
O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, propôs o início de novos diálogos e negociações entre as duas Coreias para colocar fim à Guerra da Coreia neste sábado (15), horário local de Seul, em um discurso na cerimônia do 81º Dia da Libertação, que celebrou o fim da colonização japonesa na península.
O conflito armado, que durou de 1950 a 1953, foi suspenso por um armistício há 73 anos, mas os dois países nunca assinaram um acordo de paz – e, por isso, ainda estão tecnicamente em guerra.
Lee Jae Myung destacou que quer discutir formas práticas de “suspender o avanço do programa nuclear de Pyongyang”, da vizinha Coreia do Norte, segundo informações da agência sul-coreana Yonhap News, e se comprometeu a buscar a paz entre os dois países.
— Vamos deixar de lado nossas intenções de ameaçar uns aos outros e começar discussões para acabar com esta longa guerra […]. Neste processo, nós podemos também discutir maneiras eficientes de parar com o avanço das capacidades nucleares do Norte. — declarou Lee.
O líder norte-coreano Kim Jong-un em inspeção de uma fábrica de produção de materiais nucleares recém-inaugurada em local não revelado da Coreia do Norte
AFP PHOTO/KCNA VIA KNS / AFP
Para o presidente sul-coreano, o sistema de armistício atual é “instável”, sugerindo a possibilidade constante de agressão entre as duas Coreias.
No discurso do ano passado, o presidente já havia prometido respeitar o sistema político vizinho e disse não pretender anexar ou agredir o Norte, que não tem se manifestado a respeito das declarações de Lee.
A uma plateia de cerca de 3.000 pessoas, incluido ex-combatentes, membros do governo e do partido de Lee, o sul-coreano destacou que gostaria de negociações “cara a cara” com Pyongyang para a “coexistência pacífica e crescimento mútuo das Coreias”, além do desenvolvimento de um “sistema de segurança de múltiplas camadas” para controlar tensões e prevenir uma crise de segurança na península.
O líder norte-coreano Kim Jong-un se reuniu com o ex-presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, na zona desmilitarizada entre os dois países, em abril de 2018. Na época do encontro histórico, o primeiro entre líderes das duas nações desde a guerra, ambos se comprometeram a assinar um acordo de paz, mas as negociações não avançaram e o plano nunca se concretizou.
