Um médico patologista amplamente respeitado morreu por overdose após receber, por engano, uma medicação incorreta no hospital público onde atuava havia décadas, no Reino Unido. O caso, que gerou forte comoção entre familiares e colegas, foi descrito pela Justiça britânica como resultado de uma “cascata de erros” e de “falhas graves” no atendimento.
- Alemanha: enfermeiro é condenado à prisão perpétua pelo assassinato de dez pacientes
- Vítima de erro médico: ‘Fui diagnosticada com doença autoimune grave, 5 anos depois descobri que era só estrabismo’
O professor Ray McMahon, de 68 anos, morreu em 18 de fevereiro no Hospital Wythenshawe, em Manchester, quatro dias depois de ter sido internado com febre. Segundo o inquérito, ao qual o jornal britânico Daily Mail teve acesso, o pesquisador sofreu uma parada cardíaca após receber uma medicação três vezes mais forte do que a recomendada.
McMahon, pai de três filhos e avô de cinco netos, presidia a Academia Internacional de Patologia e era considerado uma das principais referências na área no Reino Unido. Ele enfrentava problemas respiratórios há anos.
De acordo com o tribunal de Manchester, o erro começou quando um farmacêutico em treinamento prescreveu o remédio errado. O profissional procurou o medicamento em uma geladeira — onde o produto correto não estava — e acabou separando uma formulação diferente, identificada como Fungizone, usada no tratamento de infecções fúngicas.
A equipe de enfermagem, por sua vez, não percebeu o engano antes de administrar a substância. O professor recebeu o remédio incorreto por cerca de uma hora, o que resultou em uma overdose fatal. A médica responsável pelo setor de doenças infecciosas do hospital, Katherine Ajdukiewicz, admitiu que houve uma “série de erros humanos” que culminaram no episódio.
Durante o inquérito, o legista Zak Golombeck afirmou que a morte do patologista foi “contribuída por negligência” e destacou que o hospital adotou mudanças “para reduzir significativamente as chances de algo semelhante voltar a ocorrer”. Ainda assim, ele reconheceu “falhas graves” por parte da equipe médica. A família criticou duramente a conduta do hospital. A filha, Aoife McMahon, disse, emocionada:
“Gostaríamos de expressar nossa extrema decepção, angústia e tristeza, especialmente em relação à instituição onde ele trabalhou por tantos anos. Estamos muito chocados que um erro desta magnitude tenha sido permitido.”
A viúva, Claire McMahon, afirmou que o marido “dedicou toda a vida ao sistema público de saúde, mas, como paciente, foi negligenciado”. A direção do Manchester University NHS Foundation Trust, que administra o hospital, emitiu um pedido formal de desculpas. O diretor médico Sohail Munshi afirmou que o caso foi “exaustivamente investigado” e que a instituição está “revendo todos os procedimentos para garantir padrões mais elevados de segurança e qualidade”.
Natural de Galway, na Irlanda, McMahon mudou-se para Manchester em 1984. Apaixonado por música e torcedor do United, era conhecido por seu gosto pela banda Steely Dan e pelo comprometimento com o ensino e a pesquisa médica. A advogada da família, Rachael Heyes, classificou o episódio como “uma tragédia completa” e defendeu que o caso sirva de lição para evitar novos erros.
“Houve várias falhas em seu atendimento, incluindo a prescrição inicial e a dispensação do medicamento antifúngico. Espero que a instituição possa aprender com o ocorrido e garantir que os processos agora em vigor sejam eficazes e que nenhum outro paciente seja exposto a danos potencialmente graves no futuro.”

