vai desde políticas tarifárias até a Groenlândia — disse Daniel Erikson, consultor sênior da Covington e ex-assessor especial da Presidência dos EUA, no painel “Navegando pela nova economia global”.
Para Ethan Zindler, diretor de pesquisa em políticas públicas e países da BloombergNEF, um dos reflexos dos conflitos globais tem sido o impulso à energia renovável. Ele também destacou a IA como fator crucial para o aumento da demanda por eletricidade, o que deverá gerar uma pressão nos preços de energia.
Setor de energia é trunfo
A preocupação em torno do avanço da IA e dos data centers também foi ressaltada por Nasser Malik, head global de sustentabilidade e transição no corporate banking do Citi. Segundo ele, é essencial jogar luz sobre os riscos socioambientais dos projetos.
Ao longo do evento, o setor de energia foi apontado como um dos grandes trunfos do Brasil para competir no cenário global. No entanto, também foi destacado o desafio de o país ir além do papel de fornecedor de recursos naturais.
— O Brasil (…) precisa fechar o “gap” no refino e processamento. Nisso a China tem vantagem competitiva colossal — afirmou Daniel Slaviero, presidente da Copel, no painel “Segurança energética, minerais críticos e cooperação Brasil-EUA”.
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Gracelin Baskaran, diretora do programa de minerais críticos do Center for Strategic and International Studies, destacou que, para avançar em áreas estratégicas, é imprescindível integrar desde a ponta dos recursos naturais até a indústria. Ela ressaltou que “o Brasil tem uma vantagem particular, porque possui recursos geológicos incríveis”.
Pablo Cesário, então presidente-executivo interino do Instituto Brasileiro de Mineração, destacou a recente publicação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos como um divisor de águas nesse sentido.
Laudemir Müller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, também disse acreditar no desenvolvimento de uma indústria voltada ao setor mineral, porém, afirmou que ainda será necessário desenvolver estratégias específicas.
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Para além da área de minerais, o Brasil reúne características importantes para desenvolver sua industrialização, destacou o presidente da Phillip Morris no Brasil, Miguel Matos, durante o painel “A Nova Indústria: IA, Geopolítica e Competitividade na Era da Transformação”.
— Vejo muita oportunidade. O Brasil tem escala, é um continente, tem recursos naturais, tem talentos — disse.
Larissa Wachholz, sócia da Vallya e pesquisadora senior do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), também destacou o posicionamento diplomático do Brasil como uma vantagem.
— Em um mundo instável, a estabilidade e a capacidade de diálogo com diferentes polos globais passam a ser também um grande ativo econômico.
Disciplina fiscal
Do lado do poder público, a secretária de Fazenda e Planejamento da cidade do Rio de Janeiro, Andrea Riechert Senko, ressaltou a importância da disciplina fiscal como forma de atrair investidores.
— O mercado realmente está em evolução rápida, mas em termos de finanças e análise do setor público, ainda é bem conservador. Esse é o principal sinal que a gente tem que dar para quem quer investir — disse ela.
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O evento debateu os impactos de eventos climáticos extremos, como o “super El Niño”. Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para Amazônia e professor da USP, alertou para a previsão de fortes impactos nos próximos meses. Para Jens Nielsen, fundador e CEO da Fundação Mundial do Clima, a crise climática requer “coordenação, não só nacional, mas também internacional (…) entre todos os atores”.
O Fórum Agenda Global 2026 foi uma realização do Valor Econômico e da Amcham Brasil e contou com parceria estratégica do Citi, patrocínio master da Philip Morris Brasil, patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro, Copel, ApexBrasil e JBS, companhia aérea oficial Latam e apoio de Binatural, Vale, Ibram e Samarco.

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