O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, disse ao blog neste domingo que a operação de compra do banco Master prevê que a instituição assuma o pagamento de apenas uma parte dos CDBs já distribuídos pelo banco paulista ao mercado. Segundo o CEO, os títulos de renda fixa emitidos pelo Voiter e pelo Banco Master de Investimentos, duas subsidiárias que não serão adquiridas pelo BRB, ficam de fora da transação. No total, esses papéis que não entram na carteira do banco estatal de Brasília após a compra somam R$ 23 bilhões de reais.
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De acordo com Costa, o BRB vai assumir R$ 29 bilhões em papeis de renda fixa já vendidos pelo Master. São os CDBs emitidos pelo Will Bank e pelo Master em si, que entram no negócio anunciado na última sexta-feira (28). Para ser concretizada, a compra ainda depende da aprovação do Cade, o conselho de defesa da concorrência, e do Banco Central.
Nos últimos meses, a dúvida sobre a capacidade do Master de honrar os compromissos assumidos com os investidores que compraram títulos com a promessa de rendimentos de até 140% do CDI, (Certificado de Depósito Bancário, a taxa de juros que os bancos cobram entre si), provocou uma série de boatos sobre a quebra do banco. O Master não publicou o balanço em dezembro, o que acentuou a tensão.
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Em julho passado, o Master tentou vender à Caixa Asset, divisão de investimentos da Caixa, um lote de até R$ 500 milhões em CDBs que foram rejeitados pela área de risco do banco público. O plano era vender R$ 1 bilhão em duas operações, mas o parecer dos técnicos da Caixa à época classificou a operação como atípica pelo alto valor e pelo risco dos papéis, uma vez que o considerava o modelo de negócios do Master como de “de difícil compreensão” e com “alto risco de solvência”.
Como o blog publicou na ocasião, os servidores da Caixa Asset que assinaram o parecer foram destituídos dos cargos, mas os papéis acabaram não sendo adquiridos.
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A Caixa é presidida por Carlos Vieira, indicado ao presidente Lula para o cargo na cota do Centrão pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Costa, o presidente do BRB, também é ligado ao Centrão e visto em Brasília como um aliado próximo do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Segundo o CEO do BRB, o balanço do Master será divulgado hoje e com lucro. O presidente do BRB, que afirmou já ter conhecimento dos números a serem divulgados hoje, informou que o total de CDBs emitidos pelo Master soma R$ 52 bilhões. Isso representa praticamente a metade dos R$ 107,8 bilhões que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), um fundo formado com dinheiro do sistema financeiro, tem para socorrer clientes de bancos que quebram. Nesse caso, o FGC garante o pagamento de até R$ 250 mil reais por investidor.
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Nos últimos dias, interlocutores de outras instituições e gestoras de ativos me disseram que a falta de liquidez do Master era de fato um problema, tanto que o banco tinha contratado um assessor, a Galápagos Capital, para tentar negociar uma venda.
Mas embora vários bancos grandes tenham sido sondados, incluindo Itaú, Bradesco e Santander, nenhum deles sequer quis conversar. Apenas o BTG tinha interesse na carteira de crédito consignado, mas não topava assumir o risco dos CDBs.
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Ao final, o BRB, que é um banco estatal relativamente pequeno, com patrimônio líquido menor que o do próprio Master, topou o risco do negócio, que tem todas as características de um salvamento.
Mas Paulo Henrique Costa está bastante empenhado em demonstrar que, ao contrário do que se diz no mercado, não está salvando o Master e sim fazendo uma transação que agrega valor ao BRB.
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Nas várias entrevistas que deu nos últimos dias, incluindo a que fiz com ele neste domingo (30), Costa afirmou que só vai comprar a parte do Master que faz sentido, que é saudável e que tem complementaridade com o BRB, o que inclui o Will Bank, o Master e a Maxinvest Securitizadora.
Costa afirmou ainda que seu banco avaliou em R$ 52 bilhões o total de ativos do Master que serão adquiridos na transação, mas não quis detalhar como chegou a esse valor. De acordo com ele, será possível fazer esse cálculo a partir do balanço do Master que será divulgado hoje.
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Costa disse ainda que não vê problemas de liquidez no Master e que o BRB tem como pagar a todos os investidores que passarem a fazer parte de sua carteira assim que o negócio for fechado – outra dúvida que vem pairando no mercado desde que a compra foi anunciada.
“Temos uma estrutura de captação muito mais barata e diversificada”, justifica ele, já antecipando a decisão de trocar os títulos com rendimento de até 140% do CDI para papéis com juros bem mais baixos, de em média 98% do CDI.
Quer dizer: no que depender do BRB, os CDBs com juros nunca antes vistos vão aos poucos se tornar coisa do passado. O banco estatal vai pagar o que já foi emitido e depois voltar aos parâmetros considerados normais pelo setor financeiro.
Restarão ainda outros R$ 23 bilhões em papéis que continuam no Master. Mas, conforme explicou Costa, com esses o BRB não terá nada a ver.

